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Czarnikow espera mercado “enxugar” para crescer em energia no Brasil, diz diretor

Czarnikow está reduzindo o risco de seu portfólio de comercialização de energia no Brasil e vai aguardar “enxugamento” do mercado para ampliar negócios

Reuters 2 min de leitura

A Czarnikow está reduzindo o risco de seu portfólio de comercialização de energia elétrica no Brasil e vai aguardar um “enxugamento” do mercado para ampliar seus negócios na área, disse o diretor-geral da empresa no país, Tiago Medeiros, nesta quinta-feira, 20.

O grupo, que tem forte atuação global no mercado de açúcar, está “aumentando bastante a barra de risco” do negócio de energia, disse o executivo, em meio a uma crise entre as empresas brasileiras do segmento de comercialização.

“Hoje, o que a gente tem feito é tentado diminuir o risco do portfólio, a gente não tem posição proprietária em energia, nosso negócio é baseado em operação estruturada. A gente está aguardando o mercado enxugar. E vai enxugar mais, a gente acredita”, disse Medeiros, durante evento do MegaWhat.

O setor de comercialização de energia no Brasil vive uma crise desde o ano passado, principalmente entre as empresas brasileiras de pequeno e médio porte, com problemas de crédito e alta volatilidade de preços de energia afetando comercializadoras que operavam muito alavancadas.

Isso, por outro lado, abriu uma oportunidade para grandes companhias globais, como Trafigura, StoneX e Macquarie, mostrou uma reportagem da Reuters.

O diretor-geral da Czarnikow avaliou ainda como “fundamental” a criação de uma bolsa de energia no Brasil, com o estabelecimento de uma contraparte central para as negociações, o que ajudaria a diminuir o risco e aumentar a liquidez das operações. Hoje, o mercado brasileiro de comercialização de energia funciona apenas como balcão, com negociações bilaterais entre os agentes.

Ainda segundo Medeiros, uma “surpresa” negativa que a Czarnikow encontrou desde 2020, quando iniciou suas operações no mercado brasileiro de comercialização de energia elétrica, foi o ambiente litigioso.

“O ambiente litigioso se mostrou muito, muito incerto dependendo do juiz que está julgando, dependendo da tese que o devedor coloca, e algumas decisões foram, assim, realmente muito estranhas. E dentro de casa fica difícil montar um modelo de risco onde você não sabe exatamente quais são as consequências e quais são as regras do jogo para um processo de recuperação de crédito. Mas ok, estamos aprendendo”, afirmou.

Leticia Fucuchima

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