Milho

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Domínio de décadas do milho dos EUA desaparece à medida que Brasil se fortalece


Reuters - Publicado: 10 Jul 2023 - 08:14

O domínio das exportações de milho dos Estados Unidos está diminuindo em um mercado global cada vez mais competitivo, já que o Brasil, auxiliado por um novo acordo de fornecimento com a China, deve superar os norte-americanos apenas pela segunda vez na história nesta temporada.

Enquanto isso, o México, outro grande mercado dos EUA, está se preparando para limitar as importações de milho geneticamente modificado, que compreende mais de 90% de toda colheita norte-americana.

A erosão da participação no mercado de exportação significa problemas para a indústria de milho dos EUA, que movimenta US$ 90 bilhões, já que a demanda doméstica para alimentar criações e produzir etanol também esfriou. As lavouras da safra mais cultivada nos EUA provavelmente diminuirão nos próximos anos e, como resultado, a renda agrícola poderá sofrer, disseram analistas.

“Quando olhamos para a demanda de milho dos EUA a longo prazo, nos perguntamos de onde vem a nova demanda”, disse o estrategista global do setor de grãos e oleaginosas do Rabobank, Stephen Nicholson.

“O Brasil provavelmente está assumindo uma fatia maior do mercado global, o etanol provavelmente atingiu o pico e a proteína animal provavelmente não crescerá rápido o suficiente”, disse ele.

O fazendeiro de Illinois, Richard Guebert, está preocupado. “Precisamos de um bom mercado de exportação para o nosso milho. A tecnologia de sementes no Brasil está melhorando a cada ano. Elas não vão desaparecer”, disse ele.

A redução das exportações de milho ecoa os desafios enfrentados pela soja dos EUA há uma década, quando o Brasil aumentou a produção para atender à crescente demanda chinesa, conquistando a coroa de maior fornecedor em 2013.

O Brasil agora domina o mercado global de exportação de soja por oito meses do ano ou mais, limitando os embarques dos EUA. O Brasil também é o maior exportador mundial de carne de frango, bovina, café, açúcar e suco de laranja.

Espera-se que as exportações brasileiras de milho inundem o mercado global a partir de julho e na colheita de outono dos EUA. O Brasil pode colher duas safras de milho de seus solos tropicais a cada ano, ao contrário dos EUA.

Apesar da demanda limitada, os agricultores americanos expandiram a semeadura de milho este ano para a maior área em uma década, incentivados pelos custos mais baixos de sementes e fertilizantes e pelo bom clima de plantio, disse o governo na semana passada.

Com uma safra recorde brasileira inundando o mercado, os produtores de milho dos EUA podem ver os preços caírem.

Ainda assim, o Rabobank prevê que as plantações de milho encolherão para 88 milhões de acres nos próximos três anos, de mais de 94 milhões atualmente, disse Nicholson.

A China expandiu sua lista de instalações brasileiras de exportação de milho aprovadas no final do ano passado, iniciando os embarques do Brasil.

Antes disso, a maior parte das importações de milho da China vinha dos Estados Unidos e da Ucrânia.

“O Brasil tem a capacidade de aumentar essa área de plantio para atender à demanda chinesa de uma forma que os Estados Unidos não têm”, disse o analista sênior de grãos da consultoria Terrain, Matthew Roberts.

Brasil vencendo o jogo

Até meados de junho, as vendas de exportação de milho dos EUA para a China para embarque antes da próxima safra caíram 48% em relação ao ano anterior, mostraram dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

As importações totais de milho pela China caíram cerca de 10% este ano, segundo dados da alfândega, já que os compradores aguardam ampla oferta de milho brasileiro barato nos próximos meses.

“O Brasil está ganhando o jogo agora. Não somos competitivos em preço”, disse um trader de exportação dos EUA, citando as ofertas brasileiras do cereal que estão US$ 30 por tonelada abaixo dos preços nos portos da Costa do Golfo dos EUA.

As vendas totais de exportação de milho dos EUA em abril e maio foram as mais baixas em pelo menos 22 anos, de acordo com dados semanais de vendas de exportação do USDA. O período incluiu três semanas em que mais compras foram canceladas do que encomendadas, e as duas piores semanas de exportação de milho dos EUA já registradas.

O México tem sido um ponto brilhante para as exportações de milho dos EUA nesta temporada, com as vendas da safra de 2022 até meados de junho caindo apenas 11% em relação ao ano passado, em comparação com uma queda de 36% nas vendas ano a ano para todos os destinos, de acordo com o USDA.

Uma disputa em andamento sobre o decreto do México de proibir algumas importações de milho transgênico, no entanto, arrisca uma interrupção futura nos embarques dos EUA, disseram analistas. O país está aumentando a produção de milho em cerca de 2 milhões de toneladas, disse o Ministério da Agricultura.

As exportações de milho dos EUA no ano-safra 2022/23 que termina em 31 de agosto estão atualmente projetadas em 43,817 milhões de toneladas métricas, uma mínima em uma década, representando uma participação de 24,8% no comércio global, segundo dados do USDA.

As exportações projetadas do Brasil foram vistas em um recorde de 55 milhões de toneladas.

Esta é a segunda menor participação dos EUA no mercado global de milho já registrada, atrás apenas da temporada 2012/13, quando uma forte seca reduziu a produção e elevou os preços a níveis recordes.

Alguns analistas esperam que o USDA reduza suas perspectivas de exportação em seu próximo relatório mensal em 12 de julho.

O USDA está prevendo as exportações de milho dos EUA em 2023/24 em 53,342 milhões de toneladas, ficando atrás da previsão de 55 milhões de toneladas do Brasil.

Karl Plume