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Dedini dará preferência para funcionários; proposta é pagar credores em prazo de 12 anos

A companhia vai pagar R$ 574 mil por mês a funcionários demitidos em Piracicaba. Determinação da Justiça do Trabalho é que pagamento comece dia 29


G1 - Publicado: 18 Nov 2015 - 07:49

A Dedini Indústria de Base S/A, metalúrgica com atuação voltada ao setor sucroalcooleiro, terá de pagar R$ 574 mil por mês a 468 trabalhadores que foram demitidos entre fevereiro de 2014 e agosto deste ano em Piracicaba (SP). A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Metalúrgicos após audiência realizada na Justiça do Trabalho. A empresa não se posicionou sobre o assunto.

De acordo com o sindicato, o valor foi proposto pela Dedini e a juíza Valéria Candido Peres determinou que o pagamento seja realizado todo dia 29, a partir deste mês. A audiência, informou a entidade, foi na tarde da última quarta-feira (11) e reuniu sindicalistas e representantes da empresa.

Com a determinação judicial, ficou definido que os funcionários demitidos em agosto de 2015 vão receber R$ 1 mil por mês mais ticket alimentação. Já os trabalhadores desligados em fevereiro e novembro de 2014 receberão R$ 1.226 mensais.

A determinação não beneficia funcionários da empresa que foram demitidos da unidade de Sertãozinho (SP). Isso acontece porque os processos desses trabalhadores pertencem a outra regional da Justiça do Trabalho e eles têm também uma representação sindical diferente.

Futuro dos trabalhadores

A Dedini passa por processo de recuperação judicial para tentar evitar a falência. Neste período a empresa é administrada por uma companhia nomeada pela Justiça, a Deloitte. "Os pagamentos serão feitos até a assembleia de credores (que deve ocorrer em fevereiro ou março de 2016). Depois, o restante será pago em até 12 parcelas", informa nota do Sindicato dos Metalúrgicos.

"Alguns imóveis e outras penhoras para a quitação dos créditos dos trabalhadores foram disponibilizados pela empresa, mas dependem do processo de recuperação judicial", diz a nota do sindicato.

A proposta, segundo o jornal Valor Econômico, é pagar integralmente já no primeiro ano apenas os créditos trabalhistas, de R$ 32,654 milhões. Também no primeiro ano, e com valor integral, seriam pagas as rescisões trabalhistas (após a recuperação judicial) calculadas em R$ 20 milhões.

O plano divulgado pela Dedini ainda contempla uma readequação dos custos administrativos e do quadro de funcionários, com a demissão de 500 dos atuais 1,7 mil empregados. Para a readequação operacional, o plano considera ainda o fechamento da unidade industrial de Sertãozinho (SP), que está rodando com apenas de 15% a 20% de sua capacidade produtiva.

Recuperação judicial e situação financeira

De acordo com informações divulgadas pelo Valor Econômico, a Dedini tem um passivo de R$ 1,8 bilhão, sendo que apenas R$ 175,2 milhões – menos de 10% –, está sujeito à recuperação. O restante está distribuído entre dívidas tributárias (R$ 1,432 bilhão) e endividamento bancário com alienação fiduciária (R$ 300 milhões), em que a garantia é o próprio bem e, portanto, não sujeita à recuperação judicial.

Ainda segundo o jornal, o plano que será votado pelos credores em assembleia prevê o pagamento do passivo (exceto o tributário) em até 12 anos. Para os credores com garantia real, que têm a receber R$ 4 milhões, e os de micro e pequenas empresas, com R$ 1,9 milhão de crédito, a proposta é um desconto de 50% e o pagamento no segundo ano após a aprovação do plano.

Já os credores quirografários, que têm a receber R$ 50,2 milhões, também teriam que conceder desconto de 50% e aceitar receber a partir do terceiro ano, e em dez parcelas anuais. Além disso, estão contempladas na proposta de pagamento, ainda, as dívidas tributárias e as com alienação fiduciária.

Venda de ativos também faz parte da proposta

Também de acordo com o Valor Econômico, a projeção da empresa é atingir receita líquida operacional de R$ 306 milhões no primeiro ano de cumprimento do plano, com um crescimento anual de 1,5% ao ano nos anos seguintes. A Dedini, que já chegou em seu auge a faturar mais de R$ 2 bilhões, propõe a venda imediata de dois ativos: a Dedini Refratários e o imóvel onde esse ativo está instalado (Piracicaba).

Juntos, eles foram avaliados pela Siegen, consultoria independente que elaborou o plano de recuperação, em R$ 40 milhões, valor que será revertido para o pagamento das dívidas trabalhistas da Dedini, que tem assessoria jurídica do escritório Mandel Advocacia.

Com isso, as operações da Dedini ficariam concentradas na unidade localizada em Piracicaba (SP). Conforme a Siegen, estão sendo avaliados outras readequações operacionais, como a retirada de produtos de menor lucratividade do portfólio, assim como a terceirização de operações que não são o foco da empresa.

Com informações do Valor Econômico e edição adicional novaCana.com