Segundo a analista Lívea Coda, a volatilidade nos preços foi causada pela antecipação do vencimento do contrato de março, com sinais de sobrecompra
Os contratos de futuros de açúcar com vencimento em maio devem ser monitorados nas suas sessões iniciais para uma melhor compreensão das tendências de preço. Esta é a perspectiva da coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Lívea Coda.
De acordo com Coda, a oferta no Brasil ficou mais restrita e deve continuar a diminuir com o fim da entressafra. Além disso, ela ressalta que a produção de açúcar na Índia e na Tailândia estão abaixo das expectativas iniciais e, por serem países com custo de produção são mais elevados, a combinação ajuda a sustentar os preços no curto prazo.
“Embora continuemos um pouco otimistas quanto à possibilidade de a Índia atingir 30 milhões de toneladas, sua produção está 14% abaixo da temporada passada (21,9 milhões de toneladas até 28 de fevereiro), o que pode resultar em um déficit global maior para 2024/25”, observa a analista, que segue: “Contudo, os fluxos comerciais não devem ser afetados, pois a exportação de 1 milhão de toneladas já foi permitida”.
Ainda segundo Coda, a volatilidade de preços observada na semana passada não foi causada pela divulgação do relatório da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) referente à primeira quinzena de fevereiro, mas pela antecipação do vencimento do contrato de março.
“O mercado já mostrava sinais de sobrecompra na segunda-feira, 24, o que indicava possíveis correções, agravadas por um cenário externo adverso, com queda no complexo energético e um dólar mais forte”, observa,
Ela relata que houve uma “relativa neutralidade” nas negociações da terça-feira, 25, mas o dia seguinte apresentou queda de 3,8% nos preços do açúcar. O movimento foi seguido por uma redução de 4,6% na quinta-feira, 27, quando surgiram rumores de vendas ativas por produtores brasileiros.
De acordo com a analista, a expectativa de entrega elevada do contrato de março – entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas – levantou dúvidas sobre a restrição da oferta. No fim, foram entregues 1,7 milhão de toneladas a 19,51 centavos de dólar por libra-peso, um recorde para o período, superando os 1,3 milhão de toneladas de março de 2024.
Coda ainda completou que a Hedgepoint revisou suas expectativas para a produção de açúcar da Tailândia, de 11 milhões para 10,5 milhões de toneladas, “devido a condições climáticas adversas para a moagem, o que limita as exportações em pelo menos 800 mil toneladas se comparado às estimativas iniciais e acaba por tornar o mercado mais apertado a curto prazo”.
Também de acordo com a analista, o início da safra do Centro-Sul brasileiro pode ser lento ou sofrer atrasos, oferecendo suporte ao contrato de maio. Assim, se a demanda estiver confortável em esperar a próxima safra brasileira, Coda acredita que a recuperação nos preços pode ser mais lenta.
Ela aponta que a Indonésia ainda não decidiu quando importará as 200 mil toneladas aprovadas, enquanto dados da China mostram que as importações até dezembro do ano passado caíram 36% para o açúcar; ou 24%, se incluídas estimativas de xarope e contrabando.