Política

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Ex-diretor da Petrobras sacou R$ 200 mil de conta de usina sucroenergética

Transação foi considerada suspeita pelo Coaf e comunicada ao Ministério Público


O Globo - Publicado: 16 Jan 2015 - 09:21

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) anexado ao processo que levou à prisão Nestor Cerveró aponta o ex-diretor da Petrobras como beneficiário de um saque de R$ 200 mil em espécie, em 7 de janeiro de 2011. O dinheiro saiu da conta de uma usina de etanol de Paracatu, no interior de Minas Gerais, que fornece o produto para a Petrobras. Na ocasião, Cerveró era diretor financeiro da BR Distribuidora, subsidiária da companhia.

Na época do saque, Cerveró já tinha deixado a área internacional da Petrobras, mas ele ficou na Diretoria Financeira da BR Distribuidora até março de 2014. Há registro ainda de outras movimentações em espécie feitas pelo ex-diretor — dois depósitos de R$ 192 mil — que foram justificadas no sistema bancário como pagamento pela compra de um imóvel. No caso da transação financeira da destilaria, porém, não há justificativa para o saque no relatório do Coaf.

Em resposta ao GLOBO, a BR Distribuidora disse não ter informações sobre essa movimentação financeira, mas ressaltou que não há autorização da empresa para que os seus diretores retirem quantias em espécie. “Diretores executivos não têm a prerrogativa de realizar saques em nome da Petrobras Distribuidora”, registrou. A estatal afirmou ainda que a usina Paracatu é “fornecedora eventual de etanol” para a BR, não existindo contrato fixo entre as empresas.

O GLOBO entrou em contato com a destilaria. Um funcionário disse não ter conseguido localizar o diretor que poderia responder perguntas sobre o saque. A defesa de Cerveró foi procurada desde terça-feira por telefone e não respondeu. O Coaf alegou sigilo bancário para não explicar o que significaria a inscrição da Petrobras como “responsável”, apesar de o documento ter sido anexado a um processo da Lava-Jato que não é protegido por sigilo.

No documento do Coaf, a Petrobras é identificada como “responsável”. O órgão de fiscalização do Ministério da Fazenda não explicou qual o significado de a estatal ter sido incluída no documento com essa designação. Procurada pelo GLOBO, a Petrobras informou que seus diretores executivos não têm autorização para fazer saques em nome da empresa.

Descoberta

O documento do Coaf foi enviado aos investigadores da Operação Lava-Jato. O relatório foi produzido a partir de um pedido da força-tarefa do Ministério Público para identificação de transações financeiras fora do padrão envolvendo os investigados no esquema de corrupção da Petrobras. O registro da retirada em espécie consta de um relatório de inteligência financeira realizado em 7 de novembro de 2014.

Empresa ainda tem a conta

Os bancos e demais instituições financeiras são obrigados a informar ao Coaf movimentações atípicas dos clientes que tenham indícios de lavagem de dinheiro. Em relação aos saques em espécie, a lei determina a comunicação de toda operação que supere R$ 100 mil.

No item 2.3 do relatório enviado à força-tarefa, há registro de uma comunicação feita pelo banco Bradesco. Cerveró aparece como sacador de R$ 200 mil de uma conta de titularidade da Destilaria Vale do Paracatu Agroenergia. A conta citada no relatório é de uma agência do Bradesco na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. A usina continua sendo dona da conta até hoje, de acordo com o site do banco.

Mais informações sobre o caso na reportagem do O Globo

EDUARDO BRESCIANI

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