Se alguém estava esperando que a ameaça do aquecimento global provocaria alguma mudança na visão da presidente Dilma Rousseff sobre a importância do etanol e da cana-de-açúcar, já pode descartar a esperança.
A presidente apresentou ontem na Conferência da ONU em Nova York exatamente o que o governo brasileiro espera do setor sucroenergético para os próximos quinze anos: mudança nenhuma.
Das cinco metas apresentadas pela presidente relacionadas ao setor de energia, uma diz respeito diretamente às usinas: “participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana-de açúcar no total da matriz energética.”
Esta meta de 16% é igual a média alcançada pelo etanol e o bagaço de cana nos últimos dez anos (veja gráfico abaixo).

Oficialmente o planejamento para o setor está dentro da chamada “Contribuição Pretendida Nacionalmente Determinada" ou INDC, na sigla em inglês.
Dessa maneira, a contribuição esperada das usinas será de apenas manter sua participação de acordo com o crescimento orgânico da necessidade de energia do Brasil. Isso significa, conforme o planejamento do governo até 2024, um crescimento de quase 5% ao ano para o etanol e de quase 3% ao ano para a bioeletricidade do bagaço (o novaCana apresenta mais detalhes sobre estas previsões de crescimento anual amanhã, dia 29).
Curiosamente a meta apresentada ontem pela Dilma difere da proposta estabelecida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apenas algumas semanas atrás. No Plano Decenal de Energia 2024 a expectativa estabelecida foi que o bagaço e o etanol alcançariam em 2024 uma participação de 16,9%. Ou seja, na proposta da EPE colocada para discussão no Brasil, a participação do setor sucroenergético na matriz aumentará sutilmente. Já na proposta para avaliação mundial, a presença do etanol e do bagaço será igual.
Os percentuais apresentados pelo Brasil serão utilizados nas negociações que ocorrem no fim deste ano em Paris, na 21ª conferência global da ONU sobre o clima.
Correção (28/09 às 17h27m): A versão original desta reportagem utilizou os dados da demanda brasileira de energia para compor a participação do etanol e bagaço na matriz energética, no entanto deveríamos ter utilizado os dados de oferta de energia do país. As diferenças são pequenas, mas importantes. Assim, a participação do etanol e do bagaço nos útlimos dez anos foi de 16% e não 16,4%, como informamos originalmente. Os gráficos e texto acima foram corrigidos para refletir este entendimento.
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