A pesquisa de uma equipe internacional identificou e isolou um gene relacionado à produção de lignina, cuja remoção resultou em 75% mais extração de açúcares celulósicos da biomassa, sem tratamentos onerososA descoberta de uma equipe composta por cientistas norte-americanos e europeus pode tornar muito mais barata e eficiente a produção de etanol a partir de resíduos agrícolas, como o bagaço e a palha de cana, e culturas não alimentares.
A pesquisa afirma que obteve uma via para em que a conversão direta da celulose em glicose, sem pré-tratamento de biomassa vegetal, aumentou quatro vezes.
E mais:
- "Esse achado foi bastante inesperado, porque a via de lignina tem sido amplamente analisado e pensava-se, durante a última década, estar completamente mapeada", diz cientista
- A retirada do gene resultou em uma produção 36% menor de lignina
- Com a modificação genética a conversão direta da celulose em glicose, sem pré-tratamento de biomassa vegetal, aumentou quatro vezes
Os interessados na produção de biocombustíveis de segunda geração (2G) estão em alvoroço. Uma equipe internacional de pesquisadores identificou o gene responsável pela produção de uma enzima, até então desconhecida, identificada pela sigla CSE (caffeoyl shikimate esterase). O estudo mostrou que a partir da remoção do gene responsável pela CSE foi possível liberar cerca de 75% mais açúcares da celulose, sem a necessidade de tratamentos químicos agressivos à biomassa.
A descoberta pode ajudar os cientistas a superar o obstáculo para a produção de biocombustíveis 2G de forma mais eficiente e com baixo custo. A síntese da pesquisa foi publicada na metade de agosto na revista Science. A equipe responsável é composta por cientistas do instituto de pesquisa VIB e da GhentUniversity, na Bélgica, da Universidade de Dundee e The James Hutton Institute, no Reino Unido, e da Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos.
O resultado altera o que os cientistas pensavam entender sobre a constituição da lignina, porção que funciona como um cimento revestindo a parede celular dos vegetais e conferindo rigidez às plantas. "Esse achado foi bastante inesperado, porque a via de lignina tem sido amplamente analisado e pensava-se, durante a última década, estar completamente mapeada", afirmou Claire Halpin, da Universidade de Dundee.
A lignina atua como um concreto e é graças a ela que plantas altas, a exemplo da cana-de-açúcar, conseguem se manter em pé. Além de lignina, as paredes celulares das plantas também contêm grandes quantidades de celulose, uma substância feita inteiramente de um açúcar simples, a glicose que é usada na produção de etanol. Atualmente, os processos existentes para retirar os açúcares da lignina são considerados caros ou ineficientes para a escala industrial. Mas com o trabalho das universidades esse quadro pode estar mais próximo de mudar.
A retirada do gene resultou em uma produção 36% menor de lignina por grama de material do colmo da planta Arabidopsis thaliana, usada como modelo, e ainda afrouxou a aderência da lignina à celulose. A pesquisa afirma que, sem a ação da enzima CSE, a conversão direta da celulose em glicose, sem pré-tratamento de biomassa vegetal, aumentou quatro vezes.
No artigo da Science, os pesquisadores explicam que "matérias-primas de biomassa com menos lignina ou com lignina mais degradável iriam reduzir os elevados custos de processamento e a pegada de carbono do papel, de biocombustíveis e produtos químicos". A possibilidade de aplicar o conhecimento no desenvolvimento de variedades genéticas de outras plantas poderia significar o rompimento da barreira que ainda põe em marcha lenta a indústria dos combustíveis celulósicos.
Na imprensa internacional a descoberta tem sido citada como possível solução para o fim do uso de culturas alimentares para a fabricação de combustíveis. A utilização de alimentos na produção de energia é uma fonte de grande preocupação para norte-americanos e europeus que destinam, respectivamente, o milho e a beterraba para a produção de etanol.
Saiba mais sobre a descoberta clicando aqui (em inglês).
Amanda SchArr - NovaCana
Com informações da Stanford University e Science
A pesquisa afirma que obteve uma via para em que a conversão direta da celulose em glicose, sem pré-tratamento de biomassa vegetal, aumentou quatro vezes.
E mais:
- "Esse achado foi bastante inesperado, porque a via de lignina tem sido amplamente analisado e pensava-se, durante a última década, estar completamente mapeada", diz cientista
- A retirada do gene resultou em uma produção 36% menor de lignina
- Com a modificação genética a conversão direta da celulose em glicose, sem pré-tratamento de biomassa vegetal, aumentou quatro vezes
Os interessados na produção de biocombustíveis de segunda geração (2G) estão em alvoroço. Uma equipe internacional de pesquisadores identificou o gene responsável pela produção de uma enzima, até então desconhecida, identificada pela sigla CSE (caffeoyl shikimate esterase). O estudo mostrou que a partir da remoção do gene responsável pela CSE foi possível liberar cerca de 75% mais açúcares da celulose, sem a necessidade de tratamentos químicos agressivos à biomassa.A descoberta pode ajudar os cientistas a superar o obstáculo para a produção de biocombustíveis 2G de forma mais eficiente e com baixo custo. A síntese da pesquisa foi publicada na metade de agosto na revista Science. A equipe responsável é composta por cientistas do instituto de pesquisa VIB e da GhentUniversity, na Bélgica, da Universidade de Dundee e The James Hutton Institute, no Reino Unido, e da Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos.
O resultado altera o que os cientistas pensavam entender sobre a constituição da lignina, porção que funciona como um cimento revestindo a parede celular dos vegetais e conferindo rigidez às plantas. "Esse achado foi bastante inesperado, porque a via de lignina tem sido amplamente analisado e pensava-se, durante a última década, estar completamente mapeada", afirmou Claire Halpin, da Universidade de Dundee.
A lignina atua como um concreto e é graças a ela que plantas altas, a exemplo da cana-de-açúcar, conseguem se manter em pé. Além de lignina, as paredes celulares das plantas também contêm grandes quantidades de celulose, uma substância feita inteiramente de um açúcar simples, a glicose que é usada na produção de etanol. Atualmente, os processos existentes para retirar os açúcares da lignina são considerados caros ou ineficientes para a escala industrial. Mas com o trabalho das universidades esse quadro pode estar mais próximo de mudar.
A retirada do gene resultou em uma produção 36% menor de lignina por grama de material do colmo da planta Arabidopsis thaliana, usada como modelo, e ainda afrouxou a aderência da lignina à celulose. A pesquisa afirma que, sem a ação da enzima CSE, a conversão direta da celulose em glicose, sem pré-tratamento de biomassa vegetal, aumentou quatro vezes.
No artigo da Science, os pesquisadores explicam que "matérias-primas de biomassa com menos lignina ou com lignina mais degradável iriam reduzir os elevados custos de processamento e a pegada de carbono do papel, de biocombustíveis e produtos químicos". A possibilidade de aplicar o conhecimento no desenvolvimento de variedades genéticas de outras plantas poderia significar o rompimento da barreira que ainda põe em marcha lenta a indústria dos combustíveis celulósicos.
Na imprensa internacional a descoberta tem sido citada como possível solução para o fim do uso de culturas alimentares para a fabricação de combustíveis. A utilização de alimentos na produção de energia é uma fonte de grande preocupação para norte-americanos e europeus que destinam, respectivamente, o milho e a beterraba para a produção de etanol.
Saiba mais sobre a descoberta clicando aqui (em inglês).
Amanda SchArr - NovaCana
Com informações da Stanford University e Science
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