O governo federal deve realizar, com a iniciativa privada, testes durante dois meses em diferentes tipos de veículos para analisar a viabilidade técnica de um aumento na mistura de etanol na gasolina.
Atualmente, a mistura de etanol anidro na gasolina está em 25%.
O percentual de um eventual aumento na mistura não está definido e dependerá dos resultados dos testes, disse à Reuters uma fonte do governo nesta quarta-feira (18).
Os testes começarão o mais rápido possível, afirmou. O governo já encomendou o estudo sobre a possível mudança.
Uma emenda elevando o limite máximo de etanol anidro de 25% para 27,5% chegou a tramitar em uma Medida Provisória no Congresso em maio, mas foi excluída do texto durante votação na Câmara dos Deputados.
Produtores de etanol defendem o aumento no limite de etanol anidro que pode ser adicionado à gasolina.
INDÚSTRIAS
A eventual mudança é vista pela indústria sucroalcooleira como forma de aliviar a crise vivida pelo setor. Ao governo também interessa a nova mistura pelo potencial de reduzir as importações de combustíveis fósseis pela Petrobras.
A ideia, entretanto,, sofre resistência entre fabricantes de automóveis por preocupações com o desempenho e a durabilidade dos motores.
A Anfavea (associação das montadoras) diz que, embora a maioria das vendas de carros novos no Brasil seja de carros flex, que usam etanol e gasolina, a indústria não apoia um aumento da mistura porque 42% da frota brasileira de automóveis ainda usa apenas gasolina.
Esses veículos à gasolina, portanto, não estariam tecnicamente preparados para rodar com uma mistura maior de etanol. A implantação de um limite maior do teor do biocombustível contribuiria para um desgaste maior do motor daqueles carros, disse a associação.