Nos primeiros quinze dias de março, as emissões dos créditos de descarbonização pelas usinas certificadas no programa RenovaBio caíram. O movimento pode ser justificado por um desaquecimento no mercado de etanol, uma vez que é a comercialização que proporciona a geração de títulos.
No período, foram escriturados 799,35 mil CBios, o que representa uma queda anual de 27,3% ante os 1,1 milhão de créditos vistos na primeira quinzena de março de 2022.
Contando todos os papéis emitidos desde o começo do ano passado, 37,82 milhões de CBios já foram colocados em circulação. O montante ultrapassa em 5,1% a meta estabelecida para 2022, de 35,98 milhões de créditos, que deverá ser comprovada até setembro de 2023, de acordo com decreto do Ministério de Minas e Energia (MME).

Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de créditos realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.
Considerando também estoques de anos anteriores, o total de créditos disponibilizados ao mercado desde 1º de janeiro de 2022 sobe para 48,24 milhões, o que ultrapassaria a meta anual de 2022 em 34,1%.
Por sua vez, as obrigações de 2023, que somam 37,47 milhões de CBios, deverão ser entregues até março do próximo ano.
Especificamente neste ano, a geração de créditos soma 6,59 milhões, alta de 26,4% ante os 5,22 milhões observados um ano antes.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel.
Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do RenovaBio até o momento, o total de CBios já chega a 87,2 milhões de créditos.

Os preços dos CBios apresentaram uma retração na primeira quinzena de março. No período, os papéis foram negociados entre R$ 100,50, no começo do mês, e R$ 96,33, no dia 9.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 209,50.

De acordo com cálculos realizados pelo NovaCana a partir de dados da B3, os papéis foram negociados, em média, a R$ 98,61 na quinzena. O valor está 1,7% abaixo do visto na segunda quinzena de fevereiro, de R$ 100,36.
Esta é a primeira retração no valor médio desde a primeira quinzena de dezembro.
O valor também é 11,7% inferior à média de 2022, de R$ 111,63. Por outro lado, ele está 32,2% acima da média histórica do programa, de R$ 74,59.

De acordo com a B3, 2,97 milhões de CBios foram negociados nos 15 primeiros dias de março. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram negociados 2 milhões de créditos, houve um acréscimo de 32,7%.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a entidade.
No dia 16 de março, a B3 iniciou a sessão com 25,97 milhões de créditos em circulação. Do total, 67,7%, ou 17,57 milhões de títulos, estavam com as distribuidoras com metas a cumprir. As usinas certificadas detinham 7,61 milhões, 29,3% do montante. Por fim, 792,27 mil estão com investidores sem metas (3,1%).

Até a metade de março, 5,44 milhões de créditos foram aposentados, com 1,4 milhão saindo de circulação na última quinzena. No acumulado desde 1º de janeiro de 2022, por sua vez, o volume alcança os 22,26 milhões.
Desta forma, o equivalente a 61,9% da meta de 2022 foi realmente atingido até o momento.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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