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Dinheiro do BNDES para as usinas despenca em 2015, mas 19 grupos conseguiram recursos

bndes 171115O dinheiro que o BNDES disponibiliza para o setor sucroenergético teve queda drástica em 2015

NovaCana 4 min de leitura

O dinheiro que o BNDES disponibiliza para o setor sucroenergético teve queda drástica em 2015. Os novos números revelam que a tendência de redução de financiamentos para o setor, observada no período de entressafra deste ano, se intensificou ao longo de 2015. Até o final de setembro, os financiamentos disponibilizados somavam apenas R$ 561,6 milhões. Mesmo assim 19 grupos conseguiram se beneficiar dos recursos do banco.

Veja a seguir o nome das empresas que conseguiram dinheiro e onde elas alocaram os recursos. Um infográfico apresenta ainda uma série de detalhes, como a área de novos canaviais e o preço por hectare para cada grupo.

O dinheiro que o BNDES disponibiliza para o setor sucroenergético teve queda drástica em 2015. Os novos números revelam que a tendência de redução de financiamentos para o setor, observada no período de entressafra deste ano, se intensificou ao longo de 2015. Até o final de setembro, os financiamentos disponibilizados somavam apenas R$ 561,6 milhões, realizados via operações não automáticas – projetos que passam pela análise do BNDES e, em geral, abrangem financiamentos acima de R$ 10 milhões.

O destaque fica por conta da falta de novos investimentos ao longo do terceiro trimestre desse ano. Enquanto o primeiro trimestre já registrou uma queda considerável de 24,1% nos valores contratados, o segundo trimestre sofreu uma redução de 88,1%. No acumulado, o valor total para o mesmo período do ano passado era de R$ 2,9 bilhões, o que representa uma redução de 80,7%.

Em 2015, com os recursos do banco excassos, a prioridade são os canaviais. Os números mostram que maior parte dos investimentos continua indo para o plantio de cana-de-açúcar, com a aprovação de 24 projetos e a liberação de R$ 466,1 milhões. Em uma comparação com o mesmo período de 2014, isso representa uma redução de 68,2%. Na ocasião, foram aprovados 45 projetos que somavam R$ 1,4 bilhão.

No total, 19 grupos utilizaram recursos dentro do âmbito do ProRenova, com destaque para os grupos Pedra Industrial, Clealco, São Martinho, Santa Isabel e Tercio Wanderley que, juntos, somam investimentos de 220,5 milhões – 47% do valor financiado dentro do ProRenova e 39,2% no total financiado pelo BNDES para o setor sucroenergético em 2015.

USJ é a única a receber recursos para expansão

Já com relação ao número projetos de expansão ou modernização industrial, o BNDES registrou um aumento de 20 para 35, ainda que relativo a um único contrato. O total financiado, assim, caiu de R$ 426,7 milhões para apenas R$ 95,5 milhões – um declínio de 77,6%.

Esse montante, aprovado em julho, é totalmente direcionado para o Grupo USJ, mas não representa uma novidade para o setor, já que é relativo a suplementação de recursos aos contratos originais de 2008.

Na época, a empresa conseguiu R$ 459,74 milhões em recursos para a implantação da Usina Cachoeira Dourada, em Cachoeira Dourada (GO), e para a ampliação da Usina São Francisco, em Quirinópolis (GO). Ambas já estão em operação dentro do estabelecido pelo contrato com o banco.

Ainda assim, a liberação dessa suplementação faz com que a USJ seja a empresa que mais recebeu recursos do BNDES em 2015, totalizando R$ 114,5 milhões. Esse valor representa mais de 20% de todo os investimentos direcionados para o setor sucroenergético em 2015.

Nenhum projeto aprovado de estocagem

Esse ano também estão ausentes entre os projetos aprovados os recursos do BNDES para logística, estocagem de etanol e etanol 2G e bioquímicos.

Com relação especificamente à estocagem de etanol, o banco aprovou em agosto um orçamento de R$ 2 bilhões. Contudo, as condições desagradaram a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Em comunicado oficial, a entidade afirmou considerar que o aumento das taxas oferecidas dificulta o acesso dos pequenos produtores e desinteressa às grandes empresas.

A taxa de juros do programa de estocagem é composta de custo financeiro misto de 25% baseado em TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e 75% em referenciais de mercado, acrescido de 1,775% ao ano para o BNDES (1,375% no caso de MPMEs) e da remuneração da instituição financeira, a ser negociada livremente entre o cliente e o banco repassador do crédito.

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Os dados acima refletem exclusivamente as contratações realizadas pelas sucroenergéticas via operações diretas e indiretas não automáticas – que passam pela análise do BNDES e, em geral, abrangem financiamentos acima de R$ 10 milhões. No ano passado, as operações não automáticas corresponderam a cerca de 60% dos valores destinados pelo banco ao setor.

Renata Bossle – NovaCana

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