A indústria está pronta para produzir e entregar insumos biológicos, mas pode perder competitividade com a lentidão das aprovações dos produtos. A avaliação é do diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella.
“Somos os melhores para liderar a revolução dos biológicos no mundo, mas a parte legislativa segue a passos lentos”, afirmou ele nesta quinta-feira, 23, em entrevista ao Broadcast Agro, durante o segundo dia da 10ª edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), em São Paulo (SP).
A Lei de Bioinsumos, que estabelece regras específicas para a produção, comercialização e uso de produtos biológicos na agropecuária, foi sancionada em dezembro de 2024. Mas, para Tortorella, a aprovação concreta dos bioinsumos ainda levará tempo.
“Passamos o ano de 2025 escrevendo o decreto. Agora, até virem as normas que regularizam o setor, teremos mais seis meses a um ano”, afirmou o executivo. “As empresas estão correndo com o processo de produção, investindo bons produtos, mas sem a aprovação, não adianta nada”, acrescentou.
A lentidão no processo, para Tortorella, pode deixar o Brasil para trás na revolução dos biológicos no mundo, que também é alvo de desejo e estudo de outros países, como Estados Unidos, Índia e China.
O executivo comentou, ainda, que a ampliação do uso de biológicos no país não vai eliminar a necessidade de importação de fertilizantes. “Vamos seguir importando e não temos de ter vergonha disso. Mas precisamos, definitivamente, de um equilíbrio”, declarou.
Ele acrescenta que os biológicos, combinados com químicos, trariam uma vantagem econômica para os produtores brasileiros. “Incentivar a produção nacional facilita porque o produto não virá com custos de logísticas embutidos”, explicou Tortorella.
Julia Maciel