Os futuros de açúcar demerara devem ter mais uma semana de pressão na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Não só pelo clima no Centro-Sul do Brasil, que apesar das chuvas recentes permanece favorável ao avanço da colheita, mas principalmente por causa da apreciação do dólar ante o real.
Os ganhos da moeda norte-americana se intensificaram após a Standard & Poor's (S&P) rebaixar em mais um degrau a nota de crédito do Brasil, de BB+ para BB. Na quinta-feira, o mercado reagiu às informações e às perspectivas ainda pouco otimistas para a economia do País e impulsionou a moeda norte-americana. Na sexta-feira, o dólar devolveu parte dos ganhos da véspera mas ainda fechou acima de R$ 4, a R$ 4,0198 (-0,73%).
Do lado climático, os Estados produtores do Centro-Sul têm registrado o padrão típico do verão: calor e pancadas de chuva no fim do dia, sem grandes prejuízos aos trabalhos de campo. Em boletim atualizado, a Climatempo prevê precipitações de 50 mm a 60 mm em São Paulo, Paraná e Minas Gerais entre 22 de fevereiro e 2 de março. Condições semelhantes também serão observadas em Goiás.
Nos gráficos, os futuros trabalham com suporte nos psicológicos 12,50 cents/lb. Para abaixo disso, os preços poderiam escorregar até os 12,07 cents/lb, mínima do dia 29 de setembro. Para cima, a resistência segue nos também psicológicos 13 cents/lb.
Março, que vence na próxima segunda-feira (29), caiu 26 pontos (2,03%) e fechou a sexta-feira em 12,52 cents/lb. Os lotes para maio recuaram 18 pontos (1,40%) e terminaram em 12,67 cents/lb, com máxima no dia de 12,87 cents/lb (mais 2 pontos) e mínima de 12,61 cents/lb (menos 24 pontos). Na semana, acumularam desvalorizações de 4,79% (menos 63 pontos) e de 3,42% (menos 45 pontos), respectivamente.
O spread março/maio, que iniciara a semana passada em 3 pontos de prêmio para o primeiro contrato, terminou sexta-feira em 15 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.



E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos reduziram o saldo comprado em açúcar em 15.971 lotes na semana encerrada em 16 de fevereiro. A posição passou de 43.359 para 27.388 lotes.
Há quem aposte que, a partir dos dados da CFTC e da forte desvalorização na semana passada, os futuros passem por uma correção nos próximos dias, seja via recompra de posições ou compras de oportunidade.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 80,77/saca, baixa de 0,01% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,00/saca (-0,05%).
