Indústria

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Para diluir riscos, Zilor diversifica e eleva investimentos em levedura


Valor Econômico - Publicado: 02 Dez 2013 - 07:33 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
Menos popular que seus "pares" açúcar e etanol, as leveduras, subproduto da fabricação do biocombustível, ganharam nos últimos anos status de protagonista no grupo Zilor, tradicional companhia sucroalcooleira com faturamento anual de R$ 1,5 bilhão. A Biorigin, como foi batizada essa unidade de negócio na empresa, tem margens quatro a cinco vezes maiores do que as de açúcar e etanol e sua receita vai passar a representar nesta safra (2013/14) 15% das vendas de todo o grupo. No ciclo passado, representava 12%.

Hoje são três fábricas no Brasil, todas anexas às três usinas de cana-de-açúcar pertencentes ao grupo, e duas empresas no exterior, adquiridas em 2008. A aposta mais recente foi o anúncio, em meados deste ano, de um investimento de US$ 120 milhões na duplicação da capacidade de uma das suas unidades brasileiras, a localizada em Quatá, no interior de São Paulo. O montante é equivalente a tudo o que foi investido pela empresa no negócio de leveduras na última década, conta o diretor-geral da Biorigin, Mário Steinmetz.

Antes de ser criada, há dez anos, essa unidade se resumia à secagem e venda da levedura (certos fungos que atuam na fermentação) para a indústria de ração. Essa receita, explica ele, equivaleria hoje a US$ 6 ou US$ 7 por quilo do produto. A partir de 2003, a área passou a receber investimentos para extrair mais valor do negócio.

Foram aplicados em uma década R$ 253 milhões. Além das três fábricas, foi construído um laboratório para pesquisa e desenvolvimento de ingredientes. Atualmente, compara Steinmetz, os ingredientes fabricados a partir das leveduras são vendidos pela empresa a um preço 15 vezes maior do que valem as leveduras apenas secas.

A Biorigin tem mais de 30 produtos, dentre os quais os da família dos extratos, vindos da 'polpa' da levedura. Destacam-se, diz ele, os ingredientes que substituem em 50% o uso do sal em industrializados, como salgadinhos, sopas e embutidos. "E sem mudar o sabor", garante.

Esse produto foi desenvolvido, afirma ele, para atender a demanda da indústria, por conta da exigência de redução do teor de sódio nos alimentos. Essa família dos extratos, acrescenta ele, responde por 30% a 35% do faturamento da Biorigin.

O universo das leveduras tem aplicações também na indústria de vinhos, por exemplo. A empresa vende há quatro anos para vinícolas na Itália - e agora tem clientes também na França e no Chile - um ingrediente que ajuda a estabilizar a bebida durante o processo produtivo. "A grosso modo, esse produto, feito a partir da parede celular da levedura, elimina aqueles 'pontinhos pretos' do fundo da garrafa do vinho".

Atualmente, 85% da produção da Biorigin é exportada para 61 países, dentre os quais Estados Unidos, Austrália, países da Europa e da América do Sul. Foi determinante na conquista desses mercados a aquisição da indústria PTX Food Corp., nos EUA, que agregou ingredientes a partir de fermentação de bactérias que não tinham no portfólio da brasileira. "Atualmente, do total do faturamento da Biorigin, em torno de 12% vêm do mercado americano".

O executivo conta que, em 2008, a empresa já tinha uma participação importante na Europa, quando decidiu comprar a Immunocorp Animal Health, na Noruega. "Apesar de não ter indústria, a europeia tinha patentes importantes, como de ingredientes para o sistema imunológico de peixes e crustáceos", como camarão", lembra.

Steinmetz afirma que a Biorigin disputa os mercados da Europa e dos EUA com gigantes, com mais de um centenário de existência, como a francesa Le Safre, a holandesa DSM e a inglesa ABI, conta Steinmetz. "Não há um estudo sobre participação de mercado neste segmento. Mas eu posso afirmar que estamos brigando de igual para igual", observa Steinmetz.

Fabiana Batista