A disparada do dólar ante o real jogou por terra a firmeza observada nas últimas sessões no mercado futuro de açúcar demerara. Ontem, os contratos voltaram a cair com força na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As perdas foram acentuadas por ordens automáticas de venda após o rompimento de dois importantes suportes: 14,60 cents e 14,50 cents por libra-peso. Agora, este último figura como resistência inicial, algo que não se via há quase um mês.
Participantes levam em consideração que praticamente 70% da safra 2016/17 já está fixada, mas lembram que, dadas às incertezas no câmbio, produtores tendem a aproveitar qualquer repique de alta no dólar para realizar algum hedge. Ontem, por exemplo, a moeda norte-americana disparou 1,24% e fechou em R$ 3,6855, com máxima no dia R$ 3,7130.
As condições climáticas no Centro-Sul do Brasil também têm agido como um forte fator baixista. Todos os temores relacionados às chuvas se dissiparam com a massa de ar seco que age na região. De acordo com boletim atualizado da Climatempo, o tempo aberto e as altas temperaturas devem se manter em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás pelo menos até o dia 19 de abril. As precipitações mal devem passar de 30 mm nesses Estados.
Com a movimentação, a primeira resistência passou, portanto, para os 14,50 cents/lb. Para baixo, há um suporte em 14,30 cents/lb, mínima de 2 de março. Depois, surgem os psicológicos 14 cents/lb.

Maio caiu 19 pontos (1,30%) e terminou a quinta-feira em 14,43 cents/lb, com máxima no dia de 14,72 cents/lb (mais 10 pontos) e mínima de 14,39 cents/lb (menos 23 pontos). Julho caiu 16 pontos (1,08%) e encerrou em 14,61 cents/lb. O spread maio/julho variou de 15 para 18 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a quinta-feira em R$ 76,28/saca (+0,14%). Em dólar, ficou em US$ 20,68 (-0,96%).
