Os futuros de açúcar demerara fecharam em queda expressiva ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e devolveram boa parte dos ganhos obtidos na semana passada. Mais uma vez, o fator de pressão foi o câmbio. A avaliação no mercado é de que o dólar em alta pode fazer com que as cotações testem novamente o suporte psicológico de 10,50 cents por libra-peso hoje.
Nesta segunda-feira, a moeda norte-americana avançou 1,40%, para R$ 3,6330, com máxima no dia de R$ 3,6830, maior nível desde dezembro de 2002. Os ganhos refletiram a proposta de Orçamento de 2016 enviada ao Congresso pelo governo com perspectiva de déficit de R$ 30 bilhões.
Além do câmbio, pesou também o sentimento de que a entrega de açúcar contra a tela de outubro, que expira em 30 de setembro, será tão volumosa quanto às anteriores, indicando fraqueza do mercado físico. Só para relembrar, a entrega referente a maio de 2015 somou quase 2 milhões de toneladas e a de julho, 470 mil toneladas.
Tal percepção explica por que outubro perdeu mais que os outros contratos ontem. Outubro caiu 28 pontos (2,55%) e fechou em 10,69 cents/lb, com máxima no dia de 10,97 cents/lb (estável) e mínima de 10,56 cents/lb (menos 41 pontos). Março recuou 19 pontos (1,59%) e terminou em 11,77 cents/lb. O spread outubro/março variou de 99 para 108 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 47,12/saca, baixa de 0,28% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 12,97/saca (-1,67%).
Conforme o centro de estudos, as exportações de açúcar voltaram a remunerar mais do que a comercialização interna, após seis meses de desvantagem. De 24 a 28 de agosto os embarques renderam 4,68% mais que as vendas no spot paulista. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 47,07/saca, as cotações do contrato com vencimento em outubro na ICE Futures US equivaleriam a R$ 49,27/saca.
"O prêmio de qualidade do açúcar cristal Icumsa 150 para exportação seguiu firme e as cotações do demerara voltaram a subir na Bolsa de Nova York", explica o centro de estudos, em relatório. "Além disso, a valorização de 3% do dólar frente ao real no comparativo das duas últimas semanas também reforçou a retomada da vantagem das exportações", conclui.