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Em 2015, cinco novas usinas foram autorizadas pela ANP e cinco projetos aguardam liberação

tropical bioenergia bp edeia go - aereaEm um ano cuja previsão é se encerrar com até dez usinas produtoras de etanol com as portas cerradas a construção de usinas para a produção do biocombustível pode parecer algo contraditório

- NovaCana - 7 min de leitura

Em um ano cuja previsão é se encerrar com até dez usinas produtoras de etanol com as portas cerradas, a informação de que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou, no primeiro semestre deste ano, a construção de três usinas para a produção do biocombustível e a operação de duas novas usinas pode parecer algo contraditório.

É consenso entre os principais players do mercado que a falta de políticas públicas claras que estabeleçam a possibilidade de um horizonte de confiança a longo prazo para o setor estancou o ânimo e a intenção do investidor e do empresariado em novos investimentos.

Pesos pesados e analistas do segmento são tachativos ao confirmar que não há, até que o cenário seja alterado pela adoção de práticas governamentais de incentivo à produção do etanol, condições de retomada dos investimentos no negócio sucroalcooleiro.

Ainda assim novas cinco novas usinas surgiram no primeiro semestre (duas ainda em construção e três que iniciaram as operações neste ano). A explicação para este contraste pode ser percebida analisando as empresas e usinas por trás das autorizações da ANP.

Veja a seguir quais são, onde estão e os detalhes destas cinco novas usinas autorizadas, informações sobre as quatro unidades ampliadas, sobre as quatro usinas que tiveram a autorização da ANP cancelada e sobre os projetos de novas usinas que ainda estão em análise no governo.

Em um ano cuja previsão é se encerrar com até dez usinas produtoras de etanol com as portas cerradas, a informação de que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou, no primeiro semestre deste ano, a construção de três usinas para a produção do combustível e a operação de duas novas usinas pode parecer algo contraditório. 

É consenso entre os principais players do mercado que a falta de políticas públicas claras que estabeleçam a possibilidade de um horizonte de confiança a longo prazo para o setor estancou o ânimo e a intenção do investidor e do empresariado em novos investimentos.
Pesos pesados e analistas do segmento são taxativos ao confirmar que não há, até que o cenário seja alterado pela adoção de práticas governamentais de incentivo à produção do etanol, condições de retomada dos investimentos no negócio sucroalcooleiro.

A previsão da Unica é a de que, só neste ano, dez empresas podem fechar as portas. Ainda segunda a entidade, cerca de 80 usinas já encerraram as atividades. Atualmente, são 67 unidades em recuperação judicial, considerando as ainda em operação e as inativas.

Em boletim divulgado neste mês, porém, a ANP lembrou que emitiu três autorizações para a construção de novas plantas produtoras de etanol e autorizou três unidades a operarem (cinco no total, pois uma empresa recebeu a autorização de construção e, depois, o aval de operação). A ANP mostrou também que outras cinco usinas entraram com pedido para serem construídas.

A agência revelou ainda que estão em avaliação 24 solicitações referentes a ampliação de capacidade e oito para operação de usinas já existentes. Estas oito envolvem usinas que ainda não foram ratificadas, ou seja, existem e encontram-se sem o aval da ANP.

Hoje, 382 plantas produtoras de etanol possuem autorização da ANP. Somadas, têm capacidade para a produção de 205,7 milhões de etanol hidratado por dia e outros 108,76 milhões diários de etanol anidro. A cana-de-açúcar é a matéria prima de 97,1% dessas unidades.

A explicação para o contraste entre a crise de investimentos e estas cinco novas unidades está no perfil das unidades. Três delas são micro usinas. Uma já existia, mas depois da falência e reestruturação industrial precisou de uma nova autorização. A última levou sete anos para sair do papel, pois foi anunciada em 2008. Os detalhes destas usinas estão apresentados abaixo.

Já sobre as cinco unidades que aguardam construção, a agência não divulga qualquer informação adicional que permita sua identificação. No entanto, no início do ano, o NovaCana descobriu dois destes projetos e no momento um deles está parado aguardando melhora do mercado e o outro foi abandonado (mais detalhes sobre estas usinas na reportagem “Cinco usinas de etanol aguardam autorização da ANP para construção”). 

Instalação de unidades

Entre as novas usinas instaladas no primeiro semestre, a principal foi a Santa Vitória Açúcar e Álcool, em Minas Gerais, com capacidade de 1,2 milhão de litros diários de etanol hidratado. A usina pertence à joint venture formada pela norte-americana Dow Chemical e japonesa Mitsui.

Outro projeto com autorização para construção é da empresa Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), em Campos Dos Goytacazes. Apesar da liberação para construção, trata-se da reforma de uma usina antiga, a Sapucaia, que estava desativada há cinco anos por estar em recuperação judicial desde 2010.

Segundo explicou o presidente da companhia, Frederico Paes, ao NovaCana em fevereiro deste ano, legalmente ela está sendo considerada como uma nova usina, uma vez que a reativação da unidade demanda muitas reformas e adequações.

Com a desativação da antiga unidade, que no começo do mês teve cancelada a autorização para a produção de etanol, a Coagro muda de endereço, e passa a operar na unidade de Sapucaia, com o aval da ANP para a produção de 600 mil litros diários de etanol hidratado.

A terceira a receber autorização para a construção foi a Santa Clara Álcool de Cereais. A pequena destilaria, em Vera, Mato Grosso, tem capacidade de 27 mil litros diários de etanol hidratado, a partir das matérias-primas milho, sorgo e arroz.

Licença para operação

Após a autorização de construção, as unidades precisam de um novo aval da ANP para, então, colocar a indústria em funcionamento. Entre as obras habilitadas este ano, somente a unidade Santa Vitória Açúcar e Álcool, resultado de uma joint venture entre a Dow Chemical Company e a Mitsui, já está operando.

A fabricação de etanol pela unidade foi permitida em 10 de junho. Localizada em Santa Vitória (MG), a usina foi autorizada a produzir apenas etanol hidratado e conta com capacidade máxima de 1,2 milhão de litros diários.

Além disso, a ANP concedeu mais duas autorizações para o início das operações de novas destilarias, ambas de pequena escala de produção.

Foi liberado o funcionamento da pequena destilaria Canex Bioenergia, no Rio Grande do Sul, com capacidade diária de mil litros de etanol hidratado, utilizando farinha de arroz como matéria prima, e da Destilaria Buriti, em Mato Grosso, com capacidade para a produção de 30 mil litros por dia de etanol hidratado.

Quatro ampliações

Outras quatro empresas ampliaram a capacidade no primeiro semestre e foram autorizadas a operar com a nova capacidade: a Clealco Açúcar e Álcool, em São Paulo, passa a produzir 500 mil litros diários de etanol anidro, além dos 500 mil litros de hidratado que a empresa já possuía.

Caso semelhante ocorre com a Usina Alto Alegre — Unidade Santo Inácio, no Paraná. A usina, que tinha capacidade autorizada de produção de 700 mil litros de hidratado, recebeu autorização para a produção de anidro no mesmo volume.

A Central Itumbiara de Bioenergia e Alimentos da BP, em Goiás, ampliou para 800 mil litros diários a capacidade de produção de etanol anidro, o dobro dos 400 mil litros instalados anteriormente. O potencial para produção de etanol hidratado foi mantido em 600 mil litros por dia

Já a Usina Tropical, também da BP, em Minas Gerais, passou a ter autorização para fabricar 1,6 milhão de litros de anidro e 1,4 milhão de llitros de hidratado, ante a capacidade original de, respectivamente, 400 mil e 600 mil litros diários.

Cancelamentos

O boletim da agência confirmou ainda o cancelamento de autorização para a produção de etanol de quatro unidades da Laginha Agroindustrial: as usinas Trialcool e Vale do Paranaíba, ambas em Minas Gerais, e as usinas Guaxuma e Laginha, essas duas em Alagoas. A decisão foi publicada no dia 28 de maio no Diário Oficial da União, conforme já noticiado à época pelo NovaCana.

A empresa, do ex-deputado federal alagoano João Lyra, teve a falência decretada em 2008, e tem dívidas estimadas em mais de R$ 2 bilhões.

Filipe Albuquerque — NovaCana

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