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Energia da cana precisa de retrofit, mas exigência de garantias adicionais prejudica usinas

bioeletricidade 240915Para as usinas de açúcar e etanol que apostaram na geração de energia elétrica há alguns anos, o retrofit passa a se tornar uma necessidade

- NovaCana - 5 min de leitura

A tecnologia avança, equipamentos antigos precisam de substituição, o mercado pede por um rendimento maior. Para as usinas de açúcar e etanol que apostaram na geração de energia elétrica há alguns anos, o retrofit passa a se tornar uma necessidade. O termo envolve, principalmente, a substituição de caldeiras e tubos geradores que são ineficientes dentro das atuais necessidades das empresas.

A demanda não é uma novidade no setor sucroenergético, mas ela está cada vez mais em evidência. No início do mês, executivos do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise BR) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) conversaram sobre a proposta da indústria de base para implantação de financiamento para retrofit.

O apelo é para a criação de uma linha de crédito específica para as usinas de cana-de-açúcar que precisam dessa atualização, pois as opções de crédito atualmente disponíveis beneficiam novos equipamentos.

Conheças as dificuldades enfrentadas pelas empresas que buscam financiamento para retrofit.

A tecnologia avança, equipamentos antigos precisam de substituição, o mercado pede por um rendimento maior. Para as usinas de açúcar e etanol que apostaram na geração de energia elétrica há alguns anos, o retrofit passa a se tornar uma necessidade. O termo envolve, principalmente, a substituição de caldeiras e tubos geradores que são ineficientes dentro das atuais necessidades das empresas.

A demanda não é uma novidade no setor sucroenergético, mas ela está cada vez mais em evidência. Em agosto, o retrofit entrou em pauta quando a empresária e vice-presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise BR), Maria Conceição Ferreira Turini, entregou ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, uma proposta de implantação do projeto de retrofit.

O apelo era para a criação de uma linha de crédito específica para as usinas de cana-de-açúcar que precisam dessa atualização, pois as opções de crédito atualmente disponíveis beneficiam novos equipamentos. Segundo Maria Conceição, os recursos serão destinados para modernização das plantas, aumento da eficiência das caldeiras e, consequentemente, ampliação da oferta de energia.

Diálogo com o BNDES

Segundo as informações divulgadas pelo Ceise BR, a demanda para estes investimentos para cada usina varia de R$ 10 milhões a R$ 100 milhões, em média. Para chegar a esses valores de recursos, no entanto, seria necessário um maior acesso aos programas do BNDES.

Embora atualmente o BNDES já ofereça, dentro da linha específica para eficiência energética, a possibilidade de financiamento para empreendimentos de retrofit, a exigência de garantias adicionais se tornou um dos maiores entraves. Afinal, com a grave crise no setor, a maioria das unidades produtoras está financeiramente comprometida

Dessa forma, foi alegado ao BNDES que é necessária uma flexibilização do crédito, além da criação de um Fundo Garantidor de Investimentos e a consideração de garantias do fluxo de caixa dos recebíveis como, por exemplo, a própria venda da energia para a rede.

Por sua vez, a equipe do BNDES se comprometeu a encaminhar os apontamentos da reunião para uma discussão mais técnica e ampliada.

Garantias adicionais

O presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Torquato Junqueira Franco toca no ponto fraco do retrofit: o fato de que a maior parte das usinas não consegue se enquadrar nos programas de financiamento devido à exigência de garantias adicionais. “O financiamento da energia elétrica de biomassa deveria ter como garantia os contratos e os equipamentos, de modo a não ser preciso ter garantia adicional”, aponta.

Além disso, segundo ele, as linhas de crédito atualmente disponíveis não apresentam nem prazo e nem taxas de juros adequados para o financiamento. “O valor dessa energia, que seria a energia do leilão, precisa remunerar os investimentos. É uma combinação: você tem o valor do investimento, o prazo para amortizar o financiamento e a taxa de juros que vai incidir sobre esse financiamento”, explica.

Retrofit como solução energética

Segundo o Ceise BR, as ações propostas ao BNDES podem beneficiar tanto usinas quanto indústrias, pois quem produz tecnologia e inovação são as fabricantes de máquinas, equipamentos e sistemas para as unidades.

Para Junqueira Franco, iniciativas como a do Ceise BR são essenciais. “O retrofit pode ser uma solução para o Brasil”, afirma, e completa: “Você gera uma agregação de valor na cadeia de produção que é muito importante para o setor, além de, o que talvez seja o aspecto mais importante, gerar um volume de encomendas para a indústria de bens de capital, que desenvolveu uma tecnologia nacional”.

De acordo com ele, o setor de cana-de-açúcar poderia contribuir mais na matriz de energia. “Nós poderíamos abastecer, hoje, em torno de 18% a 20% de todo o consumo de energia elétrica do Brasil, mas o que atendemos passa muito pouco de 3%”, lamenta.

Renata Bossle – NovaCana

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