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Emissões de CO2 no setor de energia bateram recorde em 2022, aponta estudo

Consumo de energia primária cresceu cerca de um por cento no ano passado em relação a 2021


O Globo - Publicado: 27 Jun 2023 - 08:01

As emissões globais de dióxido de carbono do setor de energia atingiram um pico recorde no ano passado, contrariando os compromissos de Paris, alertou um estudo divulgado nesta segunda-feira, 26, destacando os “piores impactos” das mudanças climáticas. Órgão industrial global com sede no Reino Unido, o Energy Institute apresentou as principais conclusões de sua Revisão Estatística da Energia Mundial, realizada com as consultorias Kearney e KPMG.

Segundo o estudo, aumentaram “as emissões de dióxido de carbono do uso de energia, processos industriais, queima e metano”. O consumo de energia primária cresceu cerca de um por cento no ano passado em relação a 2021, ou quase três por cento em comparação com o nível pré-covid em 2019, constatou a revisão.

Os combustíveis fósseis permanecem dominantes em 82% do consumo, apesar de uma forte exibição de renováveis. Enquanto isso, as energias eólica e solar – juntas – atingiram um recorde de 12% da geração total de eletricidade, ajudadas pelo maior aumento de capacidade de ambas.

A demanda por combustível para transporte continuou a se recuperar dos níveis pré-pandêmicos, embora a China tenha se mantido “significativamente” abaixo devido ao impacto contínuo de suas restrições anteriores de Zero Covid. A presidente do Energy Institute, Juliet Davenport, alertou que o setor está indo na “direção oposta” aos objetivos do acordo de Paris.

“2022 viu alguns dos piores impactos da mudança climática – as inundações devastadoras que afetaram milhões no Paquistão, os eventos recordes de calor na Europa e na América do Norte –, mas temos que procurar notícias positivas sobre a transição energética nestes novos dados”, disse Davenport. “Apesar do forte crescimento da energia eólica e solar no setor de energia, as emissões globais de gases de efeito estufa relacionadas à energia aumentaram novamente. Ainda estamos caminhando na direção oposta à exigida pelo Acordo de Paris”.

Sob o acordo de Paris, de 2015, as nações se comprometeram a atingir emissões líquidas zero de carbono até meados do século, com o objetivo de limitar o aumento das temperaturas globais a 1,5 grau em relação aos níveis pré-industriais.

O presidente do Energy Transition Institute em Kearney, Richard Forrest, acrescentou que as crescentes emissões de gases de efeito estufa reforçam “a necessidade de ação urgente para colocar o mundo no caminho certo para cumprir as metas de Paris”.

Ele observou que 2022 foi um “ano turbulento”, que viu a segurança energética no topo da agenda devido à invasão da Ucrânia pelo principal produtor russo – e à recuperação da demanda após a pandemia.