Com a demanda desaquecida logo após o recesso de carnaval e algumas usinas ainda produzindo, vendedores paulistas reduziram um pouco mais os valores pedidos pelo açúcar cristal. No final da semana passada, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, voltou fechar na casa dos 81 reais/saca de 50 kg, depois de ter atingido os 84 reais/sc em janeiro. Na sexta-feira 12, o Indicador fechou a R$ 81,59/saca de 50 kg, com queda de 0,86% em relação à sexta anterior.
Apesar das recentes baixas, as vendas do cristal no mercado paulista ainda remuneram mais que as exportações. Em janeiro, foram embarcadas 1,496 milhão de toneladas de açúcar, o menor volume para o mês desde 2013, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Esse resultado foi superior ao de janeiro de 2012, quando 1,248 milhão toneladas foram exportadas. Em janeiro/16, a receita somou US$ 432,9456 milhões.
De 8 a 12 de fevereiro, as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 12,39% a mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ foi de R$ 81,81/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures (Bolsa de Nova York), com vencimento em Março/16, equivaleriam a R$ 72,79/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 47,61/t de fobização, de US$ 95,75/t de prêmio de qualidade e dólar de R$ 3,969.
Em relatório de acompanhamento da safra 2015/16, a Unica confirmou produção menor de açúcar no atual ciclo. De abril/15 até final e janeiro/16, a região Centro-Sul produziu 30,683 milhões de toneladas de açúcar, 4,04% a menos que as 31,974 produzidas em igual período da temporada anterior (2014/15).
Ainda segundo a Unica, apesar do período de entressafra, algumas usinas da região Centro-Sul ainda estiveram em plena atividade em janeiro. O total de cana-de-açúcar moída na segunda quinzena do mês foi de 3,934 milhões de toneladas, quase 5 vezes mais que o de igual quinzena de janeiro/15 (821 mil toneladas). Mesmo com o mix de produção na quinzena mais favorável ao etanol – que utilizou 72,48% do total da cana moída –, o aumento expressivo no processamento da cana neste período do ano pressionou as cotações do açúcar demerara na Bolsa de Nova York.
De sexta a sexta, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Março/16) da ICE Futures caiu 0,9%, fechando a 13,15 centavos de dólar por libra-peso no dia 12. Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Março/16 recuou 3,41% de sexta a sexta, fechando a semana a US$ 382,50/tonelada.
O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, subiu ligeiro 0,06% na semana, fechando a R$ 80,61/saca 50 kg na sexta.
No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 9,2037/saca de 5 kg na sexta-feira, queda de 1,07% sobre a sexta anterior. Já o açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,2223/saca de 1 kg, com alta de 0,22% no mesmo período.
No Nordeste, a liquidez foi baixa na semana passada e os preços seguiram estáveis. A expectativa é que o ritmo dos negócios se aqueça nesta semana.
No mercado de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível subiu 0,56% e o hidratado, 0,58% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou queda de 0,86% entre as duas sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 29,93% a mais que o anidro e 35,3% a mais que o hidratado.