Executivos de grandes petroleiras internacionais que atuam no Brasil não estão preocupados com o resultado das eleições presidenciais no país e ressaltaram que, independentemente do novo mandatário, pretendem manter seus portfólios de investimentos na nação sul-americana.
No próximo domingo, os brasileiros vão às urnas para a escolha do novo presidente em uma disputa polarizada entre o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O CEO da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, destacou durante a feira Rio Oil & Gas que a empresa está há mais de um século no Brasil e tem planos de longo prazo.
“A Shell investe no país e está presente há mais de cem anos. Nossa indústria é de longo prazo e a gente olha para investimentos com ciclos muito mais longos”, disse ele a jornalistas. “Nesses últimos anos houve diversos governos no país e a gente trabalhou com eles. A gente não toma decisões no que está para acontecer nas próximas semanas e anos”, acrescentou.
O executivo disse ainda ser favorável ao modelo de concessão para a produção e exploração de óleo e gás no país no pré-sal, em vez do atual, de partilha.
A diretora global de Upstream da Shell, Zoe Vujnovich, reforçou que a empresa está comprometida com o Brasil. “Estamos aqui há tanto tempo e conseguimos trabalhar com todas as posições políticas. O que se espera sempre é que sejam criadas oportunidades para produzir e gerar impostos. Isso é fundamental. Qualquer que seja o partido que assuma, saberá o papel importante do setor de óleo e gás”, afirmou ela.
A Shell produz atualmente cerca de 400 mil barris ao dia em óleo equivalente e tem projetos na área de renováveis e outras fontes de energia no Brasil. A companhia é parceira da Cosan na joint venture Raízen, gigante do setor de etanol, açúcar e combustíveis.
Já a portuguesa Galp pretende investir US$ 5 bilhões no país nos próximos anos em óleo e gás, energia e renováveis, reiterou o CEO da empresa, Andy Brown. Ele destacou a relevância do Brasil para os negócios da empresa.
“Estamos aqui há anos e, realmente, nós acreditamos na estabilidade no Brasil e no ambiente fiscal e regulatório. O Brasil é um grande atrativo de investimentos para preservar o clima e transição energética”, afirmou Brown.
Rodrigo Viga Gaier