Um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA) trouxe um quadro geral sobre a situação do emprego na indústria brasileira de açúcar.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil fechou o ano de 2015 contabilizando 284.261 trabalhadores na indústria do açúcar. Em 2014, o total de trabalhadores do setor era de 303.555. Logo, houve um decréscimo de 19.294 vagas (-6,3%) entre 2014 e 2015. Este é o quarto recuo consecutivo dos números anuais do setor. O nível de emprego atual é o mais baixo observado desde 2006. Entre 2011 e 2015 foram cortadas 57.793 vagas.

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), em dezembro de 2014 (último dado disponível), a remuneração média dos trabalhadores no setor era de R$ 2.118,46.
Ainda segundo os dados de 2015, o estado onde há maior número de trabalhadores é São Paulo. São 114.264 trabalhadores no estado (40,2% do total de trabalhadores no Brasil). Em seguida, dentre os estados que mais empregam, estão: Alagoas, com 55.084 trabalhadores (19,4% do total); e Pernambuco, com 33.817 trabalhadores (11,9% do total). Juntos, os três estados concentram mais de 71% dos trabalhadores do setor.
Sergipe foi o estado que registrou o maior avanço no número de vagas criadas em 2015, com 861. Na outra ponta, Pernambuco foi o estado que mais demitiu: 7.064 vagas fechadas.

Com relação a remuneração, tomando por base as informações de dezembro de 2014, conclui-se que mais de 34,8% dos trabalhadores do setor recebem até dois salários mínimos por mês. Na outra ponta, os salários mais altos, acima de cinco salários-mínimos, correspondem a apenas 10,3% dos vínculos.

O nível rotatividade pode ser observado pelo pouco tempo de permanência no emprego de parte dos trabalhadores no setor do açúcar. Cerca de 31,7% deles, está a menos de um ano em seu emprego atual. Contudo, há uma fatia ainda maior de trabalhadores com mais de cinco anos de vínculo: 32,9%. De acordo com o Dieese, isso é algo raro no contexto da indústria da alimentação em geral.

O trabalho na indústria do açúcar é realizado, em sua maioria, por homens de meia idade. Em dezembro de 2014, 30,8% dos trabalhadores tinham entre 30 e 39 anos. Outros 22,7% possuíam entre 40 e 49 anos, enquanto cerca de 16,5% tinham 50 anos ou mais.
Se forem somadas as faixas etárias, por tanto, cerca de 70% dos trabalhadores do setor possuem mais de 30 anos de idade. Neste universo, os homens representam 90,5% da força de trabalho, enquanto as mulheres somam 9,5%.

O nível de escolaridade entre os trabalhadores da indústria do açúcar está entre os mais baixos dentre as categorias que compõe a indústria da alimentação. Segundo a Rais 2014, apenas de 24,1% dos trabalhadores possuíam o Ensino Médio completo, enquanto 6,3% contava com o Ensino Superior Completo e Incompleto (cursando ou trancado).

Em 2014 (último dado disponível), foram registrados 10.383 acidentes de trabalho na fabricação do açúcar em todo o Brasil. Este número é 12,5% menor que o registrado no ano anterior, quando foram reportados 11.868 acidentes.
Edição adicional novaCana.com