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Dólar fortalecido limita ganhos do açúcar na bolsa de Nova York

acucar cristal macroO fortalecimento do dólar em relação ao real deve continuar limitando as reações positivas dos contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York. A moeda norte-americana valorizada tende a elevar a oferta do produto brasileiro no mercado internacional

Agência Estado 3 min de leitura

O fortalecimento do dólar em relação ao real deve continuar limitando as reações positivas dos contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A moeda norte-americana valorizada tende a elevar a oferta do produto brasileiro no mercado internacional, além de implicar ajuste para baixo nos preços futuros do demerara, cotado na divisa dos EUA.

O dólar rompeu ontem R$ 4,00, pela primeira vez desde a criação do Plano Real (1994). As incertezas na política e na economia do Brasil têm levado investidores a buscar proteção na moeda dos EUA. Paralelamente, fundos de investimento estrangeiro compram dólares para sair do País. O índice do dólar também subia ontem, por causa de temores com a desaceleração da economia na China.

"Os futuros de demerara recuam basicamente acompanhando a alta do dólar", disse analista da Sucden. Ele salientou, no entanto, que a alta da moeda norte-americana corresponde a uma melhor remuneração para o produtor, em reais. "Produtores com acesso a linhas de crédito têm momento oportuno para fixar preço na bolsa, garantindo uma boa margem, em reais por tonelada FOB", informou.

Ele acrescentou que usinas têm aproveitado a alta do dólar para fixar preço futuro do açúcar até para a próxima safra 2016/17, que se iniciará apenas em abril de 2016. O analista comentou que ainda não é possível estimar o volume de venda antecipada, mas "negociações pontuais são observadas no mercado".

O analista observou, ainda, que notícias sobre a Índia, divulgadas na sexta-feira passada, contribuem para uma situação de "mau humor" do mercado. O governo indiano decidiu estimular a exportação de 4 milhões de t de açúcar, a partir de outubro, por causa do crescimento dos estoques no país, que já superariam 10 milhões de toneladas. No entanto, o governo ainda não definiu se haverá subsídios, nem as regras para cumprimento dos embarques.

Pelos indicadores técnicos, a tendência é de baixa para os contratos de demerara. O mercado pode testar o suporte a 11,28 cents, mínima marcada em 24 de agosto, e 10,51 cents (mínima de dezembro de 2008). A resistência é de 12,54 cents, máxima atingida em 11 de setembro. O mercado só deve reverter sinais negativos se trabalhar acima desse nível.

Os futuros de açúcar em Nova York registraram queda na maior parte do pregão de ontem, pressionados pelo dólar. O vencimento março/16 encerrou em baixa de 10 pontos (0,86%), a 11,57 cents. A máxima foi de 11,74 cents (mais 7 pontos). A mínima bateu 11,48 cents (menos 19 pontos).

Durante a 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, encerrada ontem em São Paulo, o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, disse que a alta do dólar ante o real é positiva para o setor sucroenergético brasileiro, que é fortemente exportador. Segundo ele, a divisa norte-americana fortalecida compensa o aumento dos custos e acarreta “ganho maior” para o produtor. Ele acrescentou que o açúcar para exportação tem hoje melhor remuneração que o etanol. A vantagem na comercialização do alimento seria da ordem de 5% sobre o biocombustível.

O indicador do açúcar Esalq à vista fechou a R$ 52,46/saca (+0,34%). Em dólar, o preço ficou em US$ 12,95/saca (-1,52%).

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