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Energias fósseis terão participação relevante na matriz mundial até 2050, prevê IEA

World Energy Outlook indica que fontes renováveis terão um papel central na descarbonização da economia global, mas os fósseis terão lugar na matriz energética até 2050

EPBR 5 min de leitura

Lançado nesta quarta, 13, o World Energy Outlook 2021 (WEO) indica que a eletrificação com renováveis terá um papel central na descarbonização da economia global, mas os combustíveis fósseis – óleo, gás e carvão – terão lugar na matriz energética até 2050.

“A eletrificação limpa é um elemento central em todos os cenários deste relatório, mas não é possível eletrificar tudo. Mesmo no cenário net zero (NZE), a eletricidade representa menos de 50% do consumo total de energia final em 2050”, diz a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), autora do relatório.

Outro ponto levantado pela agência é o risco de descompasso entre a oferta e a demanda de energia, como resultado da “falta de sinais de investimento adequados, progresso tecnológico insuficiente, políticas mal elaboradas ou gargalos decorrentes de falta de infraestrutura”.

De acordo com as estimativas, a participação dos combustíveis fósseis na matriz, que permaneceu em torno de 80% ao longo de várias décadas, pode diminuir para cerca de 50% em 2050 no cenário de promessas anunciadas (APS) ou cair para pouco mais de 20% no NZE.

Em setembro, um mês antes do lançamento do WEO, um grupo de mais de 150 organizações da sociedade civil de todo o mundo enviou uma carta aberta ao diretor da IEA, pedindo para colocar a ambição de 1,5 °C no centro das análises.

Em resposta, o documento da IEA traz o capítulo “Mantendo a porta de 1,5 °C aberta”, onde ressalta que as promessas anunciadas e as atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, em inglês) fecham menos de 20% da lacuna em 2030 entre o cenário de políticas declaradas (Steps) e o NZE.

“As emissões adicionais de 12 Gt CO2 precisam ser reduzidas em 2030 para colocar o mundo no caminho certo para o NZE, e isso precisa ser acompanhado por reduções de quase 90 milhões de toneladas nas emissões de metano das operações de combustível fóssil (equivalente a outras 2,7 Gt de emissões de CO2)”.

A agência elenca quatro principais prioridades de ação para fechar essa lacuna na próxima década e preparar o terreno para uma redução rápida das emissões após 2030: fornecer uma onda de eletrificação limpa; aproveitar todo o potencial da eficiência energética; impedir vazamentos de metano de operações de combustível fóssil; e impulsionar a inovação em energia limpa.

Críticas

No ano passado, organizações científicas e financeiras apontaram um desalinhamento dos cenários desenhados pela IEA com as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e a supervalorização do papel dos combustíveis fósseis e da energia nuclear.

Uma das críticas partiu de um estudo da University of Technology Sydney, na Austrália, sobre o otimismo exagerado em relação aos mecanismos de captura e armazenamento de carbono (CCS), que teria a finalidade de prolongar a vida dos combustíveis fósseis.

Petróleo

Pela primeira vez, a demanda de petróleo trazida pelo WEO mostra eventual recuo em todos os cenários do relatório, embora a variação de tempo e nitidez da queda seja ampla.

No Steps (menos ambicioso), a demanda se estabiliza em 104 milhões de barris por dia em meados de 2030 e, em seguida, diminui ligeiramente até 2050.

O uso de derivados de petróleo no transporte rodoviário aumenta em cerca de 6 mb/d até 2030, com um aumento particularmente acentuado em 2021. Na aviação, navegação e petroquímica, esse crescimento é estimado em 8 mb/d, aproximadamente.

Já no NZE (o melhor cenário), a demanda por petróleo cai para 72 mb/d em 2030 e para 24 mb/d em 2050.

Isso leva em conta a perspectiva de que, em 2030, 60% de todos os carros de passageiros vendidos globalmente serão elétricos e não haverá vendas de carros novos movidos a combustível fóssil depois de 2035.

A petroquímica será a única área com aumento na demanda, representando 55% de todo o petróleo consumido globalmente em 2050.

Gás natural

A demanda aumenta em todos os cenários do WEO nos próximos cinco anos, mas é sujeita a muitos fatores que afetam em que medida e por quanto tempo o gás natural pode manter um lugar na matriz energética. As perspectivas estão longe de ser uniformes nos diferentes países e regiões.

No Steps, a demanda de gás natural cresce para cerca de 4,5 trilhões de metros cúbicos em 2030 (15% maior do que em 2020) e para 5,1 trilhões em 2050.

O uso na indústria e no setor de energia aumenta até 2050, e o gás natural continua a ser a opção padrão para aquecimento.

No NZE, a demanda cai drasticamente a partir de 2025, e fica em 1,75 trilhões de m³ em 2050. Mais de 50% da demanda neste cenário virá da produção de hidrogênio, e 70% do uso do gás será em instalações equipadas com sistemas de captura, armazenamento e uso de carbono (CCUS).

Carvão

Segundo o WEO, todos os cenários estimam declínio para o uso de carvão. Entretanto, na tendência que analisa as políticas atuais, a demanda continua crescendo até 2025, para só então começar um lento declínio até 2050 – cerca de 25% menor do que em 2020.

“Entre 2025 e 2030, a demanda total de carvão na China começa a cair e há grandes reduções no carvão uso em economias avançadas, principalmente como resultado da menor demanda no setor de energia”, analisa.

No NZE, a demanda global de carvão cai 55% até 2030 e 90% até 2050; em 2050, 80% da pequena quantidade restante de carvão ainda em uso estará equipada com CCUS.

Nayara Machado

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