A cooperativa CoafVale está assumindo a gestão da usina Pumaty, localizada na Mata Sul de Pernambuco, com sede na cidade de Joaquim Nabuco, a 116 km do Recife. É a terceira usina que passa a ser administrada por um grupo de fornecedores de cana-de-açúcar no estado. A CoafVale deve ficar à frente do empreendimento por dez anos.
A unidade tem capacidade de moer até 1,4 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra, segundo o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima.
“A CoafVale seguirá o mesmo padrão das demais cooperativas, por meio do sistema da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB-PE)”, explica Lima, que além de estar à frente da AFCP, é presidente da Coaf. Ele participou das negociações com os proprietários da empresa.
Anteriormente, a Pumaty passou dez anos sendo administrada por outra cooperativa, a Agrocan, que agora deixa a gestão da empresa.
Na atual safra, a Pumaty moeu cerca de 550 mil toneladas de cana-de-açúcar, embora tenha a capacidade para processar 1,4 milhão de toneladas da planta. A previsão é de que a usina gere mais de 5 mil postos de trabalho durante a próxima safra, prevista para começar em setembro deste ano.
O contrato de arrendamento da usina à CoafVale estava firmado desde 2023, mas aguardava validação da Justiça. A juíza da 3ª Vara Cível da Capital Valéria Maria Santos Máximo concluiu, nesta quarta-feira, 13, o julgamento da ação e autorizou o arrendamento. A CoafVale é presidida pelo fornecedor Carlos Antônio César de Albuquerque Filho, que também está à frente da CoafSul.
Na história recente de Pernambuco, o modelo de gestão por cooperativa foi iniciado pela Coaf na antiga usina Cruangi, em Timbaúba, na safra 2015/16. A segunda foi a CoafSul em Ribeirão, que está à frente da gestão da usina Estreliana desde a safra 2020/21, segundo informações da AFCP.
Mesmo com os nomes quase homônimos, cada Coaf tem sua gestão independente e, em sua maioria, um grupo de canavieiros cooperados diferentes
Liderada por Alexandre Andrade Lima, a Coaf terminou a safra em Timbaúba processando mais de 800 mil toneladas de cana-de-açúcar e com mais de 1,7 mil cooperados, gerando cerca de 5 mil empregos diretos durante a safra. Já a CoafSul tem 2 mil cooperados e moeu cerca de 400 mil toneladas.
“Quando começamos a fazer a gestão por meio de cooperativa, estavam fechando algumas unidades e os fornecedores estavam sem ter onde moer as suas canas. Antes das cooperativas, os fornecedores respondiam por 28% da cana-de-açúcar produzida em Pernambuco. Agora, quase 50% da cana-de-açúcar vem dos fornecedores”, relata Lima, que segue: “Isso não significa que toda a colheita dos fornecedores vá para as cooperativas, porque continuamos vendendo para as usinas”.
A categoria é responsável pela colheita e plantio de cerca de 7 milhões de toneladas da planta em Pernambuco. Segundo Lima, o setor está passando por um “bom momento” porque não há seca na Zona da Mata há pelo menos quatro anos. “E os preços do açúcar estão bons. Quem só produz o etanol, teve alguma dificuldade”, conclui.
Angela Belfort