Por Glauber dos Santos*
A operação de tratos culturais teve um expressivo aumento nas últimas safra, com destaque para a evolução dos custos entre 2021/22 e 2022/23, onde houve um salto da ordem de 30%. Parte deste salto foi em função da pandemia, da guerra na Ucrânia e de outros fatores, no entanto, podemos atribuir um percentual deste aumento à adoção de novas tecnologias, tais como novas moléculas de químicos, maturadores e inibidores de crescimento, bem como, à nutrição foliar e aos estimulantes.
Segundo o levantamento realizado pelo Pecege Consultoria e Projetos, nos últimos cinco anos tivemos um aumento dos custos com tratos culturais da ordem de 57%, ou seja, saímos de um custo na casa de R$ 2.400/ha e saltamos para algo em torno de R$ 3.950/ha.
Infelizmente, a produtividade agrícola não teve o mesmo comportamento – pelo contrário, na safra 2021/22 a produtividade média do setor caiu para 67 t/ha com uma recuperação na safra 2022/23, para 78 t/ha.

Um detalhe interessante de observarmos é a amplitude que existe no setor, seja devido à necessidade de maior utilização de insumos, seja pela peculiaridade dos diferentes ambientes de produção, seja por maior ou menor adoção de tecnologia ou seja por uma maior ou menor eficiência na compra de insumos.
O fato é que, na pesquisa, tivemos usinas gastado R$ 2.644/ha e outras com quase o dobro (R$ 4.724/). Mas qual é a melhor situação, a da usina que gastou pouco ou a da usina que gastou mais? A resposta já é conhecida: depende.

Afinal, podemos ter uma usina que investiu pouco em tratos culturais e teve uma baixa produtividade ou mesmo uma usina que investiu muito e teve uma ótima produtividade. Desta maneira, não podemos analisar apenas o custo, pois precisamos criar uma ponderação com a produtividade de açúcar. Assim, criamos o indicador de custo por quilo de ATR.

A partir destes dados, observamos três tendências principais:
Em suma, encontramos a velha máxima de sistemas de produção que tem uma estrutura de custos de produção predominantemente fixa: a produtividade impera na redução e otimização dos custos. Ou seja, a melhor maneira de derrubar custos em cana-de-açúcar é com o aumento eficiente da produtividade.
* Glauber dos Santos é especialista em custos da Pecege Consultoria e Projetos
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