Em um cenário de maior disciplina na alocação de recursos, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) realizou um evento em que levou ao setor sucroenergético a mensagem de que é possível produzir melhor com manejo otimizado. O encontro aconteceu nesta quinta-feira, 5, em Ribeirão Preto (SP), reunindo clientes, técnicos e lideranças do setor.
O evento marcou o lançamento de duas novas variedades para o Centro-Sul: CTCAdvana2 e Tecna3902.
A CTCAdvana2, nova integrante da série CTC Advana, foi reconhecida pela consistência de resultados e adaptação a ambientes restritivos. Segundo o CTC, ela entrega um novo patamar de produtividade para essas condições, que representam um mercado potencial de mais de 4 milhões de hectares.
“Ambientes mais restritivos costumam representar um desafio importante para o produtor. A CTCAdvana2 surge como uma solução para essas condições, combinando alta produtividade, estabilidade produtiva e segurança agronômica”, afirma o gerente de desenvolvimento de mercado do CTC, Henrique D’Avila.
Além disso, a companhia afirma que a variedade oferece maior flexibilidade operacional ao longo da safra, graças ao seu extenso período de utilização industrial (PUI), podendo ser colhida do início ao meio da safra. Ainda de acordo com o CTC, a variedade também apresenta “excelente sanidade vegetal e colheitabilidade”.
Já a Tecna3902 é indicada para ambientes favoráveis e colheita entre abril e agosto. Segundo o CTC, o material apresentou ganho médio de 0,9 toneladas de açúcar total recuperável (ATR) por hectare frente aos principais padrões de mercado, sendo recomendada para regiões como Piracicaba, Ribeirão Preto, São Carlos e Assis.
Por meio de uma série de palestras, o evento ainda apresentou estratégias de manejo para ampliar o desempenho produtivo do portfólio genético da companhia, com base em dados confiáveis, evidências técnicas e experiências práticas no campo.
A programação destacou recomendações práticas construídas a partir de dados experimentais e análises comparativas, que permitem ampliar o potencial produtivo das variedades já plantadas.
Os debates abordaram temas relacionados ao avanço da produtividade, como estratégias de manejo voltadas ao aumento de açúcar total recuperável (ATR), maximização de resultados em ambientes restritivos, premissas estratégicas para escolhas de variedades, de modos que elas expressem seu máximo potencial produtivo.
Nesse sentido, representantes de grandes grupos do setor compartilharam experiências práticas relacionadas a otimização da maturação, plano diretor varietal e uso de genética moderna como alavanca de produtividade e eficiência operacional.
A programação incluiu ainda a participação da consultoria Planiagro, que apresentou um case prático sobre planejamento estratégico de manejo.
O encontro também foi marcado pela apresentação do pacote tecnológico do CTC, que muda o conceito tradicional de bula varietal ao ampliar as recomendações agronômicas e orientar o produtor sobre como capturar o máximo potencial produtivo das variedades no campo.
“A bula tradicional indica onde e quando plantar; o pacote tecnológico eleva esse padrão ao reunir recomendações completas de manejo construídas a partir de dados de campo para extrair todo o potencial da variedade”, afirma o coordenador de desenvolvimento do produto do CTC, Jardélcio Carvalho.
Ele ainda complementa: “No fim, nosso objetivo é simples. Apoiar o produtor com mais previsibilidade e resultado, porque o sucesso dele é o que vai impulsionar o aumento da produtividade da cana no Brasil".
Além disso, uma mesa redonda moderada pelo diretor comercial do CTC, Luiz Paes, discutiu o cenário macroeconômico e as perspectivas do setor sucroenergético nesta safra, conectando cenário econômico geral, panorama setorial, gestão e produtividade.
Os participantes eram: o economista do Banco BV, Carlos Lopes; o diretor da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), Luciano Rodrigues; e o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank.
De acordo com o CTC, a proposta foi analisar como o contexto econômico influencia decisões de investimento, expansão e manejo, em um momento de maior racionalidade e foco em retorno sobre capital.
Assim, o encontro trouxe um panorama econômico e setorial, discutindo os rumos da economia, os desafios do agronegócio e do setor sucroenergético, além das oportunidades que esses cenários desenham para os próximos anos.