Mesmo com a nova temporada de cana-de-açúcar oficialmente aberta, as emissões de créditos de descarbonização (CBios) pelas usinas certificadas no programa RenovaBio desaceleraram na primeira quinzena de abril. No período, 639,08 mil créditos foram emitidos, uma queda de 14,1% em relação aos 743,92 mil CBios do mesmo período de 2022.
No acumulado de 2023, por sua vez, a geração de créditos soma 9,2 milhões, alta de 21,4% ante os 7,58 milhões observados um ano antes.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de créditos realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.

Considerando desde o começo de 2022, as produtoras de biocombustíveis já colocaram em circulação 40,42 milhões de CBios.
O montante ultrapassa em 12,4% a meta estabelecida para 2022, de 35,98 milhões de créditos, que deverá ser comprovada até setembro de 2023, de acordo com decreto do Ministério de Minas e Energia (MME).
Já as obrigações de 2023, de 37,47 milhões de CBios, deverão ser entregues até março do próximo ano.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel.
Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do RenovaBio até o momento, o total de CBios já chega a 89,81 milhões de créditos.

Na primeira metade de abril, os valores dos créditos de descarbonização apresentaram uma leve retração. Conforme cálculos realizados pelo NovaCana a partir de dados da B3, os papéis foram negociados, em média, a R$ 95,04. O preço está 1,8% abaixo do visto na primeira quinzena de março, de R$ 96,79.
Esta é a terceira retração consecutiva na média quinzenal. Ainda assim, o valor está em linha com a média do ano, de R$ 94,88. Por outro lado, ele está 26,3% acima da média histórica do programa, de R$ 75,24.

Na quinzena, os CBios foram comercializados entre R$ 93,05 e R$ 97,50. O preço mais alto foi registrado em 4 de abril, enquanto o mais baixo apareceu nos dias 5 e 11.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 209,50.

De acordo com a B3, 1,12 milhão de créditos foram negociados na primeira quinzena de abril. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram negociados 3,28 milhões de créditos, houve um decréscimo de 192,8%.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a entidade.
Além disso, a B3 afirmou ao NovaCana que as negociações a termo dos créditos já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
No dia 17 de abril, a B3 iniciou a sessão com 25,02 milhões de créditos em circulação. Do total, 65,6%, ou 16,42 milhões de títulos, estavam com as distribuidoras com metas a cumprir. As usinas certificadas detinham 7,78 milhões, 31,1% do montante. Por fim, 819,61 mil estão com investidores sem metas (3,3%).

De janeiro até metade de abril, 8,94 milhões de créditos foram aposentados, com 389,11 mil saindo de circulação na última quinzena. No acumulado desde 1º de janeiro de 2022, por sua vez, o volume alcança os 25,77 milhões.
Desta forma, o equivalente a 71,6% da meta de 2022 foi realmente atingido até o momento.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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