Os contratos futuros de açúcar demerara continuam pressionados no curto prazo pelo mix mais açucareiro no Centro-Sul do Brasil. No entanto, participantes afastam perdas expressivas para a tela de julho na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A avaliação é de que a demanda no físico está sustentada, impedindo quedas bruscas no mercado.

"Os prêmios não estão caindo no Centro-Sul. Na semana passada, por exemplo, ficaram perto da estabilidade, até um pouco acima do que estavam sendo negociados", comentou João Paulo Botelho, da INTL FCStone. "(Os vendedores) não estão tendo dificuldades em negociar o produto", acrescentou.
Na quarta-feira passada (11), por exemplo, o total de navios que aguardavam para embarcar açúcar nos portos brasileiros era de 42, ante 36 uma semana antes, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O carregamento agendado era de 1,778 milhão de toneladas, com o maior volume sendo embarcado no Porto de Santos (1,429 milhão de toneladas, ou 80% do total). Na sequência estavam Paranaguá (323,600 mil t, ou 18%) e Maceió (25 mil t, ou 2%).
Outro fator que deve manter os contratos sustentados é o clima no Centro-Sul do Brasil. A meteorologia prevê chuvas nos próximos dias no Centro-Sul do Brasil. Depois de um mês de abril praticamente seco, a chegada de frentes frias pode impedir a entrada de máquinas no canaviais, atrapalhando o ritmo de colheita.
Graficamente, o suporte psicológico de 16,50 cents por libra-peso é visto como um "impulsionador" de demanda. Nesta quarta-feira, o mercado tentou cotações abaixo de 16,40 cents/lb, mas o interesse de compra contribuiu para colocar os futuros em terreno positivo antes do fim do pregão.
Entre agentes, o consenso é de que, por ora, apenas os fundos e especuladores têm potencial para provocar uma desvalorização para além dos 16,50 cents/lb. Detendo um saldo comprado recorde de 250 mil lotes e sensíveis a quaisquer informações, esses participantes podem desencadear uma liquidação de posições a qualquer momento - a última delas foi em 5 de maio, quando o recuo beirou 100 pontos.
Ontem, julho cai 1 ponto (0,06%) e encerrou em 16,81 cents/lb, com máxima no dia de 16,87 cents/lb (mais 5 pontos) e mínima de 16,36 cents/lb (menos 46 pontos). Outubro perdeu 2 pontos (0,12%) e terminou em 17,08 cents/lb. O spread julho/outubro variou de 28 pontos para 27 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a quarta-feira em R$ 75,72/saca (+0,37%). Em dólar, ficou em US$ 21,27/saca (-1,66%). A moeda norte-americana fechou em R$ 3,5593 (+2,00%).
