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Diesel da Petrobras na COP30 gera crítica e chacota: “É um circo ilusório pintado de verde”

FPBio defendia que fosse usado combustível com 25% ou 100% de biodiesel na COP30; procurada, Petrobras ainda não respondeu


O Estado de S. Paulo - Publicado: 06 Nov 2025 - 14:22

O uso do diesel coprocessado da Petrobras em geradores de energia e frotas de ônibus da COP30 causou crítica de parlamentares, que classificaram a conferência climática de “circo ilusório pintado de verde”.

Uma nota da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, obtida pela Coluna do Estadão, manifesta “profunda indignação” com a escolha do combustível para ser vitrine de transição energética no evento que começa na próxima segunda-feira, 10, em Belém (PA).

O diesel S10 que a Petrobras usará na COP é produzido a partir de petróleo e tem 10% de conteúdo renovável inserido por meio de coprocessamento.

A FBPio argumenta que a classificação dada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ao combustível é fóssil. “A própria patente, que é detida pela Petrobras, caracteriza o produto como diesel, pois a presença mínima de conteúdo renovável não é suficiente para descaracterizar o produto como fóssil”, diz a Frente.

Procurada, a Petrobras ainda não respondeu.

A FPBio defendia que fosse usado na COP30 combustível com 25% ou 100% de biodiesel. “Impressiona o cinismo da Petrobras em promover, na tentativa de conquistar uma fatia de mercado, um combustível fóssil na COP30, podendo até envolver o Brasil em um caso global de greenwashing″, disse o presidente da Frente, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

Ao anunciar o uso do combustível, a Petrobras destacou os 10% de conteúdo renovável. “A iniciativa reforça a importância que a Petrobras dedica aos debates sobre temas de interesse energético e socioambiental, assim como o comprometimento da empresa com o desenvolvimento sustentável, inclusão social e a promoção da transição energética justa, necessária para o desenvolvimento do Brasil”, disse a estatal, em nota.

Combustível do Futuro

O setor do biodiesel venceu uma batalha contra a Petrobras no projeto de lei do Combustível do Futuro, aprovado em 2024 no Congresso, justamente sobre o diesel coprocessado.

A estatal tentou emplacar na proposta, que cria um marco legal para biocombustíveis, o combustível do qual detém a patente, mas o item acabou retirado do relatório final. “Não satisfeitos, agora nos envergonham na COP30, instituindo um circo ilusório pintado de verde, mas que esconde um nefasto tom de cinza por trás”, afirma Alceu Moreira.

A lei do Combustível do Futuro, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dispõe sobre a mobilidade sustentável, propõe o aumento da mistura do biodiesel ao óleo diesel e eleva o porcentual mínimo obrigatório de etanol na gasolina.

O projeto também cria os programas nacionais de combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde e biometano, além do marco legal de captura e estocagem geológica de dióxido de carbono.

Iander Porcella