Em meio ao turbilhão político no Brasil, o dólar voltou a pressionar os futuros de açúcar demerara ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As perdas, contudo, não foram das mais expressivas, e os contratos se mantêm, inclusive, acima do suporte de 15,30 cents por libra-peso. Para analistas, o déficit esperado para a safra 2015/16 tem cada vez mais força na orientação das cotações.
"O mercado está considerando o déficit, perto de 7 milhões de toneladas", comentou João Paulo Botelho, da INTL FCStone. No geral, a avaliação entre participantes é de que o déficit na atual temporada, que se encerra em 30 de setembro, ficará entre 5 milhões e 8 milhões de toneladas, interrompendo uma série de cinco anos consecutivos de excedente.
Esse cenário vai ficando mais claro à medida em que as usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil postergam o início da safra 2016/17 por causa das chuvas. Ontem, foram relatadas precipitações volumosas na região de Ribeirão Preto (SP). E a previsão é de que a umidade volte a aumentar na semana que vem com a chegada de uma nova frente fria à principal região produtora do País.
Os temores quanto à oferta, portanto, fazem frente ao movimento cambial no Brasil. Nesta terça-feira, as articulações entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram combustível para a disparada do dólar. A divisa fechou em R$ 3,7612 (+3,11%). Para alguns agentes, porém, a pressão do dólar será mais forte caso se aproxime novamente dos R$ 4.
Por ora, os futuros trabalham com suporte inicial nos 15,30 cents por libra-peso e resistência nos psicológicos 15,50 cents/lb.
Ontem, maio recuou 10 pontos (0,65%) e terminou em 15,32 cents/lb, com máxima no dia de 15,42 cents/lb (estável) e mínima de 15,06 cents/lb (menos 36 pontos). Julho caiu 6 pontos (0,39%) e encerrou em 15,27 cents/lb. O spread maio/julho variou de 9 para 5 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar diminuiu de 18 para 16 na semana encerrada quarta-feira passada (9), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 21 de março.
Foi agendado o carregamento de 533,88 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 448,88 mil t, ou 84% do total. Paranaguá responderá por 10% (55 mil t) e Maceió, por 6% (30 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a terça-feira em R$ 77,60/saca, baixa de 0,40%. Em dólar, ficou em US$ 22,66 (-3,37%).