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Custo das dívidas das usinas pode ser minimizado

bank 160614"Às vezes os empresários não entendem a dimensão real do problema. Nosso papel é ajudar a consertar as coisas e dizer aquilo que o outro lado não quer ouvir."
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Grandes investidores brasileiros como o magnata do varejo Abílio Diniz, assim como firmas de pequeno e médio porte, cada vez mais utilizam assessores independentes para supervisionar negociações e auxiliar na busca de possíveis oportunidades de investimento.

Preocupadas com possíveis conflitos de interesse dos bancos, que atuam a um só tempo como fornecedores de empréstimo e consultores, mais empresas estão contratando os serviços das boutiques para auxiliar em aquisições transnacionais de companhias e na reestruturação de dívidas.

Empresas sucroalcooleiras, industriais e elétricas brasileiras incorrem em despesas extras na hora de quitar empréstimos, o que prejudica seus esforços para reduzir dívidas num momento em que os custos de crédito aproximam-se do maior patamar em mais de dois anos.

Segundo pesquisa realizada pela consultoria financeira Mark 2 Market, as empresas pagam uma sobretaxa equivalente a entre 2% e 3% da dívida ao quitar empréstimos antes do prazo. A falta de conhecimento de como funcionam os contratos faz com que os custos de serviço da dívida se multipliquem.

Com o Banco Central adotando medidas para conter a inflação e as taxas de juros aumentando rapidamente, muitas empresas daqueles setores estão se livrando de parte de suas dívidas. Cada vez mais elas recorrem a pequenas firmas de assessoria financeira, conhecidas fora do Brasil como "boutiques", cuja função é minimizar gastos relacionados com refinanciamento e lutar por melhores condições de pagamento das dívidas junto aos credores.

"Às vezes os empresários não entendem a dimensão real do problema", diz Eleazar de Carvalho Filho, sócio da Virtus BR Partners, assessoria financeira com sede em São Paulo que trabalha com fusões e renegociação de dívidas. "Nosso papel é ajudar a consertar as coisas e dizer aquilo que o outro lado não quer ouvir."

Grandes investidores brasileiros como o magnata do varejo Abílio Diniz, assim como firmas de pequeno e médio porte, cada vez mais utilizam assessores independentes para supervisionar negociações e auxiliar na busca de possíveis oportunidades de investimento. Preocupadas com possíveis conflitos de interesse dos bancos, que atuam a um só tempo como fornecedores de empréstimo e consultores, mais empresas estão contratando os serviços das boutiques para auxiliar em aquisições transnacionais de companhias e na reestruturação de dívidas.

Segundo Rodrigo Amato, sócio da Mark 2 Market, os assessores independentes também podem ajudar a cortar custos. "Fazendo uso do conhecimento, você pode tentar reduzir as sobretaxas ou até mesmo anulá-las", diz.

Esses esforços se justificam porque o custo dos empréstimos tem um impacto cada vez maior nos orçamentos das empresas, especialmente num cenário econômico desfavorável — em 2014, a economia brasileira deve ter um desempenho pior do que o esperado pelo quarto ano consecutivo.

De acordo com dados da Thomson Reuters, quase metade das companhias listadas no índice Bovespa relataram redução na dívida líquida (ou dívida total menos caixa) nos últimos três trimestres, mesmo com a queda nas receitas corrigidas pela inflação e uma taxa de câmbio mais fraca.

A taxa referencial Selic já está em 11%, após ter alcançado o menor valor histórico em maio do ano passado, 7,25%. Já o spread bancário — diferença entre o que cobram os bancos e o custo de financiamento de um empréstimo — aproxima-se do maior valor em três anos.

Guillermo Parra-Bernal e Aluísio Alves; Edição de Jeffrey Benkoe
Fonte: Reuters
Tradução e adaptação NovaCana
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