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Emissões de CO2 no setor de energia bateram recorde em 2022, aponta estudo

Consumo de energia primária cresceu cerca de um por cento no ano passado em relação a 2021

O Globo 3 min de leitura

As emissões globais de dióxido de carbono do setor de energia atingiram um pico recorde no ano passado, contrariando os compromissos de Paris, alertou um estudo divulgado nesta segunda-feira, 26, destacando os “piores impactos” das mudanças climáticas. Órgão industrial global com sede no Reino Unido, o Energy Institute apresentou as principais conclusões de sua Revisão Estatística da Energia Mundial, realizada com as consultorias Kearney e KPMG.

Segundo o estudo, aumentaram “as emissões de dióxido de carbono do uso de energia, processos industriais, queima e metano”. O consumo de energia primária cresceu cerca de um por cento no ano passado em relação a 2021, ou quase três por cento em comparação com o nível pré-covid em 2019, constatou a revisão.

Os combustíveis fósseis permanecem dominantes em 82% do consumo, apesar de uma forte exibição de renováveis. Enquanto isso, as energias eólica e solar – juntas – atingiram um recorde de 12% da geração total de eletricidade, ajudadas pelo maior aumento de capacidade de ambas.

A demanda por combustível para transporte continuou a se recuperar dos níveis pré-pandêmicos, embora a China tenha se mantido “significativamente” abaixo devido ao impacto contínuo de suas restrições anteriores de Zero Covid. A presidente do Energy Institute, Juliet Davenport, alertou que o setor está indo na “direção oposta” aos objetivos do acordo de Paris.

“2022 viu alguns dos piores impactos da mudança climática – as inundações devastadoras que afetaram milhões no Paquistão, os eventos recordes de calor na Europa e na América do Norte –, mas temos que procurar notícias positivas sobre a transição energética nestes novos dados”, disse Davenport. “Apesar do forte crescimento da energia eólica e solar no setor de energia, as emissões globais de gases de efeito estufa relacionadas à energia aumentaram novamente. Ainda estamos caminhando na direção oposta à exigida pelo Acordo de Paris”.

Sob o acordo de Paris, de 2015, as nações se comprometeram a atingir emissões líquidas zero de carbono até meados do século, com o objetivo de limitar o aumento das temperaturas globais a 1,5 grau em relação aos níveis pré-industriais.

O presidente do Energy Transition Institute em Kearney, Richard Forrest, acrescentou que as crescentes emissões de gases de efeito estufa reforçam “a necessidade de ação urgente para colocar o mundo no caminho certo para cumprir as metas de Paris”.

Ele observou que 2022 foi um “ano turbulento”, que viu a segurança energética no topo da agenda devido à invasão da Ucrânia pelo principal produtor russo – e à recuperação da demanda após a pandemia.

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