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Decisão favorável à Usina Laginha libera R$ 700 milhões para execuções fiscais

João Lyra consegue utilização de crédito para pagamento de execuções fiscais da massa falida da Laginha. Ação de 1990 visa compensar perdas da defasagem dos preços do açúcar.


Tribuna Hoje - Publicado: 02 Jun 2016 - 09:01

O juiz Kléber Borba, responsável pelo processo de massa falida da Usina Laginha, concedeu decisão favorável à compensação de créditos relativos a perdas que a usina teve durante a década de 1990. O Grupo João Lyra possui cerca de R$ 2 bilhões de crédito com a União e a decisão, de acordo com contador do Grupo João Lyra, destina R$ 700 milhões para o pagamento de 70% das dívidas da massa falida.

Segundo o contador, doutor Marcolino, a compensação de créditos se baseia na lei 4.870 de 1965 que discorre sobre danos patrimoniais em virtude de comercialização do açúcar e do álcool fora dos parâmetros determinados. “A usina recebe o direito de reparação de créditos pela defasagem de créditos de preços do açúcar. Parte desse crédito vira garantia de execuções fiscais para pagamento das dívidas e recuperação da massa falida”, disse o contador.

O crédito de R$ 700 milhões deve ser utilizado para substituir a dívida com crédito tributário. O pagamento do valor é o primeiro passo para que a massa falida acabe com todas as dívidas em busca da recuperação judicial.

João Lyra, através de seus advogados, entrou com petição para que os créditos fossem utilizados para a quitação das dívidas da Laginha. A execução fiscal dos créditos também pode levar a pagamento de bancos públicos que entraram com ações para recebimento de valores pertinentes à ação da lei 4.870/65.

O pagamento das dívidas trabalhistas só deve ser feito quando ocorrer a venda da Usina Guaxuma, cujo arrendamento já tem audiência marcada para a próxima segunda-feira (6) às 15h quando haverá apresentação de propostas dos interessados com as garantias do negócio.

Um assessor de João Lyra destacou a vontade do gestor em resolver a situação da massa falida. “É uma vitória, ele sempre quis resolver a situação da falência, a questão da dívida”, relatou o assessor à reportagem do Tribuna Hoje.

De acordo com o assessor os R$ 700 milhões de crédito equacionam o Grupo João Lyra que tem vários imóveis dados como garantias, porém em valores subdimensionados. Ele citou o caso de um imóvel com valor de R$ 35 milhões utilizado como garantia em processo de R$ 3 milhões.

Com o crédito, as usinas e propriedades do grupo já não devem mais ser utilizadas como garantia para pagamento de processos trabalhistas referentes à massa falida da Usina Laginha.

Bruno Martins