NovaCana

Energia mais cara impulsiona alta da inflação na Alemanha

Conflito no Golfo fez saltar o preço dos combustíveis, enquanto seca no Reno e calor extremo impõem aumento dos custos para a indústria

Deutsche Welle 3 min de leitura

A inflação na Alemanha bateu 2,8% em julho, em comparação a 2,3% no mês anterior, puxada por uma forte alta dos preços da energia. O salto se deu após o fim de um programa de redução temporária dos impostos sobre os combustíveis, disse nesta quarta-feira, 12, o Departamento Federal de Estatísticas.

“Os preços da energia continuaram a subir acima da média e permaneceram como o principal fator impulsionador da inflação”, afirmou a presidente do departamento, Ruth Brand. Os estatísticos do órgão calcularam que, para o bolso do consumidor, o aumento dos preços foi de 0,8% entre junho e julho.

Para os especialistas, a inflação poderá aumentar ainda mais nos próximos meses. O conflito entre Estados Unidos e Irã continua sem solução, e as esperanças de reabertura do Estreito de Ormuz foram frustradas, ao menos por enquanto, o que tende a aumentar o preço dos combustíveis.

A hidrovia estratégica para o comércio global de petróleo e gás está praticamente bloqueada desde que começou a guerra EUA-Israel-Irã no fim de fevereiro. Uma economia como a da Alemanha, fortemente dependente da importação de matérias-primas, sente o impacto de forma particularmente aguda.

Aumento dos custos para empresas

Em maio e junho, o governo havia reduzido a pressão inflacionária com um corte de pouco menos de 0,17 euro (R$ 1,02) por litro nos impostos sobre gasolina e diesel. Em abril, o choque nos preços do petróleo levara o índice a 2,9%, o maior nível desde janeiro de 2024.

Mas, em julho, os consumidores pagaram 8,3% mais por combustíveis e aquecimento do que no mesmo mês do ano anterior, ante uma alta de apenas 3,4% registrada em junho. Preços da gasolina acima de 2 euros (R$ 11,98) por litro voltaram a ser a regra nos postos em todo o país.

As condições de seca podem elevar os preços dos combustíveis ainda mais em algumas regiões. Os baixos níveis de água em importantes rotas de transporte, como o rio Reno, estão aumentando significativamente os custos logísticos para combustíveis e determinados produtos intermediários.

Se a energia não ficar mais barata em breve, os preços dos alimentos também poderão acelerar. Transporte, refrigeração e armazenagem estão mais caros atualmente, e economistas esperam que esse aumento seja repassado aos consumidores nos supermercados. Além disso, ondas de calor e seca estão afetando a agricultura e podem reduzir as colheitas.

Caso a inflação suba de forma muito acentuada, o Banco Central Europeu (BCE) poderá de novo elevar a taxa básica de juros. Em junho, já ocorreu o primeiro aumento em três anos.

Compartilhar: