Grupo elenca medidas para reverter situação da usina, causada por pragas nos canaviais e elevação de débitos a curto prazo
Com prejuízo de R$ 5,65 milhões no período encerrado em 31 de março deste ano, a usina Diana Bioenergia, produtora de açúcar e etanol, é uma das empresas do setor que sofreu com problemas nos canaviais e dívidas elevadas.
Com sede em Avanhandava (SP), o grupo atribui o resultado negativo a três principais fatores: redução em 5,8% na produtividade agrícola devido à falta de chuvas e infestação de pragas, altos custos de produção e aumento das dívidas.
Segundo o CEO da empresa, Ricardo Junqueira, em entrevista exclusiva ao portal NovaCana, outro ponto que levou a Diana ao prejuízo foi o fato da empresa não ter aproveitado o momento de bons preços do açúcar para fixar contratos.
Confira na versão completa os resultados financeiros da safra 2017/18 da Diana – complementados por 10 gráficos –, as perspectivas para 2018/19 e mais detalhes sobre a entrevista com Ricardo Junqueira.
Com prejuízo de R$ 5,65 milhões no período encerrado em 31 de março deste ano, a usina Diana Bioenergia, produtora de açúcar e etanol, é uma das empresas do setor que sofreu com problemas nos canaviais e dívidas elevadas.
O grupo divulgou as demonstrações financeiras, referentes ao ano safra 2017/18, no último dia 5.

Com sede em Avanhandava (SP), o grupo atribui o resultado negativo a três principais fatores: redução em 5,8% na produtividade agrícola devido à falta de chuvas e infestação de pragas, altos custos de produção e aumento das dívidas.
Especificamente, os débitos a curto prazo passaram de 41% para 57% do endividamento total, fator preponderante para a redução da liquidez. As dívidas com vencimento em até doze meses, que eram de R$ 61,81 milhões na posição encerrada em 31 de março de 2017, saltaram para R$ 96,50 milhões na mesma data do ano seguinte (+56%).
Já os débitos a longo prazo tiveram um aumento menos avantajado, passando de R$ 70,17 milhões para R$ 76,55 milhões, uma elevação de 9,09% no mesmo comparativo.

Segundo o CEO da empresa, Ricardo Junqueira, em entrevista exclusiva ao portal NovaCana, outro ponto que levou a Diana ao prejuízo foi o fato da empresa não ter aproveitado o momento de bons preços do açúcar para fixar contratos.
De acordo com ele, atualmente, a companhia tem o preço do açúcar fixado a R$ 1.140,00, o que deve levar a uma mudança no mix de produção da Diana até o final da safra. Com isso, o mix de etanol, que é de 87%, deve ir para 65%. A mudança começa a valer quando a segunda linha de moenda da usina entra em ação.
“O custo de açúcar com esse sistema deve cair para R$ 1.000,00 a tonelada, assim, conseguimos ganhar algo no açúcar”, relata. Para 2019, 15% da safra já está fixada em R$ 1.240,00 a tonelada.
Para dar a volta por cima
A usina ainda tem outras medidas em andamento para reverter este quadro. Junqueira relata um fluxo de caixa consistente nos três primeiros meses de safra 2018/19, com 27 milhões em caixa e estoques de hidratado elevados.
“A nossa melhora está consistente e, para dar um conforto para o mercado, vamos realizar o fechamento parcial em setembro ou outubro. Até lá estaremos muito melhores do que em 31 de março”, afirma.
A empresa também elenca algumas medidas para melhorar o fluxo de caixa, como o investimento em mudas pré-brotadas para garantir um canavial mais sadio. “A área agrícola está performado bem, o Açúcar Total Recuperável (ATR) está acima de 130 quilos nos últimos dias”, afirma Junqueira. Ele ainda compara o resultado com o mesmo período da safra passada, quando a companhia registrava um ATR em torno de 110 kg/t.

Outra medida foi a redução no número de funcionários em 25%, de 1.050 para 785, bem como o número de consultorias, de 37 para seis. A economia gerada, conforme a Diana, é de R$ 13 milhões.
De acordo com o CEO da empresa, o corte já deveria ter ocorrido. Ele se justifica dizendo que, ao manter o mesmo número no quadro de pessoal, a usina Diana produziria a mesma quantidade de etanol devido à limitação de 380 mil litros nos tanques. Por outro lado, a usina fabricaria açúcar em plena capacidade, mesmo com o adoçante remunerando pouco. “É melhor esticar a safra, fazer etanol e ganhar mais”, afirma.
Além do prolongamento da safra, com o objetivo de produzir mais etanol, a empresa também iniciou o processo de venda de terras localizadas em Araçatuba por R$ 45 milhões. Segundo Junqueira, a venda já está em processo de discussão de contrato.
Para ajudar a reverter os números negativos a empresa ainda fez a emissão de debêntures com taxa de juros de CDI + 4%. “Lançamos 30 milhões em quatro anos e foi um sucesso. Temos outra operação já aprovada de Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), com o mesmo prazo e mais um ano de carência”, explica.
“Com essas medidas, o endividamento da usina que, apesar de não ser alto, estava mal alocado (a curto prazo), foi reduzido de 104 reais por tonelada para 65 reais por tonelada”, relata Junqueira.
Moagem de cana e perspectivas de investimentos
Na safra 2017/18, a usina Diana moeu 1,35 milhões toneladas, uma queda de 4,93% em relação às 1,42 milhão de toneladas da temporada anterior. Do total, 64% correspondem a cana própria, o equivalente a 860 mil toneladas. O objetivo, segundo a companhia, é atingir 80% de cana própria até 2022.

Além disso, a produção de açúcar da Diana Bioenergia em 2017/18 foi de 91,63 milhões de toneladas, pouco mais que as R$ 80,04 milhões de toneladas registradas uma temporada antes (+14,48%). Já a produção de etanol – dividida entre anidro e hidratado –, foi de 14,95 milhões de litros e 25,64 milhões de litros, respectivamente.

O ATR médio teve uma redução, ainda que suave, entre as duas últimas temporadas, caindo de 118,61 quilos por tonelada em 2016/17 para 118,43 quilos por tonelada em 2017/18.
Agora, a intenção do grupo é moer, para a safra 2018/19, 1,45 milhão de toneladas de cana – sendo que, destas, 950 mil toneladas provêm de terras próprias ou de parceiros – que resultariam em 67,95 mil toneladas de açúcar e 70 milhões de litros de etanol.
A companhia também faz algumas projeções mais adiante, prevendo 1,61 milhão de moagem de cana para 2019/20 e 1,8 milhões para a safra seguinte. Segundo a própria Diana Bioenergia, trata-se de um “planejamento conservador”, motivado pelas crises vividas pelo setor e pela própria empresa.
Até o dia 31 de março, a companhia possuía lavouras de cana estimadas em 12,83 mil hectares, sendo que 16% correspondem a terras próprias e 84%, a parcerias agrícolas com acionistas e terceiros.
Desempenho operacional
O leve aumento da produção resultou em um Ebitda um pouco mais elevado, passando de R$ 54,32 milhões para R$57,36 milhões. O índice quantifica o resultado das operações desconsiderando juros, impostos, depreciação e amortização.

Contudo, na última safra, o lucro bruto do grupo foi de R$ 15,33 milhões, frente aos R$ 26,78 milhões registrados na temporada anterior, caracterizando um recuo de 42,76%.

O indicador menor se deve a uma receita operacional de R$ 157,48 milhões e custos de R$ 144,09 milhões. Em 2016/17, os custos foram praticamente iguais, R$ 144,94 (-0,59%), mas a receita atingiu R$ 171,5 milhões.
Apesar de positivos, os resultados estão fora da margem considerada adequada para o setor. Enquanto o valor ideal seria abaixo de 70%, a Diana Bioenergia obteve, em 2016/17, uma relação entre receitas e custos de 84,50%, índice que subiu para 91,50% na última temporada.

Entre os itens que compõem os custos estão (por ordem, do maior ao menor): matéria-prima, depreciação, combustíveis e insumos, mão de obra, entressafra e outros. Na temporada encerrada em março, os dispêndios foram de R$ 37,41 milhões com matéria-prima e R$ 36,51 milhões com depreciação.

Já as receitas estão razoavelmente equilibradas entre as vendas de açúcar e etanol. Na safra 2017/18, R$ 100,63 milhões provieram do adoçante e R$ 70,49 milhões, do combustível renovável. Neste caso, o valor é 29,95% menor que o da temporada anterior, de R$ 87,57 milhões. Por sua vez, o açúcar rendeu 18,81% a mais que em 2016/17, quando o montante foi de R$ 84,70 milhões.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana