Após dois meses de retração, os preços dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, registraram alta. Na primeira quinzena de julho, os títulos foram negociados por, em média, R$ 61,77, aumento de 3,7% em relação à quinzena anterior.
Apesar do acréscimo, o valor ainda está 10,4% abaixo da média de 2025, de R$ 68,94. Além disso, em comparação com a média histórica do programa, de R$ 85,15, a queda chega a 27,5%.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana com base nos dados da bolsa de valores brasileira B3, a única entidade registradora do programa.

No decorrer das primeiras semanas de julho, o preço diário dos créditos não teve muitas oscilações, variando entre R$ 59,05 e R$ 64. O maior valor foi visto no dia 2, enquanto o menor ocorreu no dia 4.
De acordo com a B3, ocorreram 1,37 mil negociações no período, movimentando 2,8 milhões de créditos.
Ainda conforme a bolsa de valores brasileira, entre janeiro e junho, o volume financeiro das negociações alcançou R$ 2,88 bilhões. O valor ficou 30,8% abaixo do montante visto no mesmo recorte de tempo de 2024, quando foram movimentados R$ 4,17 milhões. O cenário reflete a queda nos preços, registrada ao longo deste ano.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Entre os dias 1º e 15 de julho, as usinas certificadas no RenovaBio emitiram 1,53 milhão de títulos, aumento de 8,1% na comparação anual.
No primeiro semestre de 2025, 21,37 milhões de títulos foram emitidos pelas usinas participantes, alta de 2,9% em relação aos seis primeiros meses de 2024.
No acumulado do ano, considerando a primeira quinzena de julho, foram escriturados 22,9 milhões de CBios, acréscimo de 3,3% em comparação com os 22,17 milhões emitidos no mesmo período do ano passado.

De acordo com a ANP, 333 usinas estão atualmente certificadas para a emissão dos créditos do RenovaBio. Destas, quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 291 usinas de etanol certificadas, 275 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; oito processam cana e milho; sete apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do programa até agora, 181,63 milhões de CBios já foram emitidos pelas sucroenergéticas.

No dia 15 de julho, a B3 fechou a sessão com 27,79 milhões de créditos em circulação. O montante já alcança mais da metade da meta prevista para 2025, de 49,36 milhões de CBios.
O objetivo anual, atualizado em março pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), inclui os 10,49 milhões de CBios que ficaram pendentes do ano passado. Além disso, foram descontados os 1,52 milhão de créditos abatidos das metas individuais das distribuidoras que cumpriram contratos de longo prazo com produtores de biocombustíveis.
Do total de CBios disponíveis no mercado ao final da quinzena, 55,8%, ou 15,51 milhões, estavam em posse das usinas certificadas no RenovaBio. As distribuidoras detinham 12,07 milhões, ou 43,4%. Os 210,34 mil créditos restantes (0,8%) estavam com investidores sem metas.

Na primeira quinzena de julho, 301,67 mil créditos foram aposentados, alta de 81% em relação aos 166,63 mil títulos que saíram de circulação no mesmo período de 2024.
No acumulado do ano, 11,57 milhões de CBios saíram do mercado. Ou seja, apenas 23,4% da meta foi realmente alcançada até agora.
Somando os créditos disponíveis, os que foram retirados de circulação em 2025 e os 181 mil títulos que foram aposentados de forma antecipada no ano passado, o volume total chega a 39,54 milhões de CBios, ou 80,1% do objetivo atual.

De acordo com a B3, as últimas aposentadorias por companhias sem metas a cumprir no programa ocorreram em março. No dia 12, foram retirados circulação 23 mil créditos e, no dia 14, outros 200.
Segundo as regras do RenovaBio, a retirada de títulos feita pelas partes não obrigadas pode ser deduzida dos objetivos finais do programa. Com isso, as aposentadorias feitas durante o ciclo 2025 devem ser contabilizadas no próximo ano.
Giully Regina – NovaCana
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