Os futuros de açúcar demerara fecharam sem direção definida ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), em movimento de consolidação após os ganhos expressivos da última semana. Analistas observam, porém, que os contratos voltaram a encontrar forte resistência nos psicológicos 15 cents por libra-peso. A avaliação é de que a demanda se retrai com força acima desse patamar.
As cotações tentam deixar esse nível de preço para trás desde o início de novembro, mas sem sucesso. De lá para cá, conseguiram se manter no terreno de 15 cents/lb em apenas 14 ocasiões, sempre seguidas de fortes perdas. A máxima nesse período foi de 15,85 cents/lb, no dia 4 de dezembro.
A firmeza observada nos últimos pregões se deve a uma conjunção de fatores altistas já assimilados pelos participantes: reposicionamento de fundos e chuvas em excesso no Brasil. Já a seca na Índia até continua a dar suporte, mas ontem pairaram dúvidas entre participantes sobre o real impacto da estiagem nos canaviais do país asiático. De outubro até 15 de janeiro, as usinas indianas fabricaram 11 milhões de toneladas do alimento, quase 7% mais na comparação anual - e isso para um país que sofreu com chuvas de monções irregulares ao longo de 2015.
Nos gráficos, os futuros apresentam resistência, portanto, nos 15 cents/lb. Para baixo, há um suporte inicial nos 14,78 cents/lb (média dos últimos 20 dias), seguido pelo de 14,50 cents/lb.
O contrato com vencimento em março caiu 17 pontos (1,14%) e fechou a terça-feira em 14,75 cents/lb, com máxima de 15,10 cents/lb e mínima de 14,65 cents/lb. Os lotes para maio recuaram 7 pontos e terminaram em 14,41 cents/lb. O spread março/maio variou de 44 para 34 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 84,49/saca, baixa de 0,11% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,87/saca.
Conforme o centro de estudos, embora o ritmo de negócios envolvendo o açúcar tenha diminuído um pouco na última semana, os valores médios do cristal seguiram em alta no mercado spot paulista. "Representantes de usinas priorizaram a entrega de contratos, restringindo, assim, a oferta no spot. Nesse cenário, o preço do cristal atingiu a casa dos R$ 84,00 por saca, o maior patamar desde setembro de 2011.
Quanto às paridades, de 11 a 15 de janeiro, as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 9,38% mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 84,08/saca, as cotações do contrato março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 76,87/saca.
