Cana: Safra / Moagem

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El Niño volta em 2026 e deve ser mais forte, afirma Climatempo

De acordo com a empresa de meteorologia, são esperados temporais severos, mas também ondas de calor “amplas, frequentes, longas e intensas” em grande parte do interior do país


Climatempo - Publicado: 11 Fev 2026 - 15:47

Os efeitos do El Niño, que retorna em 2026, devem começar a se manifestar já partir de maio e se intensificar ao longo do ano, conforme mostram as análises climáticas mais recentes. Dados da Climatempo apontam para um fenômeno climático de consequências similares às de 2023, o que pode provocar temporais severos, mas também fortes e frequentes ondas de calor em diversas regiões do interior do Brasil.

“Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado e a expectava é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma o meteorologista Vinicius Lucyrio. “As projeções oficiais mais recentes da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) já indicam probabilidade maior de um El Niño moderado ou mais intenso para o período agosto, setembro e outubro. Normalmente o pico costuma ser entre novembro e janeiro”.

Lucyrio destaca que uma das maiores preocupações com El Niño é o aumento dos eventos de temporais severos, por conta do ar e do oceano mais quentes. O meteorologista lembra que os dois anos mais quentes já registrados no planeta Terra – 2023 e 2024 – foram marcados pela influência de um forte El Niño, quando esses incidentes climáticos foram mais frequentes.

O El Niño, decorrente do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, deixa o ar mais quente e faz com que a chuva ocorra de forma irregular na maior parte do país, ao mesmo tempo que aumenta as chuvas no Rio Grande do Sul e reduz no extremo norte brasileiro, onde a Amazônia e Nordeste ficam mais propensos a seca severa.

Ondas de calor

Análises da Climatempo indicam que o período mais frio este ano deve ter um maior número de incursões de ar frio com maior abrangência sobre o Brasil restrito aos meses de maio e junho, mas essa chance diminui gradualmente a partir de julho com o desenvolvimento mais consistente do El Niño e o acoplamento das condições oceânicas com a atmosfera.

“A tendência é termos extremos de calor e tempo seco a partir do final do inverno e a primavera de 2026. Isto mostra uma certa similaridade com as condições de 2023, no sentido de que poderemos ter grandes, frequentes, longas e intensas ondas de calor em grande parte do interior do país”, explica o meteorologista.

Em contrapartida, o Sul do país fica mais tempestuoso e mais nublado já no inverno. De acordo com Lucyrio, os eventos de chuva abrangente, com risco de enchentes, além dos fortes temporais e Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs) tendem a aumentar expressivamente na primavera. Parte desta instabilidade da região Sul poderá ser sentida também nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.

As previsões apontam ainda que a cheia dos rios na Amazônia em 2026 deve ser maior do que a do ano passado, seguida por um período de vazante muito mais acentuado. “Entretanto, ainda não dá para afirmar se isso vai comprometer a navegabilidade dos rios da região. É bem provável que tenhamos longos e fortes períodos de calor e tempo seco por lá”, avalia.

De acordo com Vinicius Lucyrio, é possível que o início do próximo período úmido “engane” em algumas regiões. “Poderemos ter algumas pancadas de chuva atípicas entre agosto e setembro no Brasil Central, no sudeste do Pará, em Minas Gerais, em São Paulo e no interior nordestino. Mas isso não indicará o retorno da chuva, e muito menos a regularidade”, afirma.

Segundo o meteorologista da Climatempo, “o começo do próximo período de chuvas deve ter um padrão muito irregular e insuficiente para repor a umidade do solo e dos reservatórios, o que pode levar a problemas de abastecimento, geração de energia hidrelétrica e instalação de algumas culturas”.