Apesar de operar perto da plenitude da capacidade de moagem e estar conseguindo ampliar suas receitas, o grupo Usina Coruripe, com cinco unidades e expectativa de moer 14 milhões de toneladas nesta safra, recebeu uma má notícia no início do mês
Apesar de operar perto da plenitude da capacidade de moagem e estar conseguindo ampliar suas receitas, o grupo Usina Coruripe, com cinco unidades e expectativa de moer 14 milhões de toneladas nesta safra, recebeu uma má notícia no início do mês. A agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P), antes de dar início ao movimento que culminou no rebaixamento da nota soberana do Brasil, modificou o rating da Coruripe de ‘brA’ para ‘brA-’ e a perspectiva para negativa.
A seguir:
- o endividamento da companhia e o valor das dívidas de curto prazo
- capex estimado para safra 2015/16
- relação de dívida líquida sobre patrimônio líquido
- a evolução da margem operacional
Apesar de operar perto da plenitude da capacidade de moagem e estar conseguindo ampliar suas receitas, o grupo Usina Coruripe, com cinco unidades, recebeu uma má notícia no início do mês. A agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P), antes de dar início ao movimento que culminou no rebaixamento da nota soberana do Brasil, modificou o rating da Coruripe de ‘brA’ para ‘brA-’ e a perspectiva para negativa.
“A perspectiva negativa reflete que poderemos rebaixar ainda mais o rating se a empresa não for capaz de estender gradualmente o prazo de amortização de dívida, melhorar sua liquidez e gerar fluxo de caixa livre positivo”, escreveu a equipe de analistas da agência responsável pelo relatório, comandada por Flávia Bedran.
De modo prático, o efeito da revisão e da indicação de perspectiva negativa é que a Coruripe não pode mais ser considerada tão boa pagadora quanto já foi, embora a empresa não tenha nenhuma dívida avaliada pela agência.
As cinco usinas da sucroenergética moeram 13,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na última safra. A expectativa para a safra 2015/16 é que a moagem cresça para 14 milhões de toneladas.
Critérios
Em sua explicação, os analistas da S&P afirmaram que avaliam como adequada a eficiência operacional da Coruripe. Porém, a deterioração no capital de giro e a maxidesvalorização cambial tiveram impacto tanto na geração de caixa quanto nas métricas de alavancagem.
Não é para menos: no cenário desenhado pela S&P, a liquidez da sucroalcooleira foi tachada de “menos que adequada” diante de seus compromissos. E um dos argumentos utilizados foi uma combinação perigosa: a parcela significativa de dívidas com vencimento em curto prazo, estimada no elevado valor de R$ 736,4 milhões no fim de março, e a previsão de fluxo de caixa operacional livre (FOCF) negativo.
A situação agravou-se, segundo a observação da agência, pela maior necessidade de capital de giro e pelo programa de investimentos (capex) mais alto do que o previsto anteriormente. A S&P disse que prevê agora capex estável nos próximos anos de R$ 570 milhões, principalmente direcionado a tratos culturais. De olho em um colchão de recursos para bancar isso, a Coruripe já emitiu novas dívidas de R$ 400 milhões este ano para honrar os compromissos assumidos.
Desse modo, a possibilidade de a empresa reduzir sua dívida e melhorar sua capacidade de liquidez diminuiu e deve provocar uma “concentração de dívida no curto prazo ainda alta”.
Caixa vermelho e dívidas
De acordo com a S&P, o FOCF deve ser de R$ 200 milhões negativos em 2015/16 e deverá voltar ao terreno positivo, possibilitando amortização das dívidas, apenas no final do ano fiscal seguinte, em 2017. No final de março deste ano, a posição de caixa da empresa era de R$ 616,3 milhões e sua geração interna de caixa (FFO) foi prevista em cerca de R$ 580 milhões em 2016 e R$ 600 milhões em 2017.
“Esse cenário deve manter as métricas de alavancagem média de dívida líquida sobre Ebitda e de FFO sobre dívida em cerca de 4 vezes e 20%, respectivamente, na safra 2015/2016. Também expõe a empresa a necessidades de refinanciamento e mantém o seu perfil de risco financeiro como ´agressivo’”, concluiu a agência.
Outra preocupação mostrada pela agência foi o descasamento entre o faturamento e as dívidas, que estão em boa medida atreladas a moedas estrangeiras. Para piorar, menos da metade das receitas da empresa advém de exportações, as quais poderiam aliviar esse problema.
Um exemplo citado pela S&P desse dessaranjo já tinha sido observado com o não cumprimento de cláusulas contratuais restritivas (covenants) no fim de março deste ano e em 2014. De acordo com os covenants, a Coruripe deveria manter dívida líquida sobre patrimônio líquido abaixo de 2 vezes e liquidez corrente maior que 1,2 vez. Mas isso não foi alcançado e a empresa negociou waiver (pedido de dispensa das cláusulas) com seus credores.
O reflexo do aperto é a expectativa de nenhuma distribuição de dividendos, com os lucros sendo “reinvestidos na empresa”, disse a S&P.
Pontos fortes
Pelo lado positivo, a agência reconheceu a melhora na margem operacional ajustada da Coruripe no ano fiscal de 2015, que atingiu 40,6% comparada a 37% no ano anterior, a despeito das pressões inflacionárias nos custos e dos preços de açúcar e etanol ainda baixos. Contribuiu ainda para o ganho de margem operacional a otimização da moagem, “que tem operado quase em plena capacidade de moagem”, realçou.
Já as receitas devem crescer na ordem de 7% em razão do maior aproveitamento de moagem e dos preços mais firmes para o açúcar em real. Para a agência, o etanol deverá ainda seguir com preços estavéis, podendo ter aumento de rentabilidade durante a entressafra, com impacto positivo no caixa da Coruripe.
Felipe Vanini Bruning – NovaCana