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Apesar do desperdício de matéria-prima, governo mantém olhar positivo sobre energia a partir de cana

bioeletricidade 110915No ano em que a geração de energia elétrica com bagaço de cana-de-açúcar completa seu 30º aniversário, boa parte do potencial dessa matéria-prima continua sendo desperdiçada pelo setor

NovaCana 6 min de leitura

No ano em que a geração de energia elétrica com bagaço de cana-de-açúcar completa seu 30º aniversário, boa parte do potencial dessa matéria-prima continua sendo desperdiçada pelo setor. Contudo, o governo brasileiro mantém um olhar relativamente positivo sobre o tema, apontando que os resíduos da indústria sucroenergética se destacam como fonte de energia no país. Além disso, a bioenergia proveniente do bagaço de cana estaria se revelado muito competitiva no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Iniciativas governamentais de fomento à renovação e modernização das instalações de cogeração aumentaram a eficiência de conversão da energia da biomassa. Dessa maneira, aumentou-se também a geração de excedentes e sua distribuição, contribuindo para a diversificação do setor e o aumento de sua receita.



“A bioeletricidade proveniente do bagaço de cana pode ser vista como um negócio multicommodity, envolvendo a comercialização de quatro produtos: açúcar, etanol, eletricidade e créditos de carbono. Isso coloca esta bioeletricidade com um grande potencial na matriz energética nacional”.



Confira a seguir a avaliação da quantidade de energia já contratada pelo setor elétrico, a análise de seu potencial técnico e a projeção de oferta de bioeletricidade, a partir do comportamento histórico da geração a partir do bagaço.

No ano em que a geração de energia elétrica com bagaço de cana-de-açúcar completa seu 30º aniversário, boa parte do potencial dessa matéria-prima continua sendo desperdiçada pelo setor. Contudo, o governo brasileiro mantém um olhar relativamente positivo sobre o tema, apontando que os resíduos da indústria sucroenergética se destacam como fonte de energia no país. Além disso, a bioenergia proveniente do bagaço de cana estaria se revelado muito competitiva no Sistema Interligado Nacional (SIN).

O diagnóstico é do Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE 2026). Segundo a análise, ainda há um montante significativo a ser explorado, o que leva a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a crer em uma inserção crescente da bioeletricidade a partir da biomassa de cana na matriz elétrica nacional.

De acordo com o documento, iniciativas governamentais de fomento à renovação e modernização das instalações de cogeração aumentaram a eficiência de conversão da energia da biomassa. Dessa maneira, aumentou-se também a geração de excedentes e sua distribuição, contribuindo para a diversificação do setor e o aumento de sua receita.

Capacidade e potencial da cogeração

Dados do Banco de Informação da Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica, citados pelo relatório, registram que a capacidade de cogeração com a biomassa de cana atingiu 9,4 GW em janeiro de 2017, um aumento de 60% nos últimos cinco anos.

Este crescimento, no entanto, não se compara ao gigantesco potencial de cogeração não aproveitado no setor sucroenergético. De acordo com a EPE, até 2026, a projeção do potencial técnico da cogeração por biomassa tem uma elevação de 21,8%, chegando a 6,7 GW médio. Já a curva baseada no histórico do setor pode atingir um crescimento de 46,4% ao longo da década, atingindo 4,1 GW médio em 2026.

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Com isso, o índice de aproveitamento do potencial sairia dos atuais 50,9% para 61,2%. Ou seja, ainda que espere por uma melhora, a EPE se mantém conservadora com relação à utilização da matéria-prima.

Participação em leilões

Atualmente, dentre as 378 usinas em operação, cerca de 200 unidades comercializam energia e somente 50% desse número o fazem através de leilões. Em uma estimativa baseada na curva de conversão histórica do setor, a EPE calculou que a exportação para mercados regulados pode ser 26% maior do que o 1,5 GW médio contratado para 2016, alcançando 1,9 GW médio a partir de 2021. O valor, contudo, poderá ser ampliado com a realização de futuros leilões.

“A energia comercializada no ambiente regulado representa apenas uma pequena parcela do potencial do setor”, avalia o trabalho realizado pela EPE. Como a energia elétrica contratada pelas usinas vencedoras dos leilões é inferior à sua garantia física total, que representa a quantidade máxima permitida de energia que a térmica pode comercializar, ainda existe um montante extracertame que pode ser comercializado no mercado livre.

Atualmente, os projetos geradores de energia com bagaço têm condições de vender no spot cerca de 857 MW médios. Em 2026, eles poderão oferecer quase 950 MW.

Somados os totais de energia contratada e o extracertame, em dez anos, é previsto um crescimento de pouco mais de 20%. Para 2026, o governo espera um total de 2.736,6 MW médio ao ano disponíveis, que serão alcançados entre leves incrementos e períodos de estabilidade.

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Segundo dados fornecidos pelo relatório, até maio de 2016, foram realizados 53 certames, ocorrendo vendas de energia das usinas sucroalcooleira em 21 deles.

Setor ‘multicommodity’

Para a EPE – que é vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME) –, o direcionamento do bagaço para a produção de açúcar e etanol concorre diretamente com o uso no setor elétrico. “Por esse motivo, o PDE apresenta um montante estimado considerado como o limite superior para uso em energia elétrica”, destaca.

Mas esse aspecto de ‘concorrência’ também pode ser visto por uma ‘ótica sinérgica’, cita o próprio documento. A justificativa é que a bioeletricidade proveniente do bagaço de cana faz parte de um ‘negócio multicommodity’, que envolve a comercialização de quatro produtos: açúcar, etanol, eletricidade e créditos de carbono (ou certificados de reduções de emissões).

“A bioeletricidade proveniente do bagaço de cana pode ser vista como um negócio multicommodity, envolvendo a comercialização de quatro produtos: açúcar, etanol, eletricidade e créditos de carbono. Isso coloca esta bioeletricidade com um grande potencial na matriz energética nacional” (EPE)

Uma significativa vantagem para as indústrias do setor sucroenergético associada à bioeletricidade é a garantia de aporte financeiro constante, um aspecto propiciado pela comercialização de energia, em contraposição à sazonalidade da produção de cana.

Palhas e pontas

Além do bagaço, a cana também gera biomassa residual composta por palhas e pontas. A EPE estima que, até 2026, os principais estados produtores terão colheita mecanizada na totalidade de seus canaviais, produzindo uma quantidade significativa dessa biomassa passível de aproveitamento energético.

Por isso, a EPE também elaborou uma estimativa do potencial de aproveitamento das palhas e pontas, considerando que esta biomassa estará disponível apenas para as usinas da região Centro-Sul (cerca de 90% da cana do Brasil). Neste horizonte até 2026, a expectativa da é que a maior parte da região Nordeste ainda não estará utilizando a colheita mecanizada.

Para o cálculo deste potencial, foram utilizados dois fatores de exportação de energia distintos, encontrados na literatura: 500 kWh/tonelada de palha e 787,5 kWh/tonelada de palhas e pontas.

Os resultados indicam que o potencial técnico de exportação de energia a partir da biomassa de palhas e pontas seria de 7,2 GW médios e 11,3 GW médios, respectivamente, ao fim do período decenal.

Marina Gallucci – NovaCana

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