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Endividamento intensifica e Standard & Poor’s rebaixa ratings da USJ

usj okA sucroenergética situada em Araras (SP) teve as notas rebaixadas para ‘B+’ na escala global e para ‘brBBB-’ na escala nacional

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A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) anunciou o rebaixamento dos ratings da USJ Açúcar e Álcool S/A em razão do maior endividamento da companhia. A sucroenergética situada em Araras (SP) teve as notas rebaixadas de ‘BB-’ para ‘B+’ na escala global e de ‘brA-’ para ‘brBBB-’ na escala nacional.

Numa análise dura, a S&P levantou os diversos riscos por que passa um dos grupos mais tradicionais do setor.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) anunciou o rebaixamento dos ratings da USJ Açúcar e Álcool S/A em razão do maior endividamento da companhia. A sucroenergética situada em Araras (SP) teve as notas rebaixadas de ‘BB-’ para ‘B+’ na escala global e de ‘brA-’ para ‘brBBB-’ na escala nacional.

A S&P ainda rebaixou o rating atribuído aos bonds senior unsecured da empresa, de ‘BB-’ para ‘B+’. A perspectiva das notas da USJ se manteve negativa, o que significa o risco de um novo rebaixamento “se suas necessidades de refinanciamento e maiores investimentos resultarem em liquidez mais fraca”.

“Os preços baixos do açúcar e o menor volume de moagem de cana-de-açúcar têm impedido que a processadora brasileira de cana-de-açúcar USJ reduza seu endividamento, e esperamos que a empresa apresente uma geração de fluxo de caixa operacional livre negativa, o que lhe exigirá aumento de dívida e resultará em métricas de crédito mais fracas do que as que projetávamos anteriormente”, informou a S&P sobre a alteração.

Conforme o comunicado da agência, a seca reduziu o volume de moagem da USJ para 3,1 milhões de toneladas, uma queda de 16,2% ante a moagem anterior de 3,7 milhões de toneladas. A produtividade também sofreu queda para aproximadamente 80 toneladas de cana por hectare. Segundo a análise, os efeitos da quebra ainda serão sentidos nos próximos ciclos, com a diminuição da utilização da capacidade instalada, de 4 milhões de toneladas, tanto para a safra de 2015 quanto para a de 2016.

Com a quebra de safra somada aos preços baixos do açúcar e ao capex ainda elevado, a S&P acredita que a USJ terá uma geração de fluxo de caixa operacional livre negativa (FOCF, em inglês). Outro agravante foi um investimento em outro negócio sucroalcooleiro realizado na metade do ano. “Ao contrário de nossas premissas, a USJ realizou uma injeção de capital de R$ 60 milhões em julho de 2014 em sua joint-venture com a Cargill Inc., SJC Bioenergia S.A., o que enfraqueceu seus índices de liquidez e de alavancagem líquida”, censura a agência.

 

Perfis de risco

O perfil de risco de negócios da USJ foi avaliado como “regular” pela S&P graças às margens acima da média quando comparadas às de seus pares, em função de sua localização favorável, maior percentual de terras próprias e logística e portfólio competitivos.

Já o perfil de risco financeiro foi agravado, passando de “agressivo” para “altamente alavancado”. A avaliação se baseia no atual índice de dívida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) que vem se mantendo acima de 5 vezes. A S&P acredita que as condições incertas de preços e de produtividade poderiam impedir a USJ de reduzir sua dívida nos próximos trimestres.

A agência considera necessidades de refinanciamento da USJ na próxima safra para manter uma liquidez “adequada”, em vista de um déficit estimado em quase R$ 50 milhões no FOCF da safra atual. Desfavoravelmente ainda pesam a volatilidade nos índices de fluxo de caixa e de alavancagem da USJ durante períodos de estresse.

Mesmo assim, aponta a S&P, a liquidez “adequada” da USJ compara-se favoravelmente com a de outras empresas com um rating ‘B’. Em função disso, a agência revisou a análise de ratings comparáveis da empresa, de “neutra” para “positiva”, elevando a âncora em um degrau.

 

Liquidez

O comunicado avalia a liquidez da USJ como “adequada”. A análise se apoia nas fontes de liquidez da empresa que ao final de setembro apresentava posição de caixa de R$ 136,5 milhões e geração interna de caixa (FFO, em inglês) de aproximadamente R$ 78 milhões para os próximos 12 meses.

Entre as principais fontes estão ainda os estoques de açúcar no valor de R$ 94,3 milhões, novas emissões de dívida da companhia, realizadas após 30 de setembro, que somam R$ 84,5 milhões, e entradas de caixa referentes à venda de R$ 12 milhões em terras a serem recebidos nos próximos 12 meses.

“A USJ tem um colchão para cumprir com as cláusulas contratuais restritivas (covenants) em seus bonds, de incorrência de dívida adicional, as quais estabelecem um índice de dívida líquida sobre Ebitda (excluindo a variação cambial dos bonds e incluindo a variação do valor justo dos ativos biológicos) inferior a 3,5x. Adicionalmente, acreditamos que a empresa tem bom relacionamento com bancos, e tem sido capaz de refinanciar com sucesso sua dívida”, completa a análise.

Os principais usos de liquidez englobam o vencimentos de dívida de curto prazo que somavam R$ 145,5 milhões ao final de setembro, Capex de R$ 130 milhões e necessidades de capital de giro de R$ 9,6 milhões nos próximos 12 meses, exigências de capital de giro sazonais de R$ 75 milhões anuais e o pagamento de dividendos anuais de R$ 2 milhões.

Amanda SchArr – NovaCana

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