O fenômeno climático El Niño deve se estender até o primeiro semestre de 2016, afirmou o Departamento de Meteorologia da Austrália nesta terça-feira. Com isso, agricultores em todo o mundo devem continuar enfrentando condições climáticas atípicas.
Modelos climáticos internacionais sugerem que o El Niño está se aproximando de seu pico e que irá perder força no primeiro trimestre do próximo ano, mas a agência australiana disse que a temperatura das águas do Oceano Pacífico não deve voltar ao normal até o início do outono no Hemisfério Sul, em março.
O El Niño ocorre quando os ventos na região equatorial do Pacífico se desaceleram ou invertem a direção. Isso aquece as águas superficiais em uma vasta área, o que pode modificar os padrões climático ao redor do mundo. A severidade do fenômeno é medida pela temperatura do oceano e pela mudança nos ventos.
O fenômeno climático pode causar secas severas em partes do Sudeste Asiático e inundações na América do Sul. Além disso, as condições adversas geralmente levam à escassez de alimentos em alguns dos países mais pobres do mundo.
Os futuros de várias commodities agrícolas são sustentados por temores quanto à queda na produção em virtude dos problemas com o clima. Os preços do açúcar subiram 48% nos três últimos meses, enquanto as cotações do óleo de palma avançaram 13,3% nesse período. Em outras commodities, porém, os altos estoques limitam as possíveis valorizações.
"Apesar de os preços de algumas commodities agrícolas terem sido afetados de forma moderada pelo El Niño neste ano, o fenômeno climático tem um impacto significativo na produção e no setor do agronegócio em alguns países", alertou a BMI Research, em nota.