Secretário de Energia de São Paulo afirma que o setor precisa ter consciência adequada sobre seu significado na economia brasileiraCom uma fala franca, carregada de críticas e sugestões ao setor sucroenergético, o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, ecoou a opinião de muitos profissionais do mercado: "o setor precisa se trabalhar melhor".
Até os incentivos de São Paulo ao etanolduto foram alvo do secretário: "vou confessar, se eu soubesse a quantidade de etanol que tinha no duto eu não diferia".
"O setor precisa se trabalhar melhor." Está é a opinião de José Aníbal, secretário de Energia de São Paulo e vice-presidente do Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia. Responsável por empregar 400 mil pessoas somente no estado paulista e por retirar 95 mil viagens de caminhão de rodovias com a inauguração do etanolduto Ribeirão Preto – Paulínia, o setor sucroenergético precisa vender melhor a própria imagem, na opinião do secretário.
"Já observei gente do governo e de outras áreas, [como] nos meios de comunicação, que no fundo vê este setor ainda com um laivo de 'Casa Grande e Senzala', o que é desastroso. Esses setor tem um significado na economia brasileira que é impressionante. Em todas as áreas, não só no ponto de vista agrícola, mas do ponto de vista de efeitos multiplicadores: máquinas, pesquisas, novas tecnologias. Além disso, causa impactos na infraestrutura e logística", destacou.
Entretanto, em três anos à frente da Secretaria de Energia de São Paulo (pasta que deixa nesta semana), Aníbal afirmou que nunca viu um trabalho do setor sucroenergético que revelasse uma consciência adequada sobre seu significado na economia brasileira.
E insistiu nos impactos do setor para o Brasil. "Exportamos um milhão de toneladas de açúcar pelo Porto de Santos no mês de janeiro porque o setor privado fez o investimento e duplicou a ferrovia." Ele lembrou que na área social "a geração de energia com a biomassa de bagaço e palha de cana, em cada megawatt, emprega quatro vezes mais do que qualquer tipo de geração".
O secretário fez ainda críticas ao modelo dos leilões e engrossou o coro do setor ao defender que os certames sejam realizados de acordo com fonte, região e levando em conta as externalidades de cada fonte. Segundo avaliou, no modelo atual "a modicidade tarifária é burramente aplicada".
"Rebatendo uma reclamação do vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, que durante evento sobre bioeletricidade realizado em Brasília, criticou a falta de incentivos dos governos federal e estaduais, o secretário paulista citou uma série de benefícios oferecidos pelo estado ao setor".
"O ICMS que você paga em São Paulo é 12%, a média do Brasil é 22%. O retrofit de São Paulo é zero de ICMS, totalmente isento. Nosso programa de biogás está cheio de incentivos e diferimentos", exemplificou.
E completou em resposta a Mizutani: "o próprio ICMS do etanolduto nós diferimos e, olha, vou até confessar, se eu soubesse a quantidade de etanol que tinha no duto eu não diferia".
Amanda SchArr – NovaCana
Até os incentivos de São Paulo ao etanolduto foram alvo do secretário: "vou confessar, se eu soubesse a quantidade de etanol que tinha no duto eu não diferia".
"O setor precisa se trabalhar melhor." Está é a opinião de José Aníbal, secretário de Energia de São Paulo e vice-presidente do Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia. Responsável por empregar 400 mil pessoas somente no estado paulista e por retirar 95 mil viagens de caminhão de rodovias com a inauguração do etanolduto Ribeirão Preto – Paulínia, o setor sucroenergético precisa vender melhor a própria imagem, na opinião do secretário.
"Já observei gente do governo e de outras áreas, [como] nos meios de comunicação, que no fundo vê este setor ainda com um laivo de 'Casa Grande e Senzala', o que é desastroso. Esses setor tem um significado na economia brasileira que é impressionante. Em todas as áreas, não só no ponto de vista agrícola, mas do ponto de vista de efeitos multiplicadores: máquinas, pesquisas, novas tecnologias. Além disso, causa impactos na infraestrutura e logística", destacou.
Entretanto, em três anos à frente da Secretaria de Energia de São Paulo (pasta que deixa nesta semana), Aníbal afirmou que nunca viu um trabalho do setor sucroenergético que revelasse uma consciência adequada sobre seu significado na economia brasileira.
E insistiu nos impactos do setor para o Brasil. "Exportamos um milhão de toneladas de açúcar pelo Porto de Santos no mês de janeiro porque o setor privado fez o investimento e duplicou a ferrovia." Ele lembrou que na área social "a geração de energia com a biomassa de bagaço e palha de cana, em cada megawatt, emprega quatro vezes mais do que qualquer tipo de geração".
O secretário fez ainda críticas ao modelo dos leilões e engrossou o coro do setor ao defender que os certames sejam realizados de acordo com fonte, região e levando em conta as externalidades de cada fonte. Segundo avaliou, no modelo atual "a modicidade tarifária é burramente aplicada".
"Rebatendo uma reclamação do vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, que durante evento sobre bioeletricidade realizado em Brasília, criticou a falta de incentivos dos governos federal e estaduais, o secretário paulista citou uma série de benefícios oferecidos pelo estado ao setor".
"O ICMS que você paga em São Paulo é 12%, a média do Brasil é 22%. O retrofit de São Paulo é zero de ICMS, totalmente isento. Nosso programa de biogás está cheio de incentivos e diferimentos", exemplificou.
E completou em resposta a Mizutani: "o próprio ICMS do etanolduto nós diferimos e, olha, vou até confessar, se eu soubesse a quantidade de etanol que tinha no duto eu não diferia".
Amanda SchArr – NovaCana