Açúcar: Mercado

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Dólar fortalecido limita ganhos do açúcar na bolsa de Nova York


Agência Estado - Publicado: 23 Set 2015 - 10:15

O fortalecimento do dólar em relação ao real deve continuar limitando as reações positivas dos contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A moeda norte-americana valorizada tende a elevar a oferta do produto brasileiro no mercado internacional, além de implicar ajuste para baixo nos preços futuros do demerara, cotado na divisa dos EUA.

O dólar rompeu ontem R$ 4,00, pela primeira vez desde a criação do Plano Real (1994). As incertezas na política e na economia do Brasil têm levado investidores a buscar proteção na moeda dos EUA. Paralelamente, fundos de investimento estrangeiro compram dólares para sair do País. O índice do dólar também subia ontem, por causa de temores com a desaceleração da economia na China.

"Os futuros de demerara recuam basicamente acompanhando a alta do dólar", disse analista da Sucden. Ele salientou, no entanto, que a alta da moeda norte-americana corresponde a uma melhor remuneração para o produtor, em reais. "Produtores com acesso a linhas de crédito têm momento oportuno para fixar preço na bolsa, garantindo uma boa margem, em reais por tonelada FOB", informou.

Ele acrescentou que usinas têm aproveitado a alta do dólar para fixar preço futuro do açúcar até para a próxima safra 2016/17, que se iniciará apenas em abril de 2016. O analista comentou que ainda não é possível estimar o volume de venda antecipada, mas "negociações pontuais são observadas no mercado".

O analista observou, ainda, que notícias sobre a Índia, divulgadas na sexta-feira passada, contribuem para uma situação de "mau humor" do mercado. O governo indiano decidiu estimular a exportação de 4 milhões de t de açúcar, a partir de outubro, por causa do crescimento dos estoques no país, que já superariam 10 milhões de toneladas. No entanto, o governo ainda não definiu se haverá subsídios, nem as regras para cumprimento dos embarques.

Pelos indicadores técnicos, a tendência é de baixa para os contratos de demerara. O mercado pode testar o suporte a 11,28 cents, mínima marcada em 24 de agosto, e 10,51 cents (mínima de dezembro de 2008). A resistência é de 12,54 cents, máxima atingida em 11 de setembro. O mercado só deve reverter sinais negativos se trabalhar acima desse nível.

Os futuros de açúcar em Nova York registraram queda na maior parte do pregão de ontem, pressionados pelo dólar. O vencimento março/16 encerrou em baixa de 10 pontos (0,86%), a 11,57 cents. A máxima foi de 11,74 cents (mais 7 pontos). A mínima bateu 11,48 cents (menos 19 pontos).

Durante a 15ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, encerrada ontem em São Paulo, o vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, disse que a alta do dólar ante o real é positiva para o setor sucroenergético brasileiro, que é fortemente exportador. Segundo ele, a divisa norte-americana fortalecida compensa o aumento dos custos e acarreta “ganho maior” para o produtor. Ele acrescentou que o açúcar para exportação tem hoje melhor remuneração que o etanol. A vantagem na comercialização do alimento seria da ordem de 5% sobre o biocombustível.

O indicador do açúcar Esalq à vista fechou a R$ 52,46/saca (+0,34%). Em dólar, o preço ficou em US$ 12,95/saca (-1,52%).