Em ata publicada no Diário Oficial de São Paulo, a usina Santa Fé, do grupo Itaquerê, divulgou que seu conselho de administração aprovou uma captação de recursos por meio de cédulas de crédito à exportação (CCEs), no valor de R$ 34 milhões.
A reunião aconteceu via videoconferência no final de setembro. Na ocasião, também foi sancionada a autorização para que a diretoria da usina possa negociar a formalização das CCEs, incluindo a definição de garantias, condições e cláusulas referentes à pagamento de juros remuneratórios, cronograma, eventos de vencimento antecipado e outros detalhes legais.
Os recursos vão entrar em boa hora no caixa da companhia que, no fechamento da safra 2020/21, registrou um prejuízo de 19,50 milhões. O valor representa um retorno aos números negativos, após um lucro de R$ 17,83 milhões no ciclo anterior.

Entretanto, o resultado não foi o pior já visto pela companhia. Em 2014/15, a Santa Fé teve perdas de R$ 23,61 milhões, no maior prejuízo da série histórica começada em 2013.
Mesmo com o resultado líquido negativo, a unidade viu sua receita operacional aumentar 27,3% no período, fechando a safra com R$ 838,06 milhões. Os custos também subiram, mas a uma menor taxa, 10,1%, totalizando R$ 550,11 milhões durante a safra 2020/21.

Com isso, a relação entre as receitas e os custos da empresa ficou em 65,6%, dez pontos percentuais abaixo do índice visto na temporada anterior. Na série histórica, este é o melhor desempenho do índice que, em 2014/15, chegou a 83,8%.
Entretanto, a empresa contabilizou um acréscimo de apenas 0,4% em seu lucro bruto, com R$ 144,50 milhões no ciclo 2020/21. Isso aconteceu porque a companhia considerou uma desvalorização de R$ 2,09 milhões em seu ativo biológico (cana em pé) e perdas contábeis de R$ 141,37 milhões relativas a adoção do CPC 48.

A CPC 48 é uma norma abrangente que altera a forma como são contabilizados os ativos de uma empresa, afetando principalmente as companhias que possuem títulos de dívida e patrimoniais.
Por sua vez, a posição das dívidas com empréstimos e financiamentos da Santa Fé também teve alterações no último ano. Em 31 de março de 2021, os débitos da companhia totalizavam R$ 805,34 milhões, queda de 0,9% no comparativo anual.

Além de apresentar esta redução, a companhia alongou seu endividamento. Do total devido pela Santa Fé ao final da safra, R$ 555,51 milhões eram referentes a dívidas com vencimento a longo prazo, um crescimento de 17,5% ante os R$ 472,82 milhões vistos um ano antes.
Com isso, a posição dos empréstimos com vencimento em curto prazo caiu 26,5% entre os dois últimos anos, indo de R$ 339,87 milhões para R$ 249,83 milhões.
Giully Regina – NovaCana