Os dados são da Agenda Transparente, plataforma da Fiquem Sabendo para monitorar os compromissos públicos de autoridades
O governo federal computou 133 registros de compromissos sobre o El Niño desde maio, quando o Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA, na sigla em inglês) lançou o alerta para a formação do fenômeno, que deve se intensificar a partir de setembro no Brasil. Em junho, o CPC confirmou o alerta.
Os dados são da Agenda Transparente, plataforma da Fiquem Sabendo para monitorar os compromissos públicos de autoridades. A análise considera todos os registros que citam o El Niño nos campos “título” ou “pauta” dentre os compromissos que constam no histórico da plataforma, o que inclui reuniões para tratar dos impactos do El Niño anterior (2023/24) e de prevenção para o que se aproxima.
De 1º de janeiro de 2023 a 20 de agosto de 2026, 46 órgãos federais aparecem em 151 registros de agendas públicas que fazem menção ao El Niño. O destaque fica com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), presente em 33 casos, seguida pela Casa Civil, em 27, e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em 24.
A planilha também contém o nome dos participantes dos encontros. Entre as 187 autoridades listadas, nenhum ministro ou ministra aparece no ranking dos dez mais presentes em compromissos públicos sobre o El Niño. O recorde fica com o superintendente de operações e eventos críticos da ANA, Joaquim Guedes Correa Gondim Filho.
Além dos compromissos que aconteceram em 2026, os dados da Agenda Transparente também mostram 17 registros entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024.
O primeiro compromisso público envolve o Ministério da Saúde (MS) e a Agência Nacional de Águas (ANA). Representantes das duas pastas participaram do seminário internacional sobre impactos do El Niño em países do Mercosul. Um mês depois, em 18 de outubro, a ANA instalou o grupo técnico de acompanhamento dos impactos do El Niño na Região Amazônica.
Em 2025, houve uma única reunião, entre a então ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o deputado federal Paulo Guedes (PT-MG). A pauta era um crédito extraordinário para recuperar infraestrutura destruída pelo El Niño anterior.
Quando o assunto são os territórios mais mencionados, a Amazônia e o rio Madeira lideram isolados, com 16 menções. O Rio Grande do Sul, onde o El Niño de 2024 causou as enchentes históricas em maio daquele ano, aparece empatado em segundo lugar com o Nordeste, com cinco menções cada.
Adaptação climática é o tema mais recorrente na agenda do governo federal sobre El Niño, com 32 menções, seguido por energia e defesa civil e emergência. Comunicação aparece em quarto lugar no ranking, com 11 compromissos, incluindo uma reunião da Secom com influenciadores, em 10 de agosto. Não há informações sobre a pauta da reunião, o que se repete em 103 dos 151 registros.