A elevação do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% deve ampliar a demanda pelo biocombustível entre 900 milhões e 1 bilhão de litros e proporcionar maior estabilidade ao mercado, avaliou o presidente da NovaBio, Renato Cunha.
Para ele, a medida aprovada na terça-feira, 14, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), representa um avanço previsto desde a lei do Combustível do Futuro e fortalece o planejamento da cadeia produtiva.
Segundo Cunha, a mudança amplia em cerca de 6,6% o mercado potencial do etanol anidro. “O mercado cresce 6,6% em termos de possibilidade de vendas”, afirmou o presidente da NovaBio, que representa dezenas de usinas do setor sucroenergético, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.
Na avaliação do executivo, a medida garante um destino maior para a produção e melhora o fluxo financeiro das usinas. “Tem um mercado mais garantido. Terá espaço para liquidez. Se as vendas aumentam, aumenta o fluxo de caixa das empresas”, disse. “Não é um aumento de preço, é um aumento do tamanho do mercado”, acrescentou.
Para Cunha, a ampliação da mistura também contribui para equilibrar o planejamento industrial das usinas, uma vez que o anidro passa a oferecer maior previsibilidade de comercialização. “O anidro dá estabilidade. Se ele tem um mercado perene, sem oscilar muito, a usina se programa melhor”, afirmou.
Segundo ele, esse ambiente pode influenciar as decisões sobre o mix de produção entre açúcar e etanol. “Tem uma garantia de volume maior de destino da produção, o que pode estabilizar o mercado e os preços da cadeia”, observou.
O presidente da NovaBio defendeu que o aumento do teor de etanol melhora a qualidade ambiental da gasolina ao elevar sua oxigenação e reduzir a intensidade de carbono. “Você oxigena a gasolina, descarboniza e dá um upgrade de qualidade”, disse.
Em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, ele acrescentou que a medida também reforça a segurança energética ao ampliar a participação de um combustível produzido no país.
Cunha observou que a adoção do E32 cumpre parte do cronograma previsto na lei do Combustível do Futuro, que já havia autorizado testes com misturas de até 35% de etanol. “O governo cumpriu uma parte do planejamento previsto na lei. A próxima meta é chegar a 35%”, declarou.
Para a região Nordeste, o dirigente considera que a decisão chega em um momento favorável. Segundo ele, a maior demanda por anidro tende a melhorar o ritmo das vendas logo no início da moagem.
“Vamos começar a safra nova com uma expectativa de melhor cadência de vendas do etanol anidro”, comentou. Na avaliação do executivo, o maior escoamento do biocombustível também pode reduzir parte da pressão sobre o mercado de açúcar.
Apesar da avaliação positiva, Cunha ponderou que o setor ainda enfrenta dificuldades no mercado de etanol hidratado, pressionado pelo avanço da oferta, sobretudo com a expansão da produção de etanol de milho.
Segundo ele, o crescimento da produção ocorreu em ritmo superior ao consumo, reduzindo a remuneração das usinas. “O hidratado está sofrendo muito. Os níveis de preço estão baixos em relação aos custos de produção”, afirmou.
Sobre a vigência inicial de 180 dias, prorrogável por igual período, Cunha disse não ver preocupação. Para ele, o prazo permite ao governo acompanhar a evolução da oferta e da demanda sem comprometer os investimentos do setor.
“É um monitoramento importante. A regulação precisa existir, desde que não tenha um caráter antidesenvolvimentista”, concluiu.
Leandro Silveira