Açúcar: Exportação

Açúcar: Exportação

Entrega recorde de açúcar na ICE afeta preços da commodity, diz Hedgepoint

Segundo a analista Lívea Coda, a volatilidade nos preços foi causada pela antecipação do vencimento do contrato de março, com sinais de sobrecompra


Hedgepoint - Publicado: 06 Mar 2025 - 10:43

Os contratos de futuros de açúcar com vencimento em maio devem ser monitorados nas suas sessões iniciais para uma melhor compreensão das tendências de preço. Esta é a perspectiva da coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Lívea Coda.

De acordo com Coda, a oferta no Brasil ficou mais restrita e deve continuar a diminuir com o fim da entressafra. Além disso, ela ressalta que a produção de açúcar na Índia e na Tailândia estão abaixo das expectativas iniciais e, por serem países com custo de produção são mais elevados, a combinação ajuda a sustentar os preços no curto prazo.

“Embora continuemos um pouco otimistas quanto à possibilidade de a Índia atingir 30 milhões de toneladas, sua produção está 14% abaixo da temporada passada (21,9 milhões de toneladas até 28 de fevereiro), o que pode resultar em um déficit global maior para 2024/25”, observa a analista, que segue: “Contudo, os fluxos comerciais não devem ser afetados, pois a exportação de 1 milhão de toneladas já foi permitida”.

Ainda segundo Coda, a volatilidade de preços observada na semana passada não foi causada pela divulgação do relatório da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) referente à primeira quinzena de fevereiro, mas pela antecipação do vencimento do contrato de março.

“O mercado já mostrava sinais de sobrecompra na segunda-feira, 24, o que indicava possíveis correções, agravadas por um cenário externo adverso, com queda no complexo energético e um dólar mais forte”, observa,

Ela relata que houve uma “relativa neutralidade” nas negociações da terça-feira, 25, mas o dia seguinte apresentou queda de 3,8% nos preços do açúcar. O movimento foi seguido por uma redução de 4,6% na quinta-feira, 27, quando surgiram rumores de vendas ativas por produtores brasileiros.

De acordo com a analista, a expectativa de entrega elevada do contrato de março – entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas – levantou dúvidas sobre a restrição da oferta. No fim, foram entregues 1,7 milhão de toneladas a 19,51 centavos de dólar por libra-peso, um recorde para o período, superando os 1,3 milhão de toneladas de março de 2024.

Coda ainda completou que a Hedgepoint revisou suas expectativas para a produção de açúcar da Tailândia, de 11 milhões para 10,5 milhões de toneladas, “devido a condições climáticas adversas para a moagem, o que limita as exportações em pelo menos 800 mil toneladas se comparado às estimativas iniciais e acaba por tornar o mercado mais apertado a curto prazo”.

Também de acordo com a analista, o início da safra do Centro-Sul brasileiro pode ser lento ou sofrer atrasos, oferecendo suporte ao contrato de maio. Assim, se a demanda estiver confortável em esperar a próxima safra brasileira, Coda acredita que a recuperação nos preços pode ser mais lenta.

Ela aponta que a Indonésia ainda não decidiu quando importará as 200 mil toneladas aprovadas, enquanto dados da China mostram que as importações até dezembro do ano passado caíram 36% para o açúcar; ou 24%, se incluídas estimativas de xarope e contrabando.