Conheça como pode ser futuro do etanol de segunda geração no Brasil na visão do BNDESO BNDES deu algumas pistas sobre quais estratégias o governo pode implantar no Brasil para fazer o etanol celulósico vencer os novos desafios e se firmar na matriz energética nacional. O banco sugeriu mudanças como uma forma de atualização da política governamental implementada alguns anos atrás para o etanol celulósico.
A fase inicial do plano do governo foi considerada um sucesso, com a significativa aprovação de 3,3 bilhões de reais de estímulo a nascente indústria dos biocombustíveis de segunda geração.
No entanto, os desafios agora são outros. A instituição de fomento do governo federal fala sobre eles e apresenta como o governo pode estabelecer políticas públicas para a nova fase do etanol que começa a ganhar forma no Brasil.
Veja também:
- Os desafios que as usinas de etanol celulósico vão enfrentar
- Agora que os investimentos não são mais um problema, como deve o etanol de 2ª geração deve ser estimulado?
- A proposta de criação de um acompanhamento de custos, um benchmark para o mercado
- A alteração sugerida nas políticas públicas
- EUA X Brasil X Europa: O volume de etanol de 2ª geração que o Brasil deve produzir
Se a nascente indústria brasileira para o etanol de segunda geração tem um padrinho, pode-se dizer que este se chama PAISS. O Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS) fomentou um ambiente que era quase inexistente no Brasil. Promovido em atuação integrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) o plano fez com que os aportes em inovação no setor de açúcar e etanol saltassem de aproximadamente R$ 100 mil para mais de R$ 3 bilhões em apenas dois anos.
Mas se investimentos não são mais um problema, em análise publicada na última revista setorial, o BNDES ressalva que há outras batalhas a serem enfrentadas. "Ainda que a tecnologia de etanol 2G tenha evoluído bastante, as primeiras plantas deverão encontrar desafios importantes de custos, sobretudo pela falta de economia de escala para insumos importantes, como o fornecimento de enzimas", comenta o banco.
As enzimas são utilizadas na hidrólise – a segunda etapa do processo 2G – para liberar da celulose os açúcares de cinco e seis carbonos. Atualmente os projetos já confirmados – da GranBio e Raízen – optaram pelas enzimas fornecidas pela dinamarquesa Novozymes, empresa que lidera o mercado de enzimas e planeja a construção de uma nova fábrica no Brasil para atender os projetos em andamento. Outra possibilidade de aliar biotecnologia aos projetos é a utilização de leveduras geneticamente modificadas, como escolheu a GranBio, capazes de fermentar açúcares de cinco carbonos.
Mas a engenharia genética emprenhada nesses microrganismos ainda é bastante cara. "Assim, seria oportuna a criação de mecanismos de incentivo ao consumo do etanol 2G, a exemplo do que ocorre nos EUA (subsídio de US$ 1 por galão e mandato de mistura específico para etanol 2G", sugere o BNDES.
A exemplo da experiência norte-americana, o banco também defende que o poder público, ao mesmo tempo em que incentive o consumo, esteja a par de como os custos evoluem. "Além disso, a fim de demonstrar a evolução dos custos do etanol 2G no Brasil, seria apropriada a realização de estudo semelhante ao que o National Renewable Energy Laboratory (NREL) executa nos EUA. Os custos obtidos a partir de testes empíricos seriam úteis não só para balizar eventuais políticas públicas para o etanol 2G, como também serviriam de benchmark para todos aqueles dedicados ao desenvolvimento dessa indústria", diz o texto.
Entretanto, em um momento que a indústria norte-americana e europeia recuam em seus investimentos para biocombustíveis avançados, após uma série de expectativas frustradas, os projetos brasileiros se estruturam com empreendimentos sendo planejados para a década que segue.
"Em número, tamanho e qualidade de projetos, a iniciativa de fomento provou-se bem-sucedida", afirma a avaliação do programa. Com 39 operações em andamento – sendo 16 na carteira do BNDES (R$ 2,1 bilhões) e 23 na da Finep (R$ 1,3 bilhões) – o orçamento original de R$ 1 bilhão foi em muito ultrapassado e a carteira total do PAISS chega a cerca de R$ 3,3 bilhões, sendo que mais de 70% do valor já está na fase final do trâmite para liberação.
"O orçamento original de R$ 1 bilhão foi posto em xeque já na etapa de manifestação de interesse, quando os investimentos potenciais totais das empresas participantes chegaram a pouco mais de R$ 10 bilhões. Na etapa de envio dos PNs [planos de negócios], tais investimentos potenciais eram de aproximadamente R$ 6 bilhões. Depois da seleção dos PNs e envio dos projetos derivados, a carteira atual do PAISS é de R$ 3,3 bilhões, dos quais R$ 2,4 bilhões já estão aprovados ou contratados", detalha o estudo.
"O Paiss trouxe como benefício o aumento do poder de indução de cooperações empresariais (formação de consórcios) e parcerias entre empresas e institutos de ciência e tecnologia", comenta a publicação. Sete consórcios foram formados entre empresas e dez parcerias entre empresas e universidades.
No escopo do plano, atualmente existem 16 projetos referentes a etanol 2G, 22 projetos referentes a novos produtos e um projeto referente à gaseificação. "Além disso, outras empresas que não participaram do PAISS também começaram a realizar suas próprias atividades de P&D e/ou buscar o escalonamento de seus processos produtivos".


Com a difusão das novas tecnologias de conversão da biomassa, o BNDES considera que a produção brasileira de etanol poderia acrescentar, anualmente, mais de dez bilhões de litros. O volume significaria R$ 12 bilhões de faturamento adicional para o setor.
O trabalho completo possui 24 páginas e pode ser acessado na íntegra aqui (.pdf).
Amanda SchArr – NovaCana
A fase inicial do plano do governo foi considerada um sucesso, com a significativa aprovação de 3,3 bilhões de reais de estímulo a nascente indústria dos biocombustíveis de segunda geração.
No entanto, os desafios agora são outros. A instituição de fomento do governo federal fala sobre eles e apresenta como o governo pode estabelecer políticas públicas para a nova fase do etanol que começa a ganhar forma no Brasil.
Veja também:
- Os desafios que as usinas de etanol celulósico vão enfrentar
- Agora que os investimentos não são mais um problema, como deve o etanol de 2ª geração deve ser estimulado?
- A proposta de criação de um acompanhamento de custos, um benchmark para o mercado
- A alteração sugerida nas políticas públicas
- EUA X Brasil X Europa: O volume de etanol de 2ª geração que o Brasil deve produzir
Se a nascente indústria brasileira para o etanol de segunda geração tem um padrinho, pode-se dizer que este se chama PAISS. O Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS) fomentou um ambiente que era quase inexistente no Brasil. Promovido em atuação integrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) o plano fez com que os aportes em inovação no setor de açúcar e etanol saltassem de aproximadamente R$ 100 mil para mais de R$ 3 bilhões em apenas dois anos.
Mas se investimentos não são mais um problema, em análise publicada na última revista setorial, o BNDES ressalva que há outras batalhas a serem enfrentadas. "Ainda que a tecnologia de etanol 2G tenha evoluído bastante, as primeiras plantas deverão encontrar desafios importantes de custos, sobretudo pela falta de economia de escala para insumos importantes, como o fornecimento de enzimas", comenta o banco.
As enzimas são utilizadas na hidrólise – a segunda etapa do processo 2G – para liberar da celulose os açúcares de cinco e seis carbonos. Atualmente os projetos já confirmados – da GranBio e Raízen – optaram pelas enzimas fornecidas pela dinamarquesa Novozymes, empresa que lidera o mercado de enzimas e planeja a construção de uma nova fábrica no Brasil para atender os projetos em andamento. Outra possibilidade de aliar biotecnologia aos projetos é a utilização de leveduras geneticamente modificadas, como escolheu a GranBio, capazes de fermentar açúcares de cinco carbonos.
Mas a engenharia genética emprenhada nesses microrganismos ainda é bastante cara. "Assim, seria oportuna a criação de mecanismos de incentivo ao consumo do etanol 2G, a exemplo do que ocorre nos EUA (subsídio de US$ 1 por galão e mandato de mistura específico para etanol 2G", sugere o BNDES.
A exemplo da experiência norte-americana, o banco também defende que o poder público, ao mesmo tempo em que incentive o consumo, esteja a par de como os custos evoluem. "Além disso, a fim de demonstrar a evolução dos custos do etanol 2G no Brasil, seria apropriada a realização de estudo semelhante ao que o National Renewable Energy Laboratory (NREL) executa nos EUA. Os custos obtidos a partir de testes empíricos seriam úteis não só para balizar eventuais políticas públicas para o etanol 2G, como também serviriam de benchmark para todos aqueles dedicados ao desenvolvimento dessa indústria", diz o texto.
Entretanto, em um momento que a indústria norte-americana e europeia recuam em seus investimentos para biocombustíveis avançados, após uma série de expectativas frustradas, os projetos brasileiros se estruturam com empreendimentos sendo planejados para a década que segue.
Investimentos já aprovados
O BNDES realizou uma análise do PAISS com o objetivo de saber se os planos de fomento estruturado podem ser os mecanismos mais eficientes de políticas estruturais."Em número, tamanho e qualidade de projetos, a iniciativa de fomento provou-se bem-sucedida", afirma a avaliação do programa. Com 39 operações em andamento – sendo 16 na carteira do BNDES (R$ 2,1 bilhões) e 23 na da Finep (R$ 1,3 bilhões) – o orçamento original de R$ 1 bilhão foi em muito ultrapassado e a carteira total do PAISS chega a cerca de R$ 3,3 bilhões, sendo que mais de 70% do valor já está na fase final do trâmite para liberação.
"O orçamento original de R$ 1 bilhão foi posto em xeque já na etapa de manifestação de interesse, quando os investimentos potenciais totais das empresas participantes chegaram a pouco mais de R$ 10 bilhões. Na etapa de envio dos PNs [planos de negócios], tais investimentos potenciais eram de aproximadamente R$ 6 bilhões. Depois da seleção dos PNs e envio dos projetos derivados, a carteira atual do PAISS é de R$ 3,3 bilhões, dos quais R$ 2,4 bilhões já estão aprovados ou contratados", detalha o estudo.
Números da segunda geração no Brasil
Conforme o banco, 57 empresas iniciaram sua participação no processo seletivo, das quais 39 foram selecionadas e convidadas a enviar seus planos de negócios. Na etapa seguinte, foram selecionados 35 planos de 25 empresas diferentes. Desses derivaram sessenta projetos, muitos deles em parceria entre as companhias."O Paiss trouxe como benefício o aumento do poder de indução de cooperações empresariais (formação de consórcios) e parcerias entre empresas e institutos de ciência e tecnologia", comenta a publicação. Sete consórcios foram formados entre empresas e dez parcerias entre empresas e universidades.
No escopo do plano, atualmente existem 16 projetos referentes a etanol 2G, 22 projetos referentes a novos produtos e um projeto referente à gaseificação. "Além disso, outras empresas que não participaram do PAISS também começaram a realizar suas próprias atividades de P&D e/ou buscar o escalonamento de seus processos produtivos".

Brasil X EUA X Europa
A partir dos projetos e investimentos em curso, o BNDES considera que dentro de dois anos o Brasil estará produzindo mais etanol 2G que a Europa. "Como resultados desses investimentos, a estimativa para a produção de etanol 2G atingirá quase 170 milhões de litros/ano, patamar que coloca o Brasil à frente do continente europeu e reduz a distância para a realidade Americana", finaliza.
Com a difusão das novas tecnologias de conversão da biomassa, o BNDES considera que a produção brasileira de etanol poderia acrescentar, anualmente, mais de dez bilhões de litros. O volume significaria R$ 12 bilhões de faturamento adicional para o setor.
O trabalho completo possui 24 páginas e pode ser acessado na íntegra aqui (.pdf).
Amanda SchArr – NovaCana