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Custos de produção subiram 20,5% na safra de cana 2022/23, aponta Pecege

Apesar do aumento nos dispêndios, sucroenergéticas ainda conseguiram manter uma margem positiva, mostra pesquisa com 45 grupos

NovaCana 11 min de leitura

Recuperação depois da quebra: esta foi a grande premissa para a safra 2022/23 de cana-de-açúcar do Centro-Sul. Ainda assim, o ciclo teve momentos conturbados. Os canaviais estavam em processo de regeneração e foram atingidos por altos níveis de chuvas antes da colheita, fazendo com que a qualidade da matéria-prima ficasse abaixo do esperado.

Mas as adversidades foram contornadas. Os meses de inverno foram mais secos, o que ajudou na melhora dos índices de açúcar. As usinas também conseguiram acelerar a moagem e manter uma produtividade mais estável, um avanço fundamental para o aproveitamento de suas capacidades instaladas.

Considerando este contexto, o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) fez um levantamento com os indicadores de custo e rentabilidade da temporada passada. E os resultados são de aumento, tanto para o lado dos preços quanto das despesas.

A atual amostra envolve 89 unidades agroindustriais de 45 grupos, que juntos processaram 215 milhões de toneladas de cana. O volume é equivalente a 39,2% da moagem da região na temporada, de 548,28 milhões de toneladas.

A apresentação foi feita pelo analista Ruan D’Aragone durante o evento Expedição Custos Cana. De acordo com ele, na temporada, o custo total agrícola chegou a R$ 14.365 por hectare, uma alta de 20,5% em relação aos R$ 11.916,81/ha registrados no ciclo anterior. Apesar disto, a margem econômica da amostra se manteve positiva.

No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere mais detalhes relacionados aos gastos de formação do canavial, dispêndios agroindustriais, além da rentabilidade dos produtos e da safra como um todo.

Recuperação depois da quebra: esta foi a grande premissa para a safra 2022/23 de cana-de-açúcar do Centro-Sul. Ainda assim, o ciclo teve momentos conturbados. Os canaviais estavam em processo de regeneração e foram atingidos por altos níveis de chuvas antes da colheita, fazendo com que a qualidade da matéria-prima ficasse abaixo do esperado.

Mas as adversidades foram contornadas. Os meses de inverno foram mais secos, o que ajudou na melhora dos índices de açúcar. As usinas também conseguiram acelerar a moagem e manter uma produtividade mais estável, um avanço fundamental para o aproveitamento de suas capacidades instaladas.

Considerando este contexto, o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) fez um levantamento com os indicadores de custo e rentabilidade da temporada passada. E os resultados são de aumento, tanto para o lado dos preços quanto das despesas.

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A atual amostra envolve 89 unidades agroindustriais de 45 grupos, que juntos processaram 215 milhões de toneladas de cana. O volume é equivalente a 39,2% da moagem da região na temporada, de 548,28 milhões de toneladas.

A apresentação foi feita pelo analista Ruan D’Aragone durante o evento Expedição Custos Cana. De acordo com ele, na temporada, o custo total agrícola chegou a R$ 14.365 por hectare, uma alta de 20,5% em relação aos R$ 11.916,81/ha registrados no ciclo anterior. Apesar disto, a margem econômica da amostra se manteve positiva.

Formação do canavial

Em comparação com a temporada 2021/22, houve um acréscimo no custo de produção da cana própria, destaca D’Aragone.

Na formação do canavial, os valores subiram 29%, de R$ 12.969 por hectare para R$ 16.742/ha. Dentro deste total estão implicados preparo do solo, plantio e tratos cana planta; e parte desta alta é justificada pelo acréscimo nos preços de corretivos (+98%), fertilizantes (+58%) e defensivos (+29%).

Os tratos com cana soca também cresceram 30%, enquanto a alta do sistema de colheita foi de 18%. O arrendamento, por outro lado, manteve-se praticamente estável, com uma variação positiva em 1%, totalizando R$ 2.325/ha.

D’Aragone explica que isso ocorreu pela própria estabilidade dos valores do Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Etanol do estado de São Paulo (Consecana-SP).

Ao mesmo tempo, a safra também trouxe uma retomada da produtividade dos canaviais. “Houve uma recuperação média de cinco toneladas por hectare, um aumento de 7%”, afirma o analista.

Considerando que a concentração de açúcar total recuperável (ATR) se manteve consistente entre as duas temporadas, com 137 quilos por tonelada, a quantidade de ATR por hectare também passou por um acréscimo de 7%, ficando em 10,3 kg/ha.

Custos agrícolas

No caso dos tratos com cana soca, os gastos foram impactados pelos mesmos fatores que influenciaram na formação do canavial. O documento do Pecege lista a elevação dos preços dos combustíveis, que aumentaram o custo do maquinário no campo, e o avanço nos valores internacionais de insumos, como fertilizantes e defensivos.

Desta forma, o dispêndio da operação totalizou R$ 3.948/ha, alta anual de 30,4% – dentro deste total, R$ 2.330/ha foram referentes aos insumos, um aumento de 39%. Mas D’Aragone reforça que, por conta da maior produtividade, as usinas também registraram uma diluição nos custos.

Já os gastos com corte, transbordo e transporte (CTT) tiveram um acréscimo de 25,9% conforme a pesquisa do Pecege. Segundo D’Aragone, o CTT é impactado diretamente pelo diesel, que teve um aumento de 39% no período. Na média, o preço do combustível na refinaria, contando com impostos federais e sem contabilizar o ICMS, passou de R$ 3,50 por litro no ciclo anterior para R$ 4,80/L em 2022/23.

Ainda segundo a pesquisa, o dispêndio com corte chegou a R$ 1.151,11 por hectare (+18,6%), com transporte de R$ 1.132,29/ha (+30%) e transbordo a R$ 699,42/ha (+22%).

Observando as despesas com arrendamento, o analista explica que, na região Centro-Sul, São Paulo historicamente traz um preço mais elevado. No mais recente levantamento, o estado teve áreas custando acima de R$ 3 mil por hectare.

Os gastos neste quesito, de acordo com o Pecege, acompanharam as flutuações de preço do Consecana. O valor médio da amostra, então, chegou a R$ 2.318,88/ha, acréscimo anual de 0,7%.

O analista do instituto explica que há um comprometimento entre este custo e a qualidade da matéria-prima: “Se você conseguir tirar uma produtividade um pouco mais elevada, sua parcela gasta com arrendamento será menor”.

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Contabilizando os gastos operacionais efetivos e os com formação do canavial, o custo-caixa agrícola totalizou R$ 12.734/ha na temporada, segundo a pesquisa do Pecege. O total representa um aumento de 18,8% em relação aos R$ 10.720/ha vistos no ciclo anterior.

Já o dispêndio agrícola total chegou a R$ 14.365/ha, alta anual de 20,5%.

Para alcançar os dois valores, o Pecege amortizou o custo de formação do canavial pela média do número típico de cortes informado pelas usinas que participaram do levantamento. Este quesito significou R$ 2.832,52/ha na safra 2022/23.

Além disso, o instituto também considera o desempenho das usinas que participaram da amostra. Elas foram divididas entre quatro classificações, de A a D, sendo A o compilado de quem gastou menos para plantar cada hectare de cana e D o resultado das empresas menos eficientes.

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Neste cenário, o preparo do solo variou entre R$ 1.393/ha e R$ 3.629/ha no grupo A. Enquanto isso, o D teve dispêndios entre R$ 5.730/ha e R$ 7.689/ha. O Pecege explica que estes custos foram influenciados pelos aumentos com corretivos, fertilizantes e diesel.

Estes fatores também influenciaram os gastos com plantio, que variaram entre R$ 5.969/ha (grupo A) e R$ 9.995/ha (grupo D). Já os tratos da cana planta ficaram entre R$ 1.629/ha (grupo A) e R$ 4.917/ha (grupo D).

Os custos com corte, por sua vez, variaram de R$ 11,01/t a R$ 24,21/t. Neste quesito, os gastos com manutenção também tiveram destaque para as unidades participantes, “especialmente devido aos preços elevados das peças de reposição”, afirma o Pecege.

O transbordo também avançou no período, oscilando entre R$ 6,22/t no grupo A e alcançando R$ 14,85/t no grupo D. O transporte, por sua vez, registrou os maiores aumentos entre os três indicadores, ficando entre R$ 10,13/t (A) e R$ 24,35/t (D).

Indicadores industriais

Com a variação positiva no volume de moagem, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) das usinas participantes do levantamento do instituto também aumentou, chegando a 78,9%. O resultado representa um aumento de 5,6 pontos percentuais ante os 73,3% vistos em 2021/22.

Assim, os custos industriais subiram 24,3%, chegando a R$ 25,83/t. D’Aragone destaca que, mesmo com a alta, houve uma mitigação dos gastos com melhora da moagem e aumento no Nuci.

Dentro do total, os dispêndios foram repartidos da seguinte forma: R$ 9,79/t com mão de obra; R$ 6,83/t com manutenção industrial; R$ 6,32/t com insumos industriais; R$ 2,32/t com despesas industriais; e R$ 0,56/t com outros custos.

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A analista de custos do Pecege, Verônica Costa, explica que, apesar da mão de obra possuir a maior participação no processamento industrial, as elevações mais significativas vieram das contas de manutenção, com alta de 33%, e de insumos, com acréscimo de 26%. O mesmo já havia ocorrido na safra 2021/22.

Além disso, as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A, na sigla em inglês) também foram diretamente beneficiadas pelo aumento da produção. Este índice teve até mesmo uma variação inferior em relação a outras contas do setor.

Os custos gerais e administrativos tiveram um aumento de 3,2%, totalizando R$ 11,64/t, enquanto os dispêndios com vendas chegaram a R$ 11,75/t, alta anual de 6%.

Desta forma, o gasto agroindustrial total, contabilizando depreciações, foi de R$ 228,4/t.

Custos dos produtos

Com uma alta valorização de preço, a safra 2022/23 teve um mix de produção voltado à fabricação de açúcar. Os custos seguiram a tendência de elevação, mas os produtores conseguiram manter margens positivas.

Contabilizando matéria-prima, processamento industrial e SG&A, o açúcar cristal branco demandou gastos de R$ 1.842/t. Mas, com um preço médio de R$ 2.346/t, ele fechou com uma margem positiva de 21%.

Já o adoçante VHP, voltado para exportação, teve uma margem de 18%, tendo custado R$ 1.691/t e sendo vendido a R$ 2.063/t, em média. Já outros açúcares demandaram R$ 2.001/t e foram negociados por R$ 2.992/t, com margem de 33%.

No caso do etanol, o anidro teve um prêmio melhor que o hidratado. D’Aragone explica que a desoneração dos impostos ocorrida em 2022 gerou uma redução na rentabilidade do biocombustível utilizado para abastecer diretamente os veículos.

Mas as margens foram um pouco mais apertadas para os dois tipos de etanol. O anidro custou aos produtores cerca de R$ 2.798/t e foi negociado, em média, a R$ 3.292/t, com uma margem de 15%. Já o hidratado demandou R$ 2.669/t e teve um preço médio de mercado de R$ 3.075/t, alcançando uma média de retorno em 13%.

Rentabilidade da safra

Assim, ao observar a rentabilidade das usinas na temporada 2022/23, D’Aragone aponta que a margem foi positiva, ainda que não tenha sido tão alta quanto em safras passadas, especialmente antes da quebra vista em 2021/22.

Segundo o Pecege, o custo total na safra foi de R$ 253,98/t, enquanto a receita alcançou os R$ 284,6/t, contabilizando uma margem econômica de 10,8%. O valor representa uma queda de 7,1 pontos percentuais em relação à temporada anterior.

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Além disso, o produto que trouxe a maior margem para os produtores foi o açúcar VHP, com 12,1%, um aumento de 4,3 pontos percentuais em comparação com o ciclo anterior.

D’Aragone explica que muitos desafios enfrentados na safra 2022/23 foram originados por movimentos de mercado. Ele cita ainda um aumento significativo nos preços das commodities energéticas e de fertilizantes, “o que resultou em um impacto considerável em todas as rubricas associadas a maquinário e insumos”.

Em uma retrospectiva das últimas temporadas, o analista exemplifica que, em 2020/21, os produtores vivenciaram uma boa produção, na casa dos 600 milhões de toneladas, apesar de uma desvalorização cambial. Já o ciclo seguinte, 2021/22, trouxe um drama econômico, com intempéries climáticas, competição de área com grãos e alta nos gastos e nos preços.

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A temporada passada, por sua vez, foi um “caos que formou o custo”. O analista aponta que, ao mesmo tempo em que ocorreram um atraso na maturação, a alta dos insumos e a alteração da tributação dos combustíveis, houve também o início de uma recuperação, com as despesas subindo e o preço se mantendo.

Por sua vez, a safra 2023/24 trouxe um bom volume de chuvas e a retomada da produtividade. No quesito das finanças, a percepção do Pecege é que os custos apresentam uma leve tendência de queda.

Giully Regina – NovaCana

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