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Datagro e Sucden esperam menos cana e menos açúcar na safra 2021/22

Questões climáticas observadas ao longo de 2020 e neste verão justificam perspectivas

NovaCana 8 min de leitura

“O setor não sabia se as sucroenergéticas teriam capacidade de chegar a produzir 38 milhões ou 39 milhões de toneladas de açúcar em uma safra”. A frase do economista sócio da Datagro, Bruno Freitas, durante o evento Abertura de Safra da consultoria realizado ontem (10), define o sentimento de um ano atrás, às vésperas do início da temporada 2020/21.

Hoje, o que era uma possibilidade se confirmou, com o setor ultrapassando as 38 milhões de toneladas de açúcar produzidas, conforme os números mais recentes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Em um ano marcado pela pandemia de coronavírus, com consequências para o consumo tanto da commodity quanto dos combustíveis, as usinas conseguiram entregar bons resultados, como reiterou o prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antônio Nogueira, durante o evento.

Agora, especialistas se dedicam a entender as consequências de um ano cheio de desafios, que vão além da pandemia, para a safra 2021/22, que inicia oficialmente em abril: questões climáticas, com chuvas aquém do histórico; preços valorizados para o açúcar e instáveis para o etanol; real desvalorizado com um câmbio volátil, dentre outros.

Na perspectiva da Datagro para o Centro-Sul, conforme apresentada por Freitas, a moagem deve cair, assim como o açúcar total recuperável (ATR) – que atingiu recordes ao longo de 2020/21 –, o que terá reflexo direto nos produtos da cana-de-açúcar. Uma das principais razões para isso são as chuvas abaixo do necessário, que atrasaram o desenvolvimento da plantação.

A estimativa é que sejam moídas 586 milhões de toneladas de cana em 2021/22, uma queda de 3,5% no comparativo com o número final esperado pela consultoria para a atual temporada, de 607,09 milhões. Por sua vez, a Sucden espera uma moagem de 577,5 milhões de toneladas.

Já no Norte-Nordeste, a Datagro espera aumento em praticamente todas as estimativas. A moagem, assim, ficaria em 55 milhões de toneladas, 3,8% acima das 53 milhões previstas para a conclusão de 2020/21.

Confira, na versão completa, restrita para assinantes, as estimativas para açúcar, ATR, etanol de cana e de milho em 2021/22 no Centro-Sul e no Norte-Nordeste.

“O setor não sabia se as sucroenergéticas teriam capacidade de chegar a produzir 38 milhões ou 39 milhões de toneladas de açúcar em uma safra”. A frase do economista sócio da Datagro, Bruno Freitas, durante o evento Abertura de Safra da consultoria realizado ontem (10), define o sentimento de um ano atrás, às vésperas do início da temporada 2020/21.

Hoje, o que era uma possibilidade se confirmou, com o setor ultrapassando as 38 milhões de toneladas de açúcar produzidas, conforme os números mais recentes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Em um ano marcado pela pandemia de coronavírus, com consequências para o consumo tanto da commodity quanto dos combustíveis, as usinas conseguiram entregar bons resultados, como reiterou o prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antônio Nogueira, durante o evento.

Agora, especialistas se dedicam a entender as consequências de um ano cheio de desafios, que vão além da pandemia, para a safra 2021/22, que inicia oficialmente em abril: questões climáticas, com chuvas aquém do histórico; preços valorizados para o açúcar e instáveis para o etanol; real desvalorizado com um câmbio volátil, dentre outros.

Na perspectiva da Datagro para o Centro-Sul, conforme apresentada por Freitas, a moagem deve cair, assim como o açúcar total recuperável (ATR) – que atingiu recordes ao longo de 2020/21 –, o que terá reflexo direto nos produtos da cana-de-açúcar. Uma das principais razões para isso são as chuvas abaixo do necessário, que atrasaram o desenvolvimento da plantação.

A estimativa é que sejam moídas 586 milhões de toneladas de cana em 2021/22, uma queda de 3,5% no comparativo com o número final esperado pela consultoria para a atual temporada, de 607,09 milhões. Em relação à concentração de ATR, a queda esperada é de 2,4%, ficando em 141,20 kg/t. Para Freitas, estes são os dois principais destaques das perspectivas.

“Teremos um ATR não tão favorável como o que vimos em 2020/21, que foi surpreendente, mas o índice previsto ainda é bastante alto considerando o histórico da região”, Bruno Freitas (Datagro)

O trader sênior da Sucden, Ulysses Carvalho, acredita que a visão da Datagro está otimista, esperando números menores. Para ele, o clima segue desfavorável para o setor em 2021. “Após um segundo semestre seco em 2020, as chuvas permaneceram abaixo da média durante o verão”, afirma.

Assim, sua análise é que o clima retardou o desenvolvimento da cana, fazendo com que os rendimentos agrícolas esperados fiquem em níveis mais baixos após o “bom desempenho” de 2020/21. Desta forma, ele espera uma moagem de 577,5 milhões de toneladas de cana na próxima safra.

Já o ATR, na sua opinião, deve voltar a um patamar regular após os recordes observados na safra atual, reduzindo a disponibilidade de sacarose na planta em 10%. Assim, são esperadas quedas tanto na produção de açúcar quanto na de etanol, com as usinas mantendo uma preferência pelo adoçante.

“Os futuros do açúcar e o câmbio desvalorizado permitiram que as usinas travassem preços em reais historicamente elevados contra um mercado de energia volátil e incerto”, Ulysses Carvalho (Sucden)

A Sucden ainda fez uma pesquisa com usinas da região de Ribeirão Preto e de São José do Rio Preto (SP) em que produtores comentaram que a questão da produtividade tem sido preocupante, especialmente devido à situação climática.

Em relação ao mix de produção das usinas, Freitas acredita que ele não deve mudar muito na próxima safra, especialmente devido às precificações dos produtos, mantendo o perfil açucareiro. “Mas é bom manter uma gordurinha do ATR disponível para flexibilização, considerando que o mercado de combustíveis não deve sofrer uma queda tão grande como a do ano passado”, sugere o economista.

Neste momento, a expectativa da Datagro é que 46,5% da matéria-prima seja voltada para o açúcar, um aumento de 1,2 ponto percentual no comparativo safra a safra. “Ainda assim, enxergamos uma possibilidade de que ele seja maior do que estamos apresentando”, complementa.

Desta forma, com a redução no ATR, a perspectiva é de uma queda de 4,7% na produção de açúcar, que ficaria em 36,7 milhões de toneladas, e de 4,1% na de etanol, ficando em 29,4 bilhões de litros, já considerando o renovável do milho.

Em relação ao etanol do grão, inclusive, Freitas comenta que a expectativa é que a produção continue subindo, atingindo 3,4 bilhões de litros em 2021/22. No entanto, há um risco de que ela seja menor devido à escalada nos preços do milho no Centro-Oeste.

estimativa datagro sucden 100321

Ainda em relação ao açúcar, a Sucden acredita que a queda será proporcionalmente menor do que as esperadas nos outros parâmetros da safra, ficando entre 36 milhões e 36,5 milhões de toneladas em 2021/22. Na sua opinião, os preços do adoçante devem permanecer em uma média bastante confortável para os produtores.

“A maximização das capacidades de cristalização e o incremento de produção com a entrada de novas fábricas de açúcar sinalizam essa perspectiva, mesmo com um ATR mais baixo”, justifica Carvalho. Para ele, a queda terá importante impacto no balanço global da commodity, que registrará déficit.

No geral, o economista da Datagro acredita que existem diversos fatores, altistas e baixistas, que podem influenciar estes números ao longo da safra. Eles vão de questões como o desenrolar da pandemia em 2021 – envolvendo vacinação e retomada do consumo –, passando pelos preços da Petrobras e chegam até o campo, com variações climáticas e datas do início de safra.

Inclusive, conforme Freitas, existem casos específicos de usinas querendo iniciar a safra em março para aproveitar o momento de altos preços para o etanol. Ainda assim, o contexto geral é de retardamento das operações, com uma entressafra um pouco mais longa.

Expectativa de aumento no Norte-Nordeste

Para a região Norte-Nordeste, por outro lado, a Datagro espera aumento em praticamente todas as estimativas, exceto do mix de produção açucareiro, que deve cair 1,8 ponto percentual e ficar em 44,3%.

Conforme Freitas, a visão inicial da consultoria para 2021/22 é de recuperação nos canaviais na próxima safra, considerando condições climáticas normais nos próximos meses. Assim, explica, há possibilidade de manutenção de resultados altistas na temporada seguinte.

A moagem, assim, ficaria em 55 milhões de toneladas, 3,8% acima das 53 milhões previstas para a conclusão de 2020/21. O açúcar deve praticamente se manter, ficando em 3,1 milhões de toneladas, um acréscimo de 0,6% antes as 3,08 milhões anteriores.

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A concentração de ATR deve ficar em 133,5 kg/t, crescimento de 1% em relação a 2020/21, e o etanol – só de cana – ficará em 2,4 bilhões de litros, o maior acréscimo no comparativo safra a safra, de 8,5%.

Mesmo com estes números altistas, Freitas reitera que é muito cedo para garantir resultados, pois são apenas previsões. “O que esperamos mesmo é a manutenção de um caráter mais açucareiro na região”, conclui.

Rafaella Coury – NovaCana

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