Matérias-primas alternativas

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Empresas defendem etanol de sorgo, apesar da baixa produção de 2012/2013


NovaCana - Publicado: 02 Abr 2013 - 07:42 | Atualizado: 02 Abr 2013 - 17:19
Sorgo Sacarino
Na última reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada no dia 14 de março, representantes da Embrapa Milho e Sorgo e da Ceres defenderam que a expansão do uso do sorgo sacarino na produção de etanol na safra 2013/2014 depende de políticas públicas e incentivos financeiros.

Para a Embrapa, uma porcentagem do valor dos empréstimos liberados como parte do plano de incentivo à cultura da cana-de-açúcar deve ser disponibilizada para o cultivo de sorgo sacarino. Segundo a apresentação da empresa, "a liberação de Cartas de Crédito (...) associada à queda de juros tomados para a cultura do sorgo" viabilizaria a produção de etanol a partir do cereal.

A Ceres foi além, sugerindo o desenvolvimento de metodologia de pagamento não baseado em ATR, processos mais simples de empréstimos, programas de incentivo e redução de custos para aquisição de máquinas de alta tecnologia, bônus por litro de etanol para usinas e destilarias que usem o sorgo, e redução de taxas sobre produtos e insumos utilizados na cultura do sorgo.

Estes benefícios poderiam impulsionar o uso do cereal, que, segundo a Embrapa, ficou estagnado na safra 2012/2013: ao invés dos 100 mil hectares previstos no Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, a área destinada ao plantio do cereal foi de 10 mil hectares e a estimativa inicial de produção de 2.500 L/ha de etanol não será atingida – ela deve ser de até 2.400 L/ha em lavouras de grande porte (40 t/ha de colmos de sorgo) e 1.500 L/ha em lavoura com produção de até 30 t/ha.

A baixa produtividade é explicada pela empresa pelas condições climáticas desfavoráveis, pelo uso de materiais genéticos com baixa qualidade e pelo manejo cultural inadequado. Já o desinteresse pela cultura do sorgo, evidenciado pela baixa procura por recursos do governo alocados para ela, é justificado pelo atraso no lançamento do Plano Agrícola pela falta de conhecimento das agências liberadoras dos recursos e do setor sobre o potencial do sorgo sacarino, problemas de crédito em grupos produtores, regulação de protetivos comerciais para uso em lavouras de sorgo e limitada capacitação e treinamento da assistência técnica.

Para 2013/2014, as perspectivas são otimistas e podem ser produzidos 3.000 L/ha de etanol a partir do sorgo sacarino. Num período de 30 dias, a produção de colmos deve ficar em 50t/ha e a de etanol em 60L/t.

Sorgo, uma alternativa para aumentar a produtividade

Gramínea tropical comumente usada na produção de grãos e forragem para alimentação animal, o sorgo do tipo sacarino, rico em caldo e açúcares, vem, desde 2008, sendo testado como alternativa para incrementar a produção de etanol do país. A ideia é que ele seja plantado em novembro e dezembro, com colheita em março e abril, o período da entressafra da cana.

Além da produção de etanol num período em que o brix da cana é baixo, o uso do sorgo pode aliviar os custos fixos da usina no período e aumentar tanto o tempo de operacionalidade das usinas, como a utilização de mão-de-obra. Outras implicações positivas seriam o aumento na produção de biomassa para usos diversos, inclusive cogeração de energia, e aumento nos empregos e na renda local/regional.

Desde que foi identificado este potencial, o cereal passou a ser objeto de estudos de melhoramento genético realizados por diversas empresas, como as nacionais Embrapa e a Ceres, e a multinacional CanaVialis. Cada uma delas já disponibiliza 5, 8 e 4 híbridos de sorgo, respectivamente. O objetivo é aumentar a tolerância da planta à seca – naturalmente mais alta do que de outros cereais – e à salinidade, e aumentar a biomassa e os açúcares.

Vivian Faria - novaCana.com