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Desejo das usinas por motores mais eficientes com etanol não terá caminho fácil

motor carro eficiencia flex 240714Especialistas e fabricantes de tecnologias em motores a álcool fazem suas apostas para o futuro da relação entre etanol e gasolina
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A realidade política e econômica não permitiu ao setor sucroenergético apostar em cenários muito otimistas para o futuro. Mas um dos sonhos das usinas começa a ser desenhado e pode fazer o preço do etanol, e o lucro das empresas, aumentar significativamente.

O foco da agenda de medidas emergenciais do setor produtivo para 2014 é o aumento da eficiência de motores flex com o uso de etanol. O objetivo declarado é fazer com que o biocombustível renda mais que 70% na comparação com a gasolina.

Em 2013, um dos executivos da Anfavea havia afirmado ao NovaCana ser impossível transpor a atual relação de consumo entre os dois combustíveis. No início deste ano, a Unica respondeu que a associação das montadoras estava querendo "defender o seu peixe". A entidade canavieira entendia que a limitação para melhorar a eficiência no uso do etanol não é tecnológica, mas sim de caráter econômico. Por isso a necessidade de incentivos.

Em junho o governo federal publicou uma lei que permite que veículos com relação de consumo etanol/gasolina superior a 75%, sem prejudicar a eficiência da gasolina, sejam beneficiados com a redução de IPI.

Para entender melhor os problemas que estão no caminho deste desejo das usinas, o portal NovaCana conversou com um dos maiores especialistas em motorização para etanol do país e com os dois principais desenvolvedores da tecnologia por trás da base do motor flex do futuro.

A realidade política e econômica não permitiu ao setor sucroenergético apostar em cenários muito otimistas para o futuro. Mas um dos sonhos das usinas começa a ser desenhado e pode fazer o preço do etanol, e o lucro das empresas, aumentar significativamente.

O foco da agenda de medidas emergenciais do setor produtivo para 2014 é o aumento da eficiência de motores flex com o uso de etanol. O objetivo declarado é fazer com que o biocombustível renda mais que 70% na comparação com a gasolina.

Em 2013, um dos executivos da Anfavea havia afirmado ao NovaCana ser impossível transpor a atual relação de consumo entre os dois combustíveis. No início desse ano, a Unica respondeu que a associação das montadoras estava querendo "defender o seu peixe". A entidade canavieira entendia que a limitação para melhorar a eficiência no uso do etanol não é tecnológica, mas sim de caráter econômico. Por isso a necessidade de incentivos.

Em junho o governo federal publicou uma lei que permite que veículos com relação de consumo etanol/gasolina superior a 75%, sem prejudicar a eficiência da gasolina, sejam beneficiados com a redução de IPI.

Uma das principais autoridades em motor a álcool do Brasil é taxativo sobre o potencial subutilizado do combustível de cana nos motores atuais. "Mesmo em veículos flex, é possível aproveitar melhor as propriedades vantajosas do etanol", garante o engenheiro mecânico e professor da Escola Politécnica da USP, Francisco Nigro. Segundo ele, características como o maior calor latente de vaporização e alta octanagem, permitem obter uma eficiência energética maior com uso de etanol do que com gasolina.

Porém, "uma limitação séria" para o aproveitamento desse potencial é a atual estrutura mecânica dos veículos. Na avaliação do pesquisador, para utilizar melhor as propriedades do etanol, os propulsores deveriam ser capazes de suportar maiores pressões de combustão.

Esse problema pode ser resolvido com uma nova geração de motores menores e mais eficientes "que certamente será o futuro próximo da propulsão veicular", segundo Nigro. Ele considera que a tecnologia de redução do tamanho dos motores, chamada de downsizing, combinada com uso de turbocompressores "é particularmente indicada para o uso de etanol injetado diretamente na câmara de combustão". Com isso acredita ser possível um ganho de eficiência ainda acima do estimulado pelo governo.

"Seria possível, com motores flex de injeção direta turbo-comprimidos combinados com transmissões que adaptem seus pontos de troca de marchas ao combustível, conseguir uma eficiência energética veicular com etanol 10 a 15% superior àquela com gasolina C. Isto faria com que a relação de consumo volumétrico entre gasolina C e etanol, que está por volta de 70%, alcançasse 80%", explica o especialista.

A Unica também levanta a mesma bandeira e destaca a vantagem do etanol em versões turbinadas. "Devido a sua elevada octanagem e alto calor latente de vaporização, seja puro ou em mistura na gasolina, o (etanol) é o combustível apropriado para estes motores", valoriza a entidade.

Fabricantes divergem

Embora seja consenso que o turbos contribuam para a redução no consumo de combustível, a possibilidade dessa tecnologia alterar o comportamento dos motores flex na relação de consumo entre etanol e gasolina não é consensual. As duas principais fabricante de turbos discordam.

Em se tratando de plataformas bicombustíveis, que não são otimizadas para o uso do etanol, o diretor de vendas e engenharia da BorgWarner Brasil, Lauro Takabatake considera "difícil" ampliar o rendimento do combustível de cana acima de 70%. A opinião endossa a posição da Anfavea expressada no final do ano passado.

A concorrente Garrett, braço da Honeywell Turbo Technologies, é mais otimista sobre a melhoria de eficiência no uso do etanol hidratado em carros flex. O gerente de negócios da marca, Christian Streck, pondera ser "provável" que a diferença de eficiência entre os combustíveis seja menor com a adoção do turbo. Entretanto, ainda não há um número estimado. "Estamos coletando dados em nosso laboratório aqui em Guarulhos e em trabalhos que estamos fazendo junto às montadoras", explica.

Independente do combustível em uso, Streck afirmaque um motor 1.4 turbinado pode ter o mesmo desempenho de um 2.0 convencional e oferecer uma economia de combustível da ordem de 10%. Adicionalmente, diz ele, "quando vamos para esfera do flex, com o uso do etanol, a tendência é que esta vantagem seja ainda maior".

"O etanol é um combustível que não tem um problema que é comumente conhecido como batida de pino, a pré-ignição. O combustível é menos sensível à detonação. Com isso, é possível reduzir esta diferença", justifica o executivo da Garrett.

Volta dos motores a álcool?

Takabatake, da BorgWarner, acredita que o uso de turbos em motores exclusivos para etanol seria o caminho para a redução do gap de consumo entre as opções para abastecer o flex. "Enquanto o motor for flex, quebrar esta barreira será difícil. Você não está utilizando só gasolina ou só o álcool, mas ambos. Em motores dedicados só ao álcool, haveria esta possibilidade", esclarece.

As duas fabricantes estão testando o dispositivo em motores dedicados somente a etanol. A Garrett está em contato com duas montadoras, enquanto a BorgWarner admite que "há a possibilidade de desenvolver turbos só para etanol", mas não dá maiores detalhes e diz que isso depende mais das montadoras.

Chegada ao mercado

Antes restrito a veículos pesados e utilitários, o turbo deve começar a se tornar comum em carros de passeio nos próximos dois anos. A BorgWarner espera comercializar as primeiras unidades já em 2015, enquanto a Garrett estima que haverá um crescimento forte na venda do componente a partir de 2016, com a segunda fase do Inovar-Auto. "Esperamos um mercado maior, acima de um milhão de turbos em 2018 e 2019", projeta Streck.

Considerando que o etanol é um combustível com maior resistência à detonação, as conversas da Garrett com as montadoras tem sido no sentido de buscar meios para otimizar ao máximo "essa condição típica do mercado brasileiro" com a utilização do turbo.

Leonardo Siqueira e Amanda SchArr - NovaCana
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